Após o verão, pessoas em situação de rua buscam a Prefeitura para deixar Pontal do Paraná
A temporada de verão não atrai apenas turistas para o Litoral. Muitas pessoas em situação de rua veem nas praias uma oportunidade de obter algum dinheiro, ainda que de forma informal.
“Eles vêm em grupos. Um acaba chamando o outro. Muitos chegam para cuidar de carros, por exemplo, devido ao aumento do fluxo de veículos. Mas também há aqueles que nos dizem que vieram apenas para tomar banho de mar”, explica Kátia Salomão, secretária da Família e Desenvolvimento Social de Pontal do Paraná.
Atenta a essa demanda, a Prefeitura mantém um programa de abordagem social para pessoas em situação de rua, com atendimentos regulares voltados ao suporte e ao encaminhamento para serviços socioassistenciais.
Em média, são realizados 20 atendimentos por ação e aproximadamente 30 recâmbios mensais, quando a Prefeitura fornece passagens para que essas pessoas possam retornar a cidades de interesse. “Muitos vão para Curitiba, alguns para Matinhos e Paranaguá, mas a maioria segue para a capital”, relata Kátia.
Com o fim da temporada de verão, a procura por passagens aumenta significativamente. “Entre março e abril, a demanda cresce bastante”, afirma a secretária.

PRECONCEITO E DESAFIOS
A secretária destaca que ainda há muito preconceito em relação às pessoas em situação de rua.

“Muitos carregam histórias de vida muito difíceis. A maioria sofreu alguma grande perda ou decepção amorosa. Isso os levou a situações de vulnerabilidade e, infelizmente, muitos acabaram se envolvendo com álcool e drogas”, explica Kátia.
Segundo ela, a dependência química é um dos principais desafios no trabalho de acolhimento dessa população.
“É um processo difícil. Às vezes, a pessoa participa do programa, mas acaba recaindo no vício. Depois de um tempo, volta melhor, tenta novamente, e pode cair outra vez. É um ciclo árduo, mas seguimos insistindo”, conta.
Mesmo diante das dificuldades, Kátia destaca os casos de sucesso. “Pelo menos seis pessoas que passaram pelo programa conseguiram emprego e hoje estão bem”, complementa.
COMO FUNCIONA O PROGRAMA
As abordagens acontecem às quartas, sextas e sábados, realizadas por duas equipes formadas por quatro profissionais. O projeto ocorre de maneira contínua durante o inverno e na temporada de verão.
“Na abordagem, a ideia é entender a história de cada um: de onde vieram, por que estão no município e se têm interesse em retomar o vínculo com a família ou voltar para a cidade de origem. Também avaliamos suas necessidades para encaminhá-los aos serviços adequados, pois, na maioria das vezes, eles não acessam esses serviços por conta própria”, explica a secretária.
Além de acesso à documentação civil, a pasta também oferece refeições, espaço para higiene pessoal e doação de roupas.
OPORTUNIDADE DE REINSERÇÃO SOCIAL
Para aqueles que desejam desenvolver uma nova atividade, o programa conta com o PRAIA (Programa de Abordagem e Inclusão Social), que encaminha os interessados para atividades laborais e oferece uma bolsa alimentação semanal.
“Quem participa do PRAIA deve fazer acompanhamento no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Se não comparecer, não pode permanecer no programa. Isso evita que o benefício seja utilizado para a compra de bebidas alcoólicas, por exemplo, o que não é nosso objetivo”, esclarece Kátia.
Apesar dos desafios, a secretária fala com entusiasmo sobre o trabalho realizado.
“Nosso papel é dar visibilidade a essas pessoas e garantir que recebam atendimento digno, assim como qualquer cidadão. Muitas vezes, quem vive nas ruas não é tratado da mesma maneira de quem não vive”, ressalta.

INVESTIMENTO ESTADUAL
O programa recebeu um reforço financeiro do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social e Família (SEDEF).
Em outubro de 2024, o secretário estadual Rogério Carboni esteve no município, acompanhado de outras autoridades, para oficializar o repasse de R$ 120 mil destinados ao fortalecimento das ações de abordagem social.
Com esse investimento, a Prefeitura poderá ampliar sua estrutura de atendimento e melhorar as condições de acolhimento da população em situação de rua.
Uma das principais ações será a contratação de novos educadores sociais para reforçar as equipes.
“Esse recurso tem sido essencial para a contratação de profissionais. Realizamos um credenciamento para educadores que atuarão diretamente na abordagem”, conclui Kátia.
