Ratinho ganha aliado e um concorrente com ida de Eduardo Leite ao PSD
JB No Radar
O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.
O governador do Paraná, Ratinho Junior, não está mais sozinho na corrida silenciosa pela Presidência da República dentro do PSD. Com a filiação de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, o partido agora abriga dois nomes fortes com potencial para disputar o Planalto em 2026. E isso muda o jogo.

Ratinho vinha sendo tratado nos bastidores como o “plano A” do PSD para a próxima eleição presidencial, principalmente em um cenário em que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) dispute a reeleição no maior Estado do país.
Jovem, bem avaliado no Paraná e com trânsito fácil entre diferentes correntes políticas, o paranaense era até aqui o nome mais evidente para ocupar esse espaço de centro que o partido quer representar. Só que agora esse protagonismo passa a ser dividido com um novo ator: Eduardo Leite – político com ambições nacionais e que já destacou o interesse de disputar o Palácio do Planalto no ano que vem.
Com uma carreira política construída no PSDB, Leite sempre foi visto como uma das principais promessas da política nacional. Governador do Rio Grande do Sul pela 2ª vez, ele decidiu nesta sexta-feira (9) deixar o tucanato e se filiar ao PSD. A mudança de sigla acontece no momento em que o PSDB enfrenta um esvaziamento histórico, com a saída de nomes importantes como Raquel Lyra (PE) e Rodrigo Garcia (SP), e negocia uma fusão com o Podemos para tentar sobreviver.
Ratinho, que é presidente estadual do PSD no Paraná, fez questão de publicar uma mensagem calorosa de boas-vindas ao novo colega de partido. Chamou Eduardo Leite de “homem com capacidade peculiar de gestão” e “líder no processo de reconstrução do Rio Grande do Sul”. Um gesto elegante — e também estratégico. Afinal, o novo filiado entra no PSD com capital político, experiência de gestão, boa imagem no Sudeste e Sul, e discurso afinado com a chamada “terceira via”.
Mas por trás da gentileza, é impossível ignorar o fato de que Leite chega para disputar espaço. Com a filiação, o governador gaúcho deixa claro que continua mirando a presidência — sonho que ele alimenta desde 2021, quando disputou (e perdeu) as prévias tucanas contra João Doria. Agora, em outro partido, quer recomeçar com mais musculatura política e menos disputas internas.
Para Ratinho, o cenário muda. Ele ainda é forte no jogo nacional, especialmente por seu desempenho administrativo no Paraná e sua proximidade com empresários e setores do agronegócio. Mas terá que dividir o palanque partidário e, eventualmente, negociar espaço com um nome tão competitivo quanto ele. O PSD, que até aqui caminhava com um único nome para 2026, agora tem dois — e o tempo vai dizer quem cresce mais.
Enquanto isso, do outro lado do tabuleiro, o PSDB assiste a mais uma baixa dolorosa. A saída de Eduardo Leite é um símbolo do enfraquecimento tucano, que já foi protagonista nacional e hoje tenta se reerguer. Em nota, o partido disse lamentar a desfiliação “justo no momento em que o PSDB está se reconstruindo”. A legenda ainda aposta numa fusão com o Podemos para tentar ganhar fôlego — mas é inegável que, para muitos, o trem já passou.
Para o eleitor do Litoral, acostumado a ver Ratinho Junior como uma figura distante mas bem avaliada no governo estadual, essa movimentação pode parecer apenas uma disputa entre políticos de fora. Mas ela diz muito sobre os rumos do Brasil. O centro político, tão enfraquecido nas últimas eleições, começa a se reorganizar — e agora tem pelo menos dois nomes competitivos dentro da mesma casa.
A pergunta que fica é: no PSD, quem vai ganhar esse braço de ferro? Ratinho ou Leite? O tempo — e as urnas — vão responder porque tudo pode acontecer até as eleições de 2026, inclusive nada.
