Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR supera número de visitantes de 2023


Por Thais Skodowski Publicado 04/12/2024 às 13h27

O Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná (MAE) já superou o ano de 2023 em relação ao número de visitantes. No dia 24 de novembro, o espaço contabilizou 21.324 visitas, ultrapassando as 20.598 de todo o ano passado. Em 2024, a média diária de visitantes do museu é de 76 turistas.

Instalado no antigo Colégio dos Jesuítas, um casarão colonial do século 18, com janelões voltados ao Rio Itiberê, o espaço abriga um acervo inestimável não só sobre a história parnanguara, mas também a paranaense. Atualmente possui um acervo de aproximadamente 70 mil peças, divididas em quatro grandes coleções: Arqueologia, Cultura Popular, Etnologia e Documentação Sonora, Visual e Textual.

Painel “Os Xetá”

O Museu abriga o mural “Os Xetá”, criado em 1962 por Poty Lazzarotto, ícone da história da arte paranaense. O painel foi inspirado em fotografias do etnógrafo Vladimir Kozák, amigo de Poty. A arte precisou de restaurações após sofrer com chuvas e infiltrações no prédio Sede do Museu, que ainda não tinha sido restaurado.

Desde 2009, instalado em um espaço apropriado, o quadro ganhou ainda mais importância com o quase desaparecimento do povo Xetá. “É um presente para o museu. E tem mais um detalhe, que é um pouquinho chocante: hoje, neste quadro, tem mais Xetás pintados do que temos Xetás vivos. Aqui, são 13 Xetás pintados. Mas nós só temos sete indivíduos vivos desta etnia. Tudo isso ocorreu em 68 anos”, explica Wesley Ventura,, funcionário do local.

Os Xetá foram a última etnia do estado do Paraná a entrar em contato com a sociedade nacional. Na década de 40, frentes de colonização invadiram o território dos indígenas, no noroeste do Paraná, reduzindo-os drasticamente.

Exposição atuais

Os visitantes do MAE vão encontrar em cartaz a exposição “Romaria Caiçara do Divino Espírito Santo”, que retrata a tradição do catolicismo popular com a participação de foliãs e foliões que carregam a Bandeira do Divino e utilizam instrumentos musicais caiçaras, como a rabeca, a caixa e a viola.

Pelo setor de arqueologia, o turista tem acesso à “Ygá-Mirî – A Canoa de Ciudad Real del Guairá”, fruto de um projeto conduzido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em um trabalho colaborativo com a Comunidade Avá Guarani.  A coleção é composta por dois remanescentes de canoa e um conjunto de outros artefatos resgatados nas proximidades da aldeia Nhemboeté e do sítio Arqueológico de Cidade Real do Guairá.

Há também a exposição “Nhande Mbya Reko: Nosso Jeito de Ser Guarani”, resultado da colaboração entre seis comunidades da região litorânea do Paraná. O objetivo deste trabalho é trazer ao público aspectos da forma de vida, da arte, da cosmologia e da religiosidade Guarani.

A cultura popular do Litoral também é destaque com a mostra “Mestres do Fandango”, realizada com o apoio da Secretaria de Cultura e Turismo de Paranaguá (SECULTUR), que presta homenagem aos mestres fandangueiros do Paraná. 

Por fim, o primeiro andar do prédio histórico foi ocupado com objetos que representam diferentes saberes, fazeres e manifestações culturais brasileiras. A exposição trata de temáticas como a produção de cerâmica, cestaria e tecelagem, religiosidade, brinquedos e festas populares.

Serviço

O Museu fica no Centro Histórico de Paranaguá e, a partir da primeira semana de dezembro, a entrada será feita pela rua João Regis esquina com a ladeira Mohamed Mansur Said, em frente à Praça Mário Roque. O espaço fica aberto de terça a domingo, das 8h às 20h. A entrada é gratuita.

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