Editorial: Anunciar como novidade algo que já deveria estar com etapas concluídas é sintoma de quê?


Por Redação Publicado 23/04/2025 às 10h09

Editorial da edição do jornal impresso (nº 866).

Que o Porto de Paranaguá está em franca expansão fica evidente nos números recordes de movimentação registrados ano após ano.

Porém, por melhor que seja o momento, ele precisa ser tratado com transparência pela administração. O respeito à sociedade deve ser tão verdadeiro quanto os números. Ou seja: se algo é anunciado e não se concretiza como prometido, no prazo e na forma divulgados, a correção ou explicação deve ter a mesma visibilidade do anúncio inicial. Exemplo clássico disso foi a declaração feita pelo governador Ratinho Junior (PSD), durante importante evento do setor portuário em Miami, nos Estados Unidos, em que o chefe do Executivo Estadual divulgou um novo terminal específico para embarque e desembarque de passageiros de cruzeiros, em Paranaguá. Porém, esse terminal já havia sido anunciado em agosto de 2024 e a proposta já deveria ter sido entregue à Portos do Paraná há mais de um mês.

Se a administração dos nossos portos tivesse informado ao governador do Estado esse “pequeno detalhe”, provavelmente Ratinho Junior não teria passado por essa saia justa de anunciar como se fosse novidade um projeto que já deveria estar em etapas avançadas.

Nesse caso, o contrato inclui o desenvolvimento dos projetos arquitetônico, estrutural, elétrico, hidrossanitário, de comunicação e prevenção contra incêndios, além do orçamento e do cronograma físico-financeiro para uma futura obra do terminal de recepção de passageiros de cruzeiros. O valor total do estudo é de R$ 385.699,56. Sem isso, o terminal não chegará a sair do papel.

Outra obra apresentada com pompa, mas sabe-se lá quando ficará pronta, é o espaço de coworking no Porto de Paranaguá. Anunciada há seis meses, em 14 de outubro do ano passado, como investimento de R$ 1,5 milhão da Portos do Paraná em conjunto com a Secretaria de Estado da Inovação, Modernização e Transformação (SEI), o espaço serviria para promover capacitações e o desenvolvimento de habilidades em áreas como robótica, eletrônica e programação, beneficiando jovens e trabalhadores de Paranaguá e do Litoral.

Eis que um leitor veio nos perguntar como deveria proceder para conseguir utilizar o espaço e nós descobrimos que, mesmo passados mais de seis meses, nada foi feito para que o coworking do porto seja uma realidade. Isso porque o investimento já seria parte de um termo de cooperação assinado em maio de 2024 entre a SEI e a Portos do Paraná.

E assim seguimos: com muitos anúncios sendo feitos, mas caindo no esquecimento dos que têm memória curta — e sem a transparência necessária para explicar os prazos descumpridos e manter a verdade, como deveria ser.

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *