Prefeitura de Matinhos é multada em R$ 69,2 mil por corte ilegal de restinga em área tombada


Por Maisy Pires Publicado 09/06/2025 às 15h59

Após denúncia do Centro de Estudos, Defesa e Educação Ambiental (Cedea) sobre a destruição de restinga em uma área à beira-mar de Matinhos, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou a Prefeitura em R$ 69,2 mil. A penalidade foi aplicada pelo corte irregular de vegetação nativa em terreno da União, que também foi embargado pelo órgão ambiental federal. A Administração Municipal deverá promover a recuperação da área degradada.

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Imagens do Google mostram área antes do desmatamento. Foto: Google/Reprodução
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A vegetação nativa localizada em área da União ficava no trecho entre a Avenida Brasil e a Avenida Curitiba.

O desmatamento ocorreu nos dias 29 e 30 de maio, na Avenida Paraná (PR-412), entre as avenidas Brasil e Curitiba. Conforme imagens e documentos anexados à denúncia, tratores e caminhões foram utilizados para remover cerca de 13,3 mil metros quadrados de restinga, com o objetivo de abrir espaço para um pátio de estacionamento.

A denúncia a que o JB Litoral teve acesso foi enviada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – Secretaria do Patrimônio da União, na segunda-feira (2) passada. O documento assinado por Laura de Jesus de Moura e Costa, coordenadora geral do Cedea, entidade sem fins lucrativos integrante do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Cema), traz fotos de como ficou a área onde antes havia restinga e do maquinário utilizado para a supressão da vegetação sem autorização, segundo o documento.

ÁREA TOMBADA

A Orla Marítima de Matinhos foi tombada como patrimônio cultural do Estado em 15 de fevereiro de 1970, sendo uma das primeiras áreas naturais a receber esse reconhecimento.

Esse tombamento visa preservar sua paisagem única, caracterizada pela interação entre as dunas, a vegetação nativa e os contrafortes da Serra do Mar, especialmente na região da enseada de Matinhos, entre a sede do Município e a Ponta de Caiobá”, explica a denúncia.

O tombamento abrange uma faixa costeira que inclui a faixa de praia, dunas, costões rochosos, vegetação nativa e outros elementos naturais e culturais significativos. Qualquer intervenção na área tombada requer aprovação prévia da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná (SEEC), conforme as normas estabelecidas para garantir a preservação da paisagem original.

Ainda de acordo com o documento, existe uma vasta legislação acerca do tema e outros órgãos precisam analisar qualquer intervenção na área.

Precisa de análise do COLIT [Conselho de Desenvolvimento Territorial do Litoral Paranaense], como também do CT-GERCO [Câmara Técnica de Gerenciamento Costeiro]”, ressalta o pedido do Cedea.

PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS

A entidade também ilustra a denúncia com imagens do antes e depois da ação da Administração Municipal.

Nestes termos, encontra-se o local alterado quanto ao seu estado de tombamento. Requer providência quanto análise ao pleito em questão. E ao final desta análise requer que seja remetido aos órgãos de controle como MPE, COLIT e ao CT-GERCO para ciência da situação em questão”, finaliza o documento.

POLÊMICAS COM RESTINGA

Recentemente, a área tombada passou por um processo de revitalização que alcançou 98,4% de conclusão em fevereiro de 2025. As obras incluíram o engordamento da faixa de areia, instalação de sistemas de drenagem e intervenção urbanística.

Conforme acompanhou o JB Litoral, o trecho entre os balneários Praia Grande e Flórida ficaram cerca de um ano com as obras de requalificação da orla paradas justamente devido a entraves judiciais envolvendo a vegetação nativa.

Há cerca de um mês, aconteceu outra polêmica envolvendo a área de restinga em Matinhos: em 6 de maio o Ministério Público Federal (MPF) recomendou à Prefeitura e ao Instituto Água e Terra (IAT) que promovam a recuperação da área degradada onde aconteceram os shows do Verão Maior Paraná da última temporada.

Segundo o MPF, parte das estruturas do evento foi instalada sobre áreas de restinga, causando degradação em um território classificado como Área de Preservação Permanente.


Sobre

Jornalista formada pela Universidade Tuiuti do Paraná, com pós-graduação em Comunicação e Oratória, atua há mais de 10 anos na área, com experiência em portais, televisão, rádio e assessoria de imprensa. Atualmente, é editora-chefe do JB Litoral, onde lidera a produção de conteúdo com foco em informação de qualidade e responsabilidade.

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