Longe da sombra dos prefeitos: vices de Paranaguá e Pontal buscam o próprio holofote


Por Thais Skodowski Publicado 08/03/2025 às 16h19

Nas eleições municipais de 2024, 1.066 mulheres foram eleitas vice-prefeitas em todo o Brasil, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número representa um aumento de 15% em relação ao pleito anterior, de 2020. No entanto, os homens ainda são amplamente maioria no cargo, totalizando 4.503 vice-prefeitos, o que equivale a 80,86% dos eleitos.

No Litoral do Paraná, três mulheres assumiram o cargo de vice-prefeita: Fabiana Parro (União), em Paranaguá; Professora Patrícia (PSD), em Pontal do Paraná; e Dona Lígia (PL), em Matinhos.

O JB Litoral conversou com Fabiana Parro e com a Professora Patrícia sobre suas trajetórias políticas e os desafios de ser mulher em um meio ainda predominantemente masculino. Já a Prefeitura de Matinhos não respondeu aos pedidos de entrevista com Dona Lígia até o fechamento desta reportagem.

VIDA POLÍTICA APÓS UM CÂNCER

Em 2012, aos 36 anos, a fonoaudióloga Fabiana Parro foi diagnosticada com câncer de mama triplo negativo. O tratamento coincidiu com o da prima, Isabela Galvez, que também enfrentava a doença. O apoio mútuo foi essencial para ambas durante um período marcado por cirurgias, quimioterapias e radioterapias.

Após se curarem, elas decidiram fundar o Instituto Peito Aberto, um projeto voltado para o acolhimento de mulheres com câncer. Essa experiência foi o que impulsionou Fabiana a ingressar na política.

“Com o tempo compreendi que, para ampliar esse impacto e levar apoio a ainda mais pessoas, era fundamental atuar diretamente na construção de políticas públicas. Foi com esse propósito que aceitei o desafio de ser vice-prefeita, para estar ao lado da população, assegurar que os serviços essenciais cheguem a quem mais precisa e contribuir ativamente para o desenvolvimento da nossa cidade”, afirma.

Frequentemente vista ao lado do prefeito Adriano Ramos (Republicanos) em eventos, mas sem ocupar uma secretaria específica, Fabiana já foi criticada por ter um papel secundário na gestão. Ela, no entanto, rebate os questionamentos:

Fabiana Parro ao lado da família durante sua diplomação como vice-prefeita de Paranaguá. Foto: Prefeitura de Paranaguá
Fabiana Parro ao lado da família durante sua diplomação como vice-prefeita de Paranaguá. Foto: Prefeitura de Paranaguá

“Muitas vezes, essa ‘nova postura’ de uma vice-prefeita pode causar estranheza para alguns, mas aqui temos um prefeito que valoriza o trabalho em conjunto para o bem maior: nossa população”, destaca.

A vice-prefeita assegura que tem autonomia para tomar decisões e que está comprometida em fortalecer a gestão municipal.

“Participo das decisões, colaboro em iniciativas essenciais e acompanho de perto o andamento das políticas públicas”, reforça.

Sobre o desafio de ser mulher na política, ela acredita que, apesar das dificuldades, há uma grande oportunidade de transformação.

“Precisamos ocupar esses espaços para garantir representatividade e inspirar outras mulheres a participarem ativamente da vida pública. Nossa visão sensível e atenta contribui para uma gestão mais humanizada e eficiente”, avalia.

Em relação ao futuro, Fabiana evita especulações sobre uma possível candidatura à Prefeitura.

“Neste momento, meu foco é exercer com excelência o papel de vice-prefeita, ampliando projetos e fortalecendo políticas públicas. O futuro a Deus pertence, mas onde quer que eu esteja, seguirei trabalhando com paixão, dedicação e compromisso para transformar vidas”, finaliza.

DE MÃE A CANDIDATA

Patrícia Millo Marcomini, mais conhecida como Professora Patrícia, está em seu segundo mandato como vice-prefeita de Pontal do Paraná.

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Professora Patrícia comparece à votação acompanhada da filha. Foto: Arquivo Pessoal

“Dizem que em time que está ganhando não se mexe, então o prefeito Rudão novamente me chamou para compor a chapa com ele. Eu aceitei”, brinca.

Professora de matemática da rede estadual e ex-diretora do Colégio Sully da Rosa Vilarinho, em Pontal do Sul, Patrícia decidiu entrar na política após se tornar mãe.

“Eu e meu marido escolhemos Pontal para viver. Quando engravidei, combinamos que nos mudaríamos para Curitiba quando nossa filha crescesse, para que ela tivesse mais estrutura e oportunidades. Mas isso me incomodou. Pensei: ‘se escolhi morar aqui, devo fazer algo para melhorar o lugar’. Foi assim que decidi me candidatar a vereadora em 2016”, conta.

Embora tenha recebido uma votação expressiva, não foi eleita e ficou como suplente. A oportunidade surgiu em 2020, durante a pandemia, quando assumiu uma vaga na Câmara Municipal.

“Foi apenas por um ano, e as sessões eram on-line. Mesmo assim, o prefeito Rudão me convidou para ser vice na chapa dele”, relembra.

No primeiro mandato, além da vice-prefeitura, assumiu a Secretaria de Assistência Social, onde criou o projeto Empodera, voltado ao fortalecimento do empreendedorismo feminino.

“Percebi que muitas mulheres chegavam à Prefeitura vendendo pães, bolos no pote, mas sem formalização. Criamos o Empodera para capacitá-las, ajudá-las a legalizar seus negócios e organizamos uma feira mensal no pátio da Prefeitura”, explica.

Patrícia afirma que nunca sofreu situações constrangedoras por ser mulher na política, mas reconhece que a violência de gênero existe.

“Gosto de mostrar meu trabalho. Estar em um espaço de poder é demonstrar que outras mulheres também podem estar aqui”, enfatiza.

Sobre o futuro, evita especulações sobre uma possível candidatura.

“Meu foco é trabalhar ao lado do prefeito Rudão. Não descarto a hipótese de ser prefeita um dia, mas nunca passaria por cima de princípios para isso”, conclui.

De primeira-dama a vice-prefeita

Aos 74 anos, Ligia Bernadete Mesquita Duarte, conhecida como Dona Lígia (PL), assumiu a vice-prefeitura de Matinhos. Esposa do ex-prefeito Acindino Ricardo Duarte (Seda) e mãe do vereador Márcio do Seda (PSD), Dona Lígia tem uma trajetória política ligada à família, mas agora estreia em um cargo eletivo.

A reportagem procurou a Prefeitura de Matinhos para uma entrevista com Dona Lígia, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

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