Usina de Reciclagem da Ilha dos Valadares gera mais de 40 toneladas de material limpo

A Usina de Reciclagem, localizada no Bairro Sete de Setembro, na Ilha dos Valadares, não poderia ter uma denominação mais apropriada do que esta: Nova Esperança. Ela é a única fonte de renda para 15 associados e beneficia aproximadamente 60 pessoas. Foi fundada em 2008 pelo Provopar estadual com o intuito de dar uma destinação correta ao lixo doméstico e melhorar a qualidade de vida das famílias carentes da localidade, tornando assim a ilha mais atraente. Por mês, a associação produz mais de 40 toneladas de reciclados os quais são vendidos para indústrias de Curitiba e outros estados, gerando uma remuneração suficiente para a sobrevivência das pessoas cadastradas.
De acordo com Nelson Zuzi, assessor técnico da entidade, a associação já teve 34 pessoas cadastradas, mas devido à falta de uma melhor estrutura, hoje são apenas 15, sendo 13 dentro da usina e dois “carrinheiros”, além de quatro caminhões que faziam o transporte dos materiais. Atualmente são apenas dois.
Catadores fazem a reciclagem do que será comercializadoA Ilha dos Valadares não possui um programa de coleta seletiva de grande expressão, justamente por questão de não existir uma melhor estrutura em relação à destinação do lixo. “A maior parte dos materiais recicláveis vem da área urbana de Paranaguá. Ou seja, o lixo faz um “passeio” até a ilha e volta para a sua destinação final, depois de ser separado e classificado pela associação, enquanto que, só aqui, existe uma quantidade alta de material muito bom, isto é, limpo, aquele já tem uma classificação certa para a indústria”, conta Nelson.
Colabora trabalhando na prensaParceria com o TCP
A grande maioria da população desconhece o trabalho da associação, que não se limita a separar o lixo, mas que faz mais do que isto, tem uma preocupação com o bem-estar dos moradores, não só da Ilha dos Valadares, mas de outras comunidades, como a parceria com a TCP, fazendo a troca de material reciclável por alimento.
A entidade também faz o trabalho de conscientização junto aos moradores, promovendo palestras e outras atividades voltadas para a melhoria da qualidade de vida, inclusive a Semana do Meio Ambiente.
“Fizemos um projeto piloto para o recolhimento dos materiais reciclados, mas não teve continuidade por falta de apoio da municipalidade”, relata Nelson Zuzi. Ele disse que tem cobrado das autoridades responsáveis, mas não tem encontrado o respaldo necessário, embora haja boa vontade por parte do órgão específico.
Barracão da Associação no bairro do Sete de SetembroA associação depende do município na questão dos caminhões coletores, pois quando há problema com um deles, o pessoal fica sem trabalho e, automaticamente, sem renda, gerando um problema social maior, já que os associados não têm outra forma de sobreviver.
“Aqui é diferente dos empregados em empresas ou no Poder Público, onde o salário é garantido. No caso da associação, se não tiver trabalho, não há salário”, conta a Presidente Silvia Zuzi.
Houve um tempo em que a associação chegou a pagar a travessia da balsa para poder transportar o material vendido, senão ficaria sem poder gerar renda para os seus associados. Hoje a empresa que presta o serviço de coleta é parceira da entidade e tudo está funcionando, mas a preocupação dos diretores da Nova Esperança é que a situação melhore e que ela possa atender um número maior de pessoas beneficiadas. Para tanto, de acordo com a entidade, são necessários vários ajustes por parte da prefeitura, tanto na questão burocrática quanto na infraestrutura da usina (barracão).
MPPR multou a prefeitura
Nelson conta que a associação vem lutando há muito tempo para que a prefeitura dê mais apoio à entidade, uma vez que ela presta um serviço público e não está sendo remunerada por isto. De acordo com o assessor existe uma lei que prevê isto.
“O Ministério Público já foi acionado e chegou a multar a prefeitura e fez um Termo de Ajuste e Conduta, mas não houve avanço”, relata Nelson Zuzi. Segundo ele, Paranaguá ainda não desenvolveu um planejamento a longo prazo para a questão da coleta seletiva do lixo, enquanto que outras cidades de pequeno porte do Estado já estão bem avançadas neste setor.
“A prefeitura contratou uma empresa para fazer a coleta de todos os resíduos, mas na verdade quem separa e classifica o lixo são as associações (Ilha dos Valadares e Imbocuí, Santa Maria), e por isto deveriam ser reconhecidas, recebendo uma verba para a manutenção das próprias entidades e remunerar os trabalhadores”, relata o assessor.
Ele espera que o Poder Público invista mais nestas entidades, uma vez que elas desenvolvem um trabalho de forma efetiva com a limpeza da cidade, contribuindo para a satisfação de todos e evitando a proliferação de insetos nocivos à saúde da população.
