“Meu marido teve dignidade nos últimos instantes”, diz esposa de motociclista morto em acidente na BR-277
Um acidente de trânsito ocorrido na noite de quarta-feira (16), nas proximidades do km 5 da BR-277, em Paranaguá, resultou na morte de Luciano Henrique da Silva, de 49 anos. Ele pilotava uma motocicleta Shineray XY 150 quando colidiu com um caminhão que seguia na mesma direção, rumo a Curitiba. Até o momento, o veículo de carga envolvido na colisão ainda não foi localizado pelas autoridades.
Luciano saiu de casa por volta das 22h45, como fazia todos os dias, a caminho do trabalho. Pouco tempo depois, familiares começaram a estranhar sua ausência e a falta de contato. A esposa, Maristela Rosa dos Santos, contou que tentou ligar diversas vezes, mas as mensagens não eram entregues. Em seguida, seu filho entrou em contato com o SAMU, que confirmou estar a caminho de uma ocorrência com envolvimento de motociclista. “Na hora, eu já sabia que era ele porque já não chegava à mensagem mais.”, desabafou.
O impacto da colisão foi tão forte que Luciano não resistiu aos ferimentos, apesar das tentativas de reanimação feitas pelos socorristas da concessionária EPR Litoral Pioneiro. Segundo Maristela, os profissionais tentaram salvar seu marido por cerca de uma hora, mesmo diante de um quadro praticamente irreversível.
“Quando eu cheguei no local, infelizmente ele já havia falecido. A EPR tentou de tudo. Eu vi os vídeos que circularam, vi gente criticando o atendimento, mas posso dizer com toda certeza: eles fizeram de tudo”, disse Maristela, emocionada.
“Lutaram pela vida do meu marido até o fim. Mesmo sem chance nenhuma. Ele estava com o corpo todo quebrado, os órgãos internos comprometidos. Mas eles tentaram. Fizeram com respeito, com humanidade, e isso eu nunca vou esquecer”.
Maristela também fez questão de destacar a atuação dos policiais que atenderam a ocorrência. “A polícia foi maravilhosa. Respeitou o corpo do meu marido, cuidou da gente, dos meus filhos. Meu filho de 14 anos viu o pai debaixo daquele plástico preto… e, ainda assim, fomos acolhidos.”
Indignada com a conduta do motorista do caminhão, que não permaneceu no local do acidente, ela também fez um apelo por mudanças. “Eu e meu marido trabalhávamos com motoristas. A gente via com os próprios olhos motoristas tomando pinga às cinco da manhã. Passavam a madrugada bebendo e depois pegavam a estrada. Isso tem que mudar. Tem que haver fiscalização. Quantas vidas ainda precisam ser perdidas?”, questionou.
A Polícia Militar, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Científica estiveram no local e seguem investigando as circunstâncias da colisão. Imagens de câmeras de segurança da região estão sendo analisadas para tentar identificar o caminhão envolvido no acidente. O corpo de Luciano foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Paranaguá para exames complementares.
