Aprovação unânime da isenção do Imposto de Renda mostra que políticos ainda temem reação popular
JB No Radar
O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.
A aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil revelou um raro consenso em Brasília. No plenário da Câmara, foram 493 votos favoráveis e nenhum contrário. Um placar unânime, impensável em tempos de polarização, mas que deixa evidente como os políticos ainda temem a reação popular.

Esse tipo de unanimidade não nasce de convicção, mas da pressão das ruas e do barulho das redes sociais. Deputados votaram para se proteger. Ignorar um tema que mobilizou protestos, campanhas digitais e ganhou eco no cotidiano do trabalhador seria suicídio político. A isenção não foi apenas aprovada, foi atribuída, pautada e controlada pela sociedade do começo ao fim.
O episódio escancara a lógica da Câmara: projetos que interessam à população só andam quando a pressão se torna insustentável. Fora disso, o plenário trava. Quantas outras pautas relevantes ficam esquecidas em gavetas porque não representam risco eleitoral imediato? A isenção do IR mostra que, quando o medo de enfrentar a opinião pública bate forte, as divisões ideológicas desaparecem e o Congresso se move.
As redes sociais tiveram papel decisivo. O que começou como debate digital ganhou corpo nas ruas e, na sequência, se transformou em pressão direta sobre deputados. Foi a soma dessa mobilização que resultou na votação unânime. O recado é claro: quando a sociedade se organiza, pode dobrar até o Congresso mais resistente. Afinal, qual deputado vai colocar a sua digital em uma votação contrária ao interesse da esmagadora maioria do Brasil?
No final das contas, a aprovação unânime da isenção do IR não deve ser lida como ato de generosidade parlamentar, mas como confissão de fraqueza. Mostra que, no Brasil, quando a pressão popular é real, o discurso some, a ideologia desaparece e até o mais intransigente político se rende. O resultado é uma unanimidade improvável e a lembrança de que, sim, os políticos ainda temem a reação popular.
Lula soube capitalizar e vive melhor momento do governo
Se no Legislativo o momento é de contenção de estragos, no Executivo é momento de comemorar. O governo Lula 3 soube surfar a onda criada pela sociedade. Em três anos de mandato, este é o melhor momento político do presidente. A medida fala diretamente com milhões de brasileiros que sentem, mês a mês, o peso do IR, e Lula, confirmando uma promessa de campanha, se tornou o grande fiador dessa conquista.
O Planalto transformou um assunto que fazia a oposição torcer o nariz há um ano em capital político e, agora, colhe dividendos eleitorais. Todos tentam capitalizar: deputados posam de defensores do povo, oposicionistas se apressam em dizer que sempre foram favoráveis. Mas, no fundo, essa vitória tem dono: a sociedade brasileira. Lula apenas soube aproveitar e amplificar.
O efeito eleitoral é direto. Em 2026, quando milhares de brasileiros notarem sua folha de pagamento sem o desconto do “Imposto de Renda Retido na Fonte”, Lula tende a crescer ainda mais nas pesquisas. O combo de enfrentamento assertivo aos Estados Unidos, inflação controlada, queda de impostos e defesa da soberania nacional dão ao petista o que qualquer governo sonha em fim de mandato: a grande chance de reeleição.
