“Estamos contratando um estudo para analisar a implantação de mais 150 km de rodovias no Litoral”, diz Ratinho Junior em entrevista exclusiva

Desde 2019, o Porto de Paranaguá tem alcançado diversos recordes significativos que refletem sua crescente eficiência e capacidade operacional.
Entre 20 e 21 de abril de 2024, o Porto movimentou mais de 146 mil toneladas de soja no Corredor de Exportação Leste, superando em 5% o recorde anterior de agosto de 2019, que foi de 138.988,98 toneladas.
Desde agosto de 2023, os portos de Paranaguá e Antonina registraram recordes consecutivos de produtividade mensal. Em março de 2024, foram movimentadas 5.968.934 toneladas, um aumento de 11% em relação ao mesmo período de 2023.
Em dezembro de 2024, o Porto de Paranaguá atingiu a marca histórica de 1,5 milhão de TEUs (unidade equivalente a contêineres de 20 pés) movimentados em menos de um ano, representando um aumento de 25% em relação ao recorde anual anterior de 2023, que foi de 1,25 milhão de TEUs.
Esses recordes destacam o Porto de Paranaguá como um dos principais hubs portuários da América do Sul, evidenciando sua capacidade de adaptação e crescimento contínuo no cenário logístico internacional.
E, na data comemorativa dos 90 anos da empresa pública, o governador Ratinho Junior (PSD) concedeu uma entrevista exclusiva ao JB Litoral, falando sobre o momento atual que o setor portuário paranaense vive e a expectativa de ainda mais expansão.

JB Litoral: Qual a importância da Portos do Paraná para o nosso Estado? Como o senhor avalia o crescimento anual do Porto de Paranaguá?
Ratinho Junior: O Porto de Paranaguá é fundamental para o Estado. E ele vive um grande momento, com a Portos do Paraná sendo reconhecida por cinco vezes consecutivas com a melhor gestão do Brasil. Alcançamos, em 2024, o recorde de 66 milhões de toneladas movimentadas, estamos com a maior obra portuária do país em andamento e conseguimos regularizar todas as áreas que ainda poderiam ser exploradas, atraindo investimentos que ultrapassam os R$ 3 bilhões. Queremos transformar o Paraná numa central logística da América Latina e o Porto de Paranaguá será fundamental dentro dessa estratégia.
JB Litoral: O Porto de Paranaguá é importante para a estratégia de transformar o estado no hub logístico da América Latina. O que o Governo Estadual tem feito para aumentar a capacidade e a eficiência desde o acesso ao porto às exportações e importações?
Ratinho Junior: Há alguns anos entregamos o viaduto Nelson Buffara, na entrada de Paranaguá, onde a BR-277 se divide entre as avenidas Ayrton Senna e Bento Rocha, o que ajudou muito o acesso ao porto. Também executamos diversas melhorias em ruas urbanas em Paranaguá e Antonina. Mas nosso planejamento é muito mais amplo. Incluímos na nova concessão a terceira pista da Serra do Mar, ou seja, a BR-277 terá seis faixas em todo o trecho. Essa parceria com a iniciativa privada também envolve a duplicação de todo o Contorno Norte de Curitiba e duas novas faixas em cada lado do Contorno Sul de Curitiba, deixando-o com quatro pistas de rolamento em cada lado. Também estamos fazendo com recursos próprios um novo Contorno Sul, facilitando o acesso com a BR-116. Vamos desatar os nós da Capital, a região mais populosa do Estado, para facilitar ainda mais o escoamento até Paranaguá.
JB Litoral: Como está a situação da Ferroeste e como o senhor vê o impacto dessa obra para os portos do Paraná?
Ratinho Junior: Estamos conduzindo os estudos para a privatização da Ferroeste, que deve ser acompanhada de uma solução do Governo Federal para a Malha Sul. Nosso objetivo é potencializar o ramal ferroviário nas mãos da iniciativa privada. Temos um projeto mais audacioso de conexão com o Mato Grosso do Sul e, se conseguirmos ajustar o uso do trecho entre Guarapuava e o Litoral, conseguimos organizar de maneira mais assertiva essa expansão.
JB Litoral: O Moegão é muito esperado. Como a gestão estadual entende essas mudanças que são tão aguardadas por toda a região litorânea?
Ratinho Junior: O Moegão é parte desse investimento ferroviário. A Portos do Paraná está investindo mais de R$ 600 milhões no sistema exclusivo de descarga ferroviária de grãos e farelos. O Moegão terá capacidade para receber simultaneamente 180 vagões carregados de granéis sólidos vegetais, contará com três linhas férreas independentes para o acesso das composições, e vai melhorar os conflitos urbanos entre carros e trens na cidade. É uma obra revolucionária, que está andando bem e que em breve estará em operação.
JB Litoral: Com a sua experiência de gestão, é possível ampliar ainda mais a movimentação dentro do Porto de Paranaguá, mesmo com os índices subindo ano após ano?
Ratinho Junior: Sim. O Porto de Paranaguá é um caso de sucesso porque consegue ser um dos maiores do país com apenas 5 mil metros de cais e píeres. Concluímos recentemente a derrocagem da Pedra da Palangana e estamos incluindo na concessão do canal de acesso um programa regular de dragagem, o que permitirá receber navios maiores. Com as obras, a ocupação das áreas, e grandes investimentos privados que estão acontecendo no Porto de Paranaguá, conseguimos continuar esse processo de expansão para atender o setor produtivo com qualidade.
JB Litoral: O porto está crescendo e há a expectativa de uma nova rodovia que ligue a capital à região. Isso está nos planos do Governo?
Ratinho Junior: Sim. E já está em andamento. Nós estamos contratando um Estudo de Viabilidade Técnica, Socioeconômica, Ambiental e Jurídica (EVTEA-J) para analisar a viabilidade de implantação de mais 150 km de rodovias no Litoral. Esse produto vai estudar todos os aspectos prévios à elaboração de um projeto executivo de engenharia com foco na viabilidade da empreitada. São três ideias: implantar 55 km entre a BR-277 (Marta) e a BR-116 (Alpino), implantar 62 km entre a BR-277 (Marta) e a BR-376, e um contorno ao norte da Baía de Guaratuba com 24 km de extensão.
JB Litoral: A Portos do Paraná comemora 90 anos. O que o Estado pode esperar dos próximos anos à frente dessa empresa pública?
Ratinho Junior: Nosso desejo é que a Portos do Paraná continue crescendo e ajudando o Estado a se desenvolver. Nossa gestão conseguiu regularizar todas as áreas, entregar obras, investir em melhorias, tornar esse espaço um exemplo global de sustentabilidade e relacionamento com as comunidades ribeirinhas e o meio ambiente, além disso, não tivemos um único episódio de filas, problemas e interrupções. O Porto tem gestão exemplar e pode continuar crescendo para atender o Paraná, que agora tem a quarta maior economia do Brasil.
