Sergio Moro é convocado para participar de nova proposta de anistia aos condenados do 8 de janeiro de 2023


JB No Radar

O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.


Por Brayan Valêncio Publicado 06/05/2025 às 10h00

O senador Sergio Moro (União Brasil), que representa o Paraná na casa alta do Congresso Nacional e ganhou notoriedade como juiz da Lava Jato, está participando de uma articulação pesada nos bastidores de Brasília para tentar encontrar uma saída política e jurídica para a crise em torno dos julgamentos dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, aquele episódio em que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes.

Em junho de 2022, Moro esteve em Paranaguá divulgando sua campanha ao Senado. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Fontes próximas ao senador relataram à coluna que Moro integra um núcleo de senadores formado por ele, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Alessandro Vieira (MDB-SE). Os três estão ajudando a escrever uma proposta alternativa ao projeto de anistia que tramita na Câmara e que enfrenta grande resistência.

A nova proposta está sendo articulada diretamente pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que deve apresentar o texto oficialmente nas próximas semanas. Alcolumbre tem conduzido conversas com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), lideranças da Câmara dos Deputados e até membros do Palácio do Planalto, em uma tentativa de “virar a página” da crise e permitir que o Congresso volte a focar em pautas prioritárias, como as mudanças no Imposto de Renda e a PEC da Segurança Pública.

Mas a proposta não é simples e promete gerar polêmica: a ideia é manter punições severas para os líderes do movimento, entre eles, o próprio ex-presidente Bolsonaro e alguns militares de alta patente, enquanto prevê punições mais brandas para os chamados “executores”, que são as pessoas que estiveram na linha de frente, invadindo os prédios, mas sem posição de comando.

Essas penas mais leves podem incluir, por exemplo, conversão da prisão em regime fechado para prisão domiciliar, principalmente nos casos em que as condenações foram consideradas desproporcionais ou onde não houve violência direta.

Nos bastidores, aliados de Moro dizem que ele está encarando o desafio como uma missão técnica e constitucional, tentando garantir segurança jurídica e distinguir quem teve papel decisivo na tentativa de ruptura democrática daqueles que apenas “seguiram a manada”.

Linha tênue entre críticas e elogios

Apesar disso, a movimentação de Moro tem causado desconforto entre os bolsonaristas mais fiéis, que defendem a anistia total e enxergam qualquer outra proposta como uma forma de “trair” os aliados de Bolsonaro. Por outro lado, Moro também tem se aproximado de figuras do centro e até de partidos que hoje dialogam com o governo, o que aumenta sua visibilidade e pode fortalecer sua imagem como político moderado — especialmente para 2026, quando deve disputar o governo do Paraná.

A tendência é que Davi Alcolumbre assuma o protagonismo da proposta, mas com forte colaboração de Moro nos bastidores. Há quem diga que ele pode acabar sendo o principal nome associado à nova regra, se o projeto vingar. Isso pode desgastar sua imagem com parte do eleitorado mais radical, mas também pode colocá-lo como um nome de equilíbrio num momento de polarização extrema entre os poderes da República.

Oficialmente, Moro não quis comentar a articulação. Mas fontes próximas afirmam que ele está comprometido em contribuir com um texto que responsabilize os verdadeiros organizadores do ataque sem criminalizar de forma generalizada todos os envolvidos.

Enquanto isso, os olhos seguem voltados para Brasília, onde as negociações seguem em ritmo intenso e silencioso. No Litoral do Paraná, a movimentação chama atenção principalmente entre quem votou em Moro esperando uma postura mais dura com os atos antidemocráticos — ou, ao contrário, entre aqueles que acreditam que parte das condenações foram exageradas. A proposta final pode mexer não só com o futuro dos condenados, mas também com o rumo político de Moro e com o tom do debate público nos próximos meses.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.