Adriano Ramos mostra abandono da Prefeitura e alerta para possível sumiço de patrimônio público


Por Thais Skodowski Publicado 14/01/2025 às 17h53 Atualizado 15/01/2025 às 19h08

Em coletiva de imprensa, realizada na tarde da última quarta-feira (8), o prefeito Adriano Ramos (Republicanos) classificou como precária a situação em que encontrou o Palácio São José, sede da Prefeitura de Paranaguá. A presença de ratos, pombos, cupim, móveis danificados, banheiros interditados, goteiras, criadouros do mosquito da dengue e risco de desabamento do telhado estão entre as principais reclamações dos servidores.

O novo prefeito já determinou, em caráter emergencial, que uma equipe da Secretaria de Obras realize uma avaliação técnica do prédio, destacando a possibilidade de interditar alguns setores. “A gente precisa cuidar da parte da estrutura do telhado. O ripamento está infestado de cupim e pode ocorrer um desabamento”, comentou.

A falta de acessibilidade no prédio histórico foi outro problema apontado. Cadeirantes e pessoas com dificuldade de locomoção não conseguem acessar o primeiro andar. De acordo com o prefeito, um projeto de revitalização será elaborado pelo Instituto de Planejamento, Tecnologia e Inovação e vai contemplar questões de acessibilidade.

Na reunião de secretariado, que aconteceu na segunda-feira passada (6), Ramos também orientou sua equipe para que elaborem um amplo levantamento das condições de todos os prédios públicos da Prefeitura. O objetivo é garantir o conforto e a segurança dos servidores no desempenho de suas funções.

“O ex-prefeito Marcelo Roque cuidava do seu local de trabalho, mas não cuidava do local de trabalho dos servidores. Foram oito anos de governo Marcelo Roque e oito anos que vocês estão vendo aqui. O servidor de carreira tem que ser respeitado, precisa ser valorizado”, alfinetou o novo prefeito, ao mostrar as condições insalubres do setor onde abriga a Procuradoria Geral do Município.

Patrimônio Público

Durante a coletiva, o prefeito não quis entrar em detalhes, mas alertou ainda que servidores têm relatado possíveis sumiços de equipamentos e materiais da Prefeitura. Com muito cuidado, Ramos não fez acusações diretas, mas deixou claro que irá averiguar caso a caso e que a situação pode ter desdobramentos nos próximos dias.

“[Temos] informações de servidores, que equipamentos da Prefeitura que eram para estar lá, não estão. Não posso dizer o que, não posso dizer o que houve. Mas os secretários já trouxeram algumas dessas informações e nós pedimos: ‘façam um registro de tudo, tragam pra nós’. [A partir daí] vamos saber se realmente estava no patrimônio do município ou se era de algum servidor para que tomemos providências”, relatou.

Vice-prefeita sem teto

Quem também fez questão de demonstrar a situação dos ambientes de trabalho dos servidores foi a vice-prefeita, Fabiana Parra (União). Ela afirma que não tem coragem de levar ninguém à sua sala, devido a precariedade das condições, e tem despachado do gabinete do prefeito.

“Eu brinco que sou uma vice atuante, mas sem teto. Fico a questionar como era antes. Quando cheguei, a sensação era de que ninguém esteve lá há muitos anos”, afirmou Fabiana. “Não tem como receber alguém numa sala naquelas condições. Essa é a imagem que vamos passar da nossa cidade, do cuidado que nós temos. Se a casa do prefeito, da vice, dos secretários está desse jeito, como está lá fora?”, complementou.

A reportagem do JB Litoral viu de perto e constatou a sala com móveis molhados, paredes danificadas e sem pintura, goteiras, poças d’água no piso, infiltrações, entre outros indícios de abandono. “Além de chover dentro, tem os pombos, o mau cheiro e, o mais assustador, quando cheguei tinha uma estagiária ali, naquelas condições, e ela disse que há quase um ano estava lá e sempre foi assim”, contou Fabiana.

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