UFPR Litoral desenvolve ações para minimizar crise sanitária durante pandemia

Produção de álcool em gel, máscaras de proteção e desenvolvimento de testes rápidos foram as principais ações desenvolvidas pelo setor

por Redação
25/01/2021 06:29 (Última atualização: 25/01/2021)

Estudante Marcelo Conzentino e professor Luciano Huergo, da UFPR Litoral, desenvolveram um teste rápido para a COVID-19 e participaram da produção de álcool em gel (Foto: Arquivo pessoal)

Por Amanda Yargas

Em 2020, a pandemia mudou a realidade e impactou a forma como convivemos. Foi preciso se adaptar rápido aos desafios impostos, criando soluções para enfrentar os problemas que surgiram a cada momento. Em muitos casos, o poder público não conseguiu atender a todas as necessidades imediatas da sociedade e outros agentes apareceram para suprir as demandas que iam ocorrendo, da melhor forma possível. Um deles foi a universidade pública. No Paraná, até o dia 16 de dezembro, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) tinha produzido mais de 97 mil litros de álcool em gel, distribuídos para 265 cidades, e 22.240 máscaras de proteção, destinadas a 61 municípios.

O setor Litoral foi responsável pela produção de 1.270 protetores faciais, entregues a cinco cidades da região e por 4.063L de álcool em gel, que foram recebidos por todas as cidades do litoral e também por Cerro Azul, no Vale do Ribeira. Os protetores incluem máscaras de pano e face shields, produzidos por professores e alunos e encaminhadas a postos de saúde, APAEs, instituições de caridade que atendem pessoas em risco social, entre outros, trabalho coordenado pela diretora do setor, professora Elisiani Vitória Tiepolo.

A UFPR Litoral também recolheu doações para distribuição de cestas básicas em comunidades carentes do município de Matinhos. Foram cerca de 5 mil kits que incluíram, por exemplo, produtos de higiene e limpeza para evitar a contaminação entre membros da família. 

Segundo o vice-diretor da UFPR Litoral, Lorival Fidelis, o balanço mostra o comprometimento da Universidade em trazer respostas para os problemas que emergiram no período, mas também soluções e inovações por meio da pesquisa científica. “Foi isso que fizemos durante os dez meses de pandemia, sempre olhando para o futuro, pensando em resolver questões emergenciais, tentando ser também sinérgicos com a comunidade que nos envolve, apoiando as diversas frentes que estão desenvolvendo questões relacionadas ao combate à pandemia da COVID”, declarou.

Inovação

Para além das respostas emergenciais, a universidade também desenvolveu uma série de pesquisas que propuseram soluções para enfrentar o coronavírus. No Setor Litoral, um teste rápido de identificação da COVID-19 se encontra em fase final de desenvolvimento. O professor do curso de Gestão Ambiental Luciano Huergo é coordenador do projeto. Ele contou que o teste desenvolvido nos laboratórios da UFPR Litoral adaptou um método diagnóstico tradicional para que ele fosse mais eficaz: “nosso teste tem uma performance melhor, acontece num tempo inferior e com um custo muito mais baixo”. Segundo o professor, o estudo já foi validado em escala laboratorial e há negociações em andamento para produção em larga escala.

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O coordenador relatou que muitos alunos os quais estudam no Setor Litoral acabaram retornando para as cidades de origem, o que diminuiu bastante a capacidade produtiva no laboratório. “Mesmo assim, há pessoas que conseguiram permanecer nos ajudando, em especial o Marcelo, que mora em Pontal do Sul, e veio todos os dias para ajudar no desenvolvimento, utilizando recursos próprios”.

Valorização

Além de participar da pesquisa do teste rápido, o estudante Marcelo dos Santos Conzentino também se voluntariou para a produção de álcool em gel. Segundo ele, “o que mais se destaca é o papel das Universidades Públicas enquanto órgão integrante da sociedade, pois sem elas, nada dessas redes de cooperação no combate ao coronavírus seria possível, isso nos enche de esperança. Minha mensagem é ressaltar e defender a importância das Universidades Públicas dentro da nossa sociedade, onde a ciência é fundamental em uma causa comum”, pontuou.

Huergo também considera que a crise sanitária trouxe uma nova perspectiva sobre as universidades públicas. “Este momento da pandemia foi divisor de águas porque acho que o Brasil, de uma forma geral, estava desmerecendo a parte científica, a comunidade acadêmica e acho que ficou claro, o quão importante é você ter pessoas com formação e conhecimento para poder direcionar as melhores políticas públicas, a produção de vacina, orientar como as pessoas devem agir, a produção de insumos laboratoriais”. Ele reforçou que são esses alunos que se transformam em profissionais e fazem a diferença nos momentos críticos: “muitos dos meus ex-alunos trabalham na linha de frente da testagem nos laboratórios de referência para COVID no estado. Então, essa formação é crucial, só isso já mostra o impacto do trabalho da universidade para a população”. 

O professor Renato Bochichio, que foi diretor na UFPR Litoral, conta que essa posição não é algo novo, já que os princípios de atuação de uma universidade sempre foram ensino, pesquisa e extensão. “Nos últimos 15 anos a extensão passou a ser o pilar mais destacado dentro das universidades do país e é justamente o momento em que a UFPR Litoral surge, ela vem com força com esse viés de uma ação muito mais integrada à realidade”. Ele acredita que o que mudou foi como a sociedade agora tem mais acesso a informações sobre as ações desenvolvidas pela universidade e, por isso, há uma percepção melhor sobre a importância da instituição. “A visibilidade que a universidade está tendo, tem sido positiva porque há uma recuperação simbólica e justa sobre aquilo que a instituição pública é e o que ela faz. A gente sempre desenvolveu isso, mas agora está mais evidente por conta da gravidade da situação” avaliou.

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