Antonina em Paris: cidade histórica do Paraná ganha destaque em exposição na França


Por Thais Skodowski Publicado 24/03/2025 às 20h53

Antonina chegou em Paris. A bela cidade do Litoral do Paraná, conhecida por seus casarões coloniais, natureza exuberante e a bala de banana, ganhou destaque na capital conhecida como a mais romântica da Europa.

Movidos a paixão pela preservação do patrimônio histórico, estudantes brasileiros e professores levaram à Escola Superior de Arquitetura de Paris-Belleville (ESA), a maior escola de arquitetura da França, pesquisas, projetos figurativos e maquetes do centro histórico de Antonina.

A professora Giceli Portela, o arquiteto francês Benjamin Mouton e a prefeita Rosane Osaki na abertura da exposição sobre Antonina em Paris. Foto: Divulgação/ Prefeitura de Antonina
A professora Giceli Portela, o arquiteto francês Benjamin Mouton e a prefeita Rosane Osaki na abertura da exposição sobre Antonina em Paris. Foto: Divulgação/ Prefeitura de Antonina

Até mesmo a prefeita do município, Rozane Osaki (PSD), viajou para acompanhar a abertura da exposição “Antonina: Patrimoine, Cultura et Nature”, ou em bom português, “Antonina: Patrimônio, Cultura e Natureza”. O evento teve início no dia 14 de março e segue até o dia 30 deste mês.

“Estar aqui representando Antonina em um evento desse porte é uma grande honra. Esse intercâmbio fortalece a valorização do nosso patrimônio e abre novas oportunidades para a cidade”, afirmou a prefeita, que levou a bala de banana para distribuir entre os presentes, inclusive o cônsul da França.

Rozane também aproveitou a ocasião para convidar o arquiteto Benjamin Mouton a elaborar o projeto de revitalização da Prefeitura de Antonina. O francês respondeu com um entusiasmado “Por que não?”, sinalizando que mais uma parceria entre Antonina e Paris pode estar a caminho.

Após a temporada na capital francesa, a exposição será levada a Antonina e Curitiba nos próximos meses.

PARCERIA BRASIL E FRANÇA

A ação faz parte do primeiro workshop conjunto entre Brasil e França, coordenado pelo arquiteto francês Benjamin Mouton, professor visitante da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Batizado de Ateliê Cruzado, o programa também conta com a participação da professora Giceli Portela, pesquisadora no Instituto Parisiense de Pesquisa: Arquitetura, Urbanismo e Sociedade (IPRAUS), e do professor Rodrigo Jabur, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

“Foi uma experiência excepcional. Saímos com muitas ideias e expectativas. Os estudantes compreenderam onde deveriam chegar, qual método utilizar e quais direções seguir em projetos de preservação de cidades históricas. O resultado é encorajador. Precisamos continuar com esta iniciativa para que os arquitetos entendam o desenvolvimento do patrimônio sob a ótica de que a história é a riqueza que nos conduz ao futuro”, declarou Benjamin Mouton na abertura da exposição.

Ao JB Litoral, a professora Giceli Portela contou detalhes do projeto, que tem como principal objetivo a preservação do patrimônio cultural de Antonina.

“Escolhemos fazer em Antonina, por causa das qualidades da cidade: patrimônio, onde encontramos um conjunto histórico importante para o Brasil, aliado às potencialidades naturais, ou seja, um excelente objeto de estudos para os alunos”, explicou Giceli Portela.

Durante o programa, 15 arquitetos brasileiros vinculados ao Curso de Especialização em Patrimônio e Restauro (PARC), da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), conversaram com três proprietários de casarões e produziram projetos que buscam solucionar os problemas ligados à conservação e restauro dos edifícios históricos.

“Os alunos desenharam, analisaram as edificações e depois produziram vários projetos para estes prédios, além de um grande projeto para um espaço público da cidade. A intenção é mostrar para a comunidade que é possível restaurar uma cidade dedicando-se a cada caso”, comentou Giceli.

As atividades ocorreram entre junho e novembro de 2023, no Armazém Macedo, patrimônio histórico situado na baía de Antonina. Em 2024, a Prefeitura cedeu o espaço à comunidade da UTFPR para atividades de ensino, pesquisa e extensão.

NAS MÃOS DO GOVERNADOR

Todo o trabalho desenvolvido pelo Ateliê Cruzado foi entregue à administração municipal. “É possível elevar este projeto para uma fase de projeto legal e até executá-lo na cidade. Porém, isso ainda dependerá de outros fatores, como as aprovações de órgãos legais, por exemplo, e de recursos para as obras”, conta.

Proposta desenvolvida pelos alunos da especialização para o Mercado Municipal de Antonina. Foto: Divulgação/ Divulgação/ UTFPR
Proposta desenvolvida pelos alunos da especialização para o Mercado Municipal de Antonina. Foto: Divulgação/ Divulgação/ UTFPR

O primeiro passo foi dado na última sexta-feira (21), quando a prefeita Rozane Osaki entregou ao governador Ratinho Junior (PSD), durante um evento em Pontal do Paraná, o projeto “Nova Antonina”, elaborado no workshop.

O projeto contempla a revitalização do Centro histórico, do Mercado Municipal e das áreas de lazer do município.

FUTURO DO PROJETO

Além da exposição, novos projetos já estão em andamento.

“Os alunos da graduação percorreram a cidade desenhando todas as casas. Esse é o projeto ‘Arquivo Antonina’, que em breve será divulgado para que moradores e turistas possam conhecer melhor as edificações históricas e suas histórias”, revelou Giceli Portela.

Área de intervenção proposta no documento Nova Antonina, que foi entregue ao governador Ratinho Jr. Foto: Divulgação/ Divulgação/ UTFPR
Área de intervenção proposta no documento Nova Antonina, que foi entregue ao governador Ratinho Jr. Foto: Divulgação/ Divulgação/ UTFPR

A segunda edição do Ateliê Cruzado também está confirmada.

“Poderemos eleger novas edificações ou espaços da cidade para contribuir com a preservação do patrimônio. Quem sabe Antonina se torne um modelo para o Paraná”, finalizou a professora.

Giceli também ressaltou a importância da aproximação entre as universidades públicas e os municípios.

“Aos poucos, estamos estreitando os laços com Antonina, levando conhecimento técnico e auxiliando o poder público. Esse é o papel de uma universidade pública como a nossa”, enfatizou.

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