Trânsito caótico, filas de caminhões e impasses: Atílio Fontana segue sem solução por parte das autoridades
Além das obras inacabadas na Avenida Senador Atílio Fontana, outros problemas têm deixado o trânsito na região do porto de Paranaguá completamente caótico: a desorganização no agendamento dos caminhões, assim como a falta de cumprimento da Lei dos Pátios.
A Lei Municipal nº 1912/1995, conhecida como Lei dos Pátios, obriga as empresas geradoras de tráfego pesado a possuírem “área interna de manobra e pátio interno de estacionamento”.
No entanto, de acordo com caminhoneiros que conversaram com a reportagem do JB Litoral, não é isso que acontece. “Os pátios de adubo fazem o agendamento, mas eles não cumprem”, disse um motorista.
Ainda segundo o profissional, as empresas agendam um número superior à capacidade de funcionamento. “Eles agendam 30 por hora, por exemplo, mas eles não têm espaço para a gente ficar. Além disso, as máquinas de carregar e descarregar não dão conta de fazer o serviço na velocidade de caminhões que chegam, por causa do agendamento. São máquinas velhas. Então, eles nos deixam esperando na rua”, disse.
Dessa maneira, os motoristas ficam estacionados na rua, seja na Avenida Senador Atílio Fontana ou na BR-277, sofrendo com o calor, a falta de estrutura e até mesmo ofensas de moradores da região, conforme presenciou a reportagem. “Na semana passada, os caminhões que chegaram depois do almoço saíram sabe que horas? Uma e meia da madrugada! Passaram o dia inteiro naquele calorão”, explicou outro caminhoneiro.
Sem multas
De acordo com a Prefeitura, cerca de 25 empresas operam na região. Todas alegam ter pátio próprio, já que esta é uma condição para conseguir o alvará. No entanto, de acordo com a gestão municipal, com a lei do sistema “empresa fácil”, a fiscalização acaba ocorrendo apenas após a emissão do alvará, ou seja, com a empresa já funcionando.
A Secretaria Municipal de Urbanismo, responsável pela fiscalização destas empresas, em nota, também afirmou que a “Lei dos Pátios” precisa ser alterada para garantir o seu cumprimento. “A Lei Municipal 1912/1995 que regula o número de vagas de cada empresas, mas não prevê multas. Essa lei precisa ser melhorada neste sentido. Algumas já foram multadas por outras questões. O trabalho que estamos realizando visa orientar as empresas para a continuidade do bom andamento das operações a todos”, explicou.
A pasta também explica que todas as empresas da região já foram notificadas. Além disso, na próxima terça-feira (11) acontecerá uma reunião entre a Secretaria e os terminais em busca de uma solução para as filas dos caminhões.
Em relação aos caminhoneiros, a Guarda Municipal faz um trabalho educativo para que os motoristas não atrapalhem o trânsito. No entanto, como os próprios motoristas afirmam, eles chegam no horário do agendamento, mas precisam ficar esperando na avenida.
Portos
O JB Litoral entrou em contato com a Portos do Paraná, que afirmou não ter relação com as filas formadas pelos pátios privados, apesar de existir um planejamento conjunto entre o recebimento das cargas no Pátio de Triagem, os armazenadores e o carregamento dos navios.
Ainda segundo a empresa pública, o Pátio de Triagem da Portos tem capacidade para 1 mil caminhões por dia estacionados. No período de safra, transitam, em média, 2.500 caminhões diariamente. A distribuição de cotas é feita com base em critérios como a capacidade de descarga diária de cada terminal exportador.
Para o futuro, a Portos do Paraná já recebeu uma área do Governo do Estado que permitirá dobrar a capacidade de recebimento de veículos. A implantação ocorrerá assim que forem concluídos os processos de licenciamento e demais trâmites necessários.
Já a TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, informou que o pátio de operações próprio possui capacidade para atender, aproximadamente, 100 caminhões simultaneamente. Em 2024, a média de acesso de caminhões foi de 73 por hora, ou seja, o fluxo de veículos estaria dentro da capacidade operacional.
A TCP também disse que todos os acessos de caminhões ao Terminal para entregas e retiradas acontecem por meio de agendamento, que deve ser realizado pela empresa solicitante por meio do Portal do Cliente da TCP. Esta plataforma permite que o usuário consulte datas e horários disponíveis para agendar a operação de seus caminhões, garantindo, assim, eficiência máxima no fluxo de acesso e saída de veículos.
Para este ano, a TCP já tem aprovado um investimento para melhorar a estrutura de seu pátio para triagem (Pré-Gate), que fica localizado ao lado do Terminal. A obra irá dobrar o número de vias cobertas na área de triagem – de duas para quatro – ampliando a capacidade de atendimento, o que permite um novo desenho otimizado no fluxo de entrada de veículos. O valor do investimento não foi revelado.








