Editorial: De graça até injeção na testa? Para o parnanguara não é bem assim
O programa Tarifa Zero é uma das maiores bandeiras da gestão anterior. Implementado em março de 2022, fez com que Paranaguá servisse de exemplo para diversos municípios, não só do Litoral e de todo o Estado, mas também para cidades de fora do Paraná. Porém o programa, que foi tão festejado pela população, dá sinais evidentes de fadiga. Será mesmo que vale suportar tudo pela passagem de graça? Com as demonstrações de insatisfação da população viralizando nas redes sociais, o tema virou assunto no Legislativo Municipal. Passageiros sofrendo, ônibus lotados, antigos e em mau estado de conservação. Nessa época do ano, de calor extremo, a situação é ainda pior.
Eis que nos vemos como um baita problema sendo empurrado com a barriga desde a gestão Marcelo Roque. Que tanto poder é esse que tem a Viação Rocio para atuar na cidade há, nada mais, nada menos, do que 60 anos? Na atividade de transporte de passageiros desde 1965, já mudou de nome duas vezes, mas continua sendo a mesma empresa.
O contrato, que venceu em 2023, recebeu um aditivo de mais seis meses, porque já empurraram com a barriga para abrir uma licitação.
Quando finalmente o processo foi formalizado, mais de um ano após o vencimento do contrato, em maio de 2024, a Viação Rocio, que não larga o osso, ingressou com pedido de suspensão da licitação. Adivinhem? O pedido foi deferido pelo TCE e está no limbo até agora. Como algumas outras coisas, a questão foi deixada para que a próxima (atual) gestão resolvesse.
Agora, os vereadores estão na bronca, pois a cada aditivo só se reajusta ainda mais o valor repassado à empresa e a frota segue a mesma, com coletivos sucateados e fazendo o parnanguara sofrer. Temos certeza de que deve ter muita gente que até preferia pagar do que passar por tanto sufoco. Temos até um exemplo real de como poderia ter sido feito em Paranaguá: Pontal do Paraná reformulou o transporte coletivo, mas, em vez de zerar a tarifa, reduziu bastante o valor e melhorou a qualidade do serviço. Seria essa a solução para que a população tivesse o serviço prestado com dignidade?
