Reunião convocada pelo ICMBio gera preocupação entre moradores de Guaraqueçaba


Por Thais Skodowski Publicado 04/02/2025 às 11h42
Placa demarca o início da Reserva Biológica Bom Jesus, em Guaraqueçaba.
Placa demarca o início da Reserva Biológica Bom Jesus, em Guaraqueçaba. Foto: Governo Federal

Uma reunião convocada para esta semana pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) deixou os moradores de Guaraqueçaba apreensivos. O chamado ocorre logo após o instituto instalar placas na Reserva Biológica Bom Jesus (REBIO), levando os moradores a temerem que toda a região seja cercada e posteriormente transferida para o domínio do ICMBio.

O órgão, contudo, chamou de boatos as notícias disseminadas em grupos de WhatsApp, que alegavam a transferência total da área para o ICMBio. Segundo o instituto, Guaraqueçaba tem grande parte do seu território em Área de Proteção Ambiental (APA), o que descarta a possibilidade de realocação das comunidades existentes.

O ICMBio esclareceu que as placas na Reserva Biológica Bom Jesus servem para delimitar as terras dos proprietários que serão indenizados em razão da demarcação da reserva. “Como os proprietários desconhecem os limites, pode haver atividades incompatíveis com a reserva, sujeitas a autuação. Para minimizar esse problema, é necessário sinalizar a área e informar os proprietários”, explicou o órgão em nota.

O instituto também afirmou que eventuais realocações ou indenizações de comunidades são realizadas conforme os termos de compromisso previstos na Lei do SNUC 9.985/2000.

Reunião

Sobre os encontros marcados para os dias 4 e 5 de fevereiro com líderes comunitários das unidades de conservação federais de Antonina e Guaraqueçaba, além de pescadores, o órgão informou que o objetivo é consultar a comunidade sobre projetos de interesse local. “Esses projetos não são necessariamente do ICMBio, mas de instituições privadas, ONGs, universidades e outras entidades que podem atuar no território com iniciativas de pesquisa, manejo e conservação, uso sustentável, entre outros. Eles podem estar vinculados a termos de ajuste judicial ou editais de fomento, como os da Itaipu”, explicou Camile Lugarini, chefe do Núcleo de Gestão Integrada de Antonina-Guaraqueçaba.

Temor

Apesar dos esclarecimentos do órgão, os moradores de Guaraqueçaba ainda demonstram desconfiança. “Sabemos que está cada vez mais difícil permanecer aqui vivendo da lavoura. As pessoas temem perder sua identidade de trabalhador rural, algo que vem ocorrendo gradualmente sem consulta à comunidade”, afirmou uma fonte que preferiu não se identificar ao JB Litoral.

APA de Guaraqueçaba

A Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba completou 40 anos em 31 de janeiro. Com mais de 282 mil hectares de área protegida distribuídas entre quatro municípios (Campina do Sul, Antonina, Paranaguá e Guaraqueçaba), abriga três Unidades de Conservação (UCs) federais: o Parque Nacional do Superagui, a Reserva Biológica (REBIO) Bom Jesus e a Estação Ecológica (ESEC) de Guaraqueçaba.

Além de proteger espécies ameaçadas de extinção, como o gavião-pomba, o sabiá-pimenta e o mico-leão-da-cara-preta, a APA também possui grande potencial turístico. Suas paisagens naturais atraem visitantes interessados em rios, cachoeiras e piscinas naturais. A região é considerada um dos melhores locais do país para a observação de aves da Mata Atlântica, com mais de 300 espécies registradas, incluindo o papagaio-da-cara-roxa e o garimpeirinho, atraindo observadores e fotógrafos de todo o Brasil.

Vivem nos limites da unidade as populações caiçaras, quilombolas, indígenas e agricultores.

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