Novas balanças de pesagem de caminhões na BR-277 devem ser instaladas até fevereiro de 2026, diz concessionária
Sem as balanças em funcionamento, número de autuações feitas pela PRF chegou a aumentar em mais de 150%
Na edição da semana passada, o JB Litoral trouxe uma reportagem detalhando os riscos provocados pela imprudência de trafegar com excesso de carga que sequer podem ser detectados, uma vez que as balanças de pesagem de caminhões que trafegam pela BR-277, no trecho entre Curitiba e o Litoral, estão abandonadas.
Os dispositivos instalados nos quilômetros 29,900, em Morretes, na pista sentido capital, e no 62,300, de quem segue em direção a Paranaguá, em São José dos Pinhais, cidade da Região Metropolitana de Curitiba, estão desativados desde que o contrato com a antiga empresa que administrava a rodovia (Ecovia) foi rescindido pelo Governo do Estado, em novembro de 2021. Nesses três anos e meio, as centenas de milhares de veículos de carga trafegaram pela BR-277 sem ter os seus limites de carga atestados por balanças.

PRAZOS E RESPONSABILIDADES
A responsabilidade pela reativação das balanças é da EPR Litoral Pioneiro, empresa que ganhou o leilão e administra a rodovia desde fevereiro de 2024. Segundo a concessionária nada mudará pelos próximos meses. Procurada pelo JB Litoral, a EPR informou que as novas estruturas previstas para serem implantadas ao longo da concessão em todo o trecho concedido têm prazo previsto de entrega para o 24° mês de concessão, ou seja, fevereiro de 2026.
“Serão estruturas modernas para que a pesagem dos caminhões aconteça com os veículos em movimento, garantindo a fluidez, na modalidade HS-WIM”, disse, por meio de nota.
A concessionária também afirmou que está comprometida com trabalhos, dispositivos e alternativas inteligentes que possam contribuir para a redução de acidentes envolvendo caminhões em todo o seu trecho.
“Para isso, foram realizados diversos serviços específicos nas rodovias, como a recuperação do pavimento, sinalização vertical e horizontal, manutenção, entre outros, que agregaram significativamente à segurança viária. Entre as prioridades nos primeiros meses de operação esteve a revitalização da área de escape no km 36 da pista sentido Litoral, dispositivo que já segurou quase duas dezenas de veículos que perderam o freio na descida da serra, protegendo assim quase uma centena de vidas”, destacou.
A EPR Litoral Pioneiro ainda ressaltou a importância de conscientizar os condutores de caminhões para que a prática não aconteça.
“Há que se frisar que tanto o excesso de peso como a falta de manutenção dos caminhões dependem de uma decisão por parte do motorista, por isso a conscientização desse público é o fator preponderante para a redução de acidentes dessa natureza”, concluiu a nota.
Os locais onde as novas balanças serão instaladas ainda não estão definidos, mas devem ficar próximos de onde funcionavam as anteriores.

O QUE DIZEM OS ÓRGÃOS FISCALIZADORES
Também procurada pela reportagem, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) explicou que, atualmente, realiza a fiscalização de excesso de peso por meio da verificação da nota fiscal dos produtos transportados, “haja vista não operar balanças no país, que fica a cargo das concessionárias em trechos concessionados e da ANTT/DNIT em trechos sem concessão”, informou.
Dentro do que a corporação pode fazer, que é verificar eventuais excessos de peso pela documentação apresentada pelos condutores, o JB Litoral questionou quantas foram as autuações em decorrência desse tipo de infração, desde 2021 (ano em que houve a desativação das balanças, no mês de novembro), até este mês de maio de 2025.
Os dados de autuação, na BR-277, no trecho que compreende Curitiba a Paranaguá, realizadas, com base no Artigo 231, V do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), são:
| Ano | Nº de autuações |
| 2021 | 35 |
| 2022 | 88 |
| 2023 | 66 |
| 2024 | 68 |
| 2025 | 43 (até 29 de maio) |
Os números demonstram como houve um salto nos flagrantes de excesso de carga logo no primeiro ano após as balanças pararem de funcionar, um crescimento de 151,4%, em 2022. Apesar de terem diminuído nos anos seguintes, ainda estão bem acima do registrado em 2021. Em 2023, os flagrantes foram 88,6% maiores em relação a quando tinha balanças funcionando; e no ano passado o crescimento foi de 94,3%. Para 2025, o número parcial já revela uma tendência de crescimento, pois ainda nem terminou o primeiro semestre e a quantidade de autuações já representam 62,3% de todas que foram registradas no ano passado.
A fiscalização verifica os excessos de peso PBT e PBTC. PBT significa Peso Bruto Total, enquanto PBTC significa Peso Bruto Total Combinado. O PBT é o peso máximo de um veículo, incluindo a carga, e o PBTC é o peso máximo de uma combinação de veículos, como um caminhão-trator com um semirreboque.
ANTT FISCALIZOU POSTOS DE PESAGEM
Já a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que, segundo o Programa de Exploração de Rodovia (PER) da concessão, estavam previstas a restauração e operação dos seis postos existentes, sendo duas localizadas na BR-277 nos km 29,900 e 62,300.
“Entretanto, em vistoria realizada pela equipe de fiscalização da ANTT, foi constatado que os referidos postos não dispõem dos equipamentos necessários para a reativação, além de demandarem intervenções de grande vulto, a fim de atender aos parâmetros técnicos estabelecidos e as normas técnicas do DNIT”, revelou a Agência.
A ANTT esclareceu que, diante da falta de equipamentos, foi necessário haver um aditivo no contrato de concessão.
“Diante desse cenário e com base em decisão fundamentada pela área técnica da Agência, está em fase final de celebração um Termo Aditivo contratual que altera o cronograma de implantação dos Postos de Pesagem Veicular (PPVs), estabelecendo o prazo de 24 (vinte e quatro) meses para sua efetivação. A medida está prevista no cronograma do contrato, que prevê a construção de novos postos de pesagem na fase de recuperação, a ser iniciada após o segundo ano da concessão”, detalhou ao JB Litoral.
Ainda segundo a ANTT, assim como frisou a EPR, a implantação dos postos já ocorrerá com a tecnologia High Speed Weigh In Motion (HS-WIM), modelo de pesagem de veículos comerciais na velocidade da via, que ocorre por meio de sensores instalados no pavimento e câmeras posicionadas em pórticos, sem precisar diminuir a velocidade, diretamente na pista de rolamento. “A pesagem em movimento está em operação em ambiente de experiência regulatória, na concessão da Ecovias do Cerrado”, concluiu a ANTT.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) também foi procurado, mas não respondeu aos questionamentos até a publicação desta reportagem.
