Nove parlamentares do Paraná não assinaram o pedido de CPMI do INSS; veja quem ficou de fora
JB No Radar
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Enquanto a oposição ao governo Lula (PT) correu para reunir assinaturas e instalar a CPMI do INSS — uma comissão que promete investigar fraudes em benefícios previdenciários e irregularidades na cobrança de mensalidades sindicais —, alguns parlamentares do Paraná preferiram não se envolver. Seja por convicção, conveniência ou pura cautela, nove representantes do estado ficaram de fora do pedido, mesmo diante das evidências levantadas pela Polícia Federal e pela CGU.

Vale lembrar que a investigação aponta irregularidades desde 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), ao mesmo tempo que identifica omissão do Ministério da Previdência do governo de Lula. Ou seja, o desvio do dinheiro dos aposentados não se importou com ideologia política e nem briga na polarização nacional: aconteceu independente de quem mandava no país, não se importando se o governo era de direita ou de esquerda.
Sobre a CPMI, o silêncio foi majoritariamente da base governista na Câmara. Entre os que não assinaram estão Aliel Machado (PV), Carol Dartora (PT), Lenir de Assis (PT), Tadeu Veneri (PT), Elton Welter (PT) e Zeca Dirceu (PT) — este último, inclusive, ex-líder do governo na casa baixa. Também ficaram de fora Paulo Litro (PSD) e Toninho Wandscheer (Progressistas), nomes mais conhecidos por atuarem em campos de articulação e composição.
No Senado, o tucano Oriovisto Guimarães (PSDB) também optou por não assinar. Curioso, aliás, ver um senador tão vocal nas críticas aos gastos públicos manter certa discrição diante de uma investigação que pretende justamente apurar o desvio de dinheiro dos aposentados.
Já os deputados Luísa Canziani (PSD) e Luiz Nishimori (PSD) alegaram terem assinado o pedido após o protocolo inicial, fato comprovado por suas assessorias que enviaram os protocolos das assinaturas à coluna JB no Radar.
Todos os citados foram procurados. A assessoria do senador Oriovisto Guimarães informou que ele estava em trânsito e não poderia responder. Já os deputados Zeca Dirceu e Elton Welter estão em viagem internacional e também não poderiam falar sobre a visão deles em relação à CPMI do INSS. Os demais deputados não retornaram nosso contato.
Crimes ocorreram nas gestões de Bolsonaro e Lula
Apesar de contar com ausências importantes, o pedido da CPMI foi protocolado na segunda-feira (12) no Congresso Nacional com 259 assinaturas, número mais que suficiente para garantir sua instalação. A proposta é investigar um esquema que teria favorecido entidades sindicais por meio de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.
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A operação que impulsionou a coleta de assinaturas foi deflagrada em abril pela Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União, revelando suspeitas de conluio entre entidades, servidores públicos e brechas no sistema da Previdência entre 2020 e 2023. Um escândalo que, ao que tudo indica, ainda está longe de ser completamente desvendado.
Na outra ponta, 24 parlamentares paranaenses assinaram o pedido — e de partidos variados. A articulação foi liderada por PL, União Brasil, Progressistas e Republicanos, mas contou também com assinaturas de nomes do PSDB, PSD, PSB, Podemos e MDB. Em ordem alfabética, os deputados que assinaram são:
- Beto Richa (PSDB)
- Delegado Matheus Laiola (União Brasil)
- Diego Garcia (Republicanos)
- Dilceu Sperafico (Progressistas)
- Felipe Francischini (União Brasil)
- Fernando Giacobo (PL)
- Filipe Barros (PL)
- Geraldo Mendes (União Brasil)
- Luciano Alves (PSD)
- Luciano Ducci (PSB)
- Luisa Canziani (PSD)
- Luiz Carlos Hauly (Podemos)
- Luiz Nishimori (PSD)
- Nelson Padovani (União Brasil)
- Pedro Lupion (Progressistas)
- Reinhold Stephanes (PSD)
- Ricardo Barros (Progressistas)
- Rodrigo Estacho (PSD)
- Sargento Fahur (PSD)
- Sergio Souza (MDB)
- Tião Medeiros (Progressistas)
- Vermelho (Progressistas)
Os senadores Flávio Arns (PSB) e Sergio Moro (União Brasil) também assinaram a representação.
Destaques e omissões
Entre os destaques estão Flávio Arns e Luciano Ducci, que, apesar de serem parlamentares governistas, inclusive sendo do partido do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) entenderam ser necessário investigar a fundo o esquema de corrupção, independentemente de bandeira partidária ou governista.
O PSD do governador Ratinho Junior se dividiu no começo, apresentando nomes que estiveram favoráveis à CPMI desde o início, outros dois que só assinaram depois que o requerimento já estava protocolado, além de Paulo Litro que não assinou e se quer respondeu os motivos de ter optado por ficar de fora.
Toninho Wandscheer é de um partido que está na base do governo e é o atual líder da bancada paranaense, sua não assinatura é a demonstração de que está com um pé em cada canoa, mas principalmente, que não representa a visão da maioria da bancada, apesar do cargo de liderança que ocupa.
Já o União Brasil, que também ocupa ministério no Governo Federal, optou por defender em peso a investigação. Uma demonstração de que a base do presidente Lula é mais frágil do que ele mesmo imaginava.
No geral, os paranaenses são, em imensa maioria, oposição ao governo. Com o apoio inclusive de governistas, dá pra se dizer que os parlamentares do Paraná estão, neste momento, favoráveis a investigações mais profundas para entender de fato o que ocorreu com o INSS de 2019 para cá.
CPMI em passo de espera
Agora, a bola está com o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que ainda não leu o requerimento formal em plenário. Alcolumbre estava em viagem à China com o presidente Lula — e nos próximos dias poderá convocar uma sessão conjunta da Câmara e do Senado para iniciar oficialmente os trabalhos.
A CPMI, se instalada, terá um papel importante: não apenas apontar responsabilidades, mas também propor mudanças estruturais no sistema do INSS. Entre as sugestões que já circulam nos bastidores, estão a criação de uma base única de autorização para descontos e o endurecimento das regras para repasses a sindicatos.
Resta saber se quem se esquivou do debate agora estará disposto a participar da discussão mais adiante e se quem bradou pela instauração do colegiado terá postura suficiente para defender os beneficiários do INSS, independente se os desvios se deram majoritariamente no governo de Lula ou Bolsonaro.
