Relato de paciente mostra que câncer de mama não é sentença
Moradora de Paranaguá, Lorayne Miranda tem 34 anos e descobriu que estava com câncer de mama há um ano. Após o diagnóstico e tratamento de sua mãe e o histórico da doença também com uma tia, Lorayne notou a presença de um nódulo no seio, ao fazer o autoexame. No mês passado, ela fez sua última sessão de quimioterapia e contou ao JB Litoral como tem enfrentado o tratamento.

A descoberta do câncer de mama aconteceu em setembro do ano passado. Depois de perceber a alteração da mama com o autoexame, ela fez uma ecografia, mas o médico que lhe atendeu não constatou nódulo, segundo Lorayne. Dois meses depois, ela sentiu um desconforto e procurou fazer a mamografia. Devido à idade, precisou de um encaminhamento médico para realizar o exame e, em seguida, a biópsia, que confirmou a presença de dois nódulos malignos no mesmo seio e linfonódulos debaixo da axila.
“Comecei meu tratamento dia 14 de abril deste ano, que foi a primeira sessão de quimioterapia. Foram seis meses de tratamento. O nódulo que tinha sete centímetros passou para quatro na primeira sessão. Já foi uma alegria saber que o tratamento estava dando certo”, contou Lorayne.
Cabeleireira, ela teve que lidar com a perda dos próprios cabelos e se reconhecer de novo no espelho. “A gente perde um pouco da identidade. Você vive um luto, porque você se olha no espelho e não se reconhece. Mas, o processo de quimioterapia, do tratamento, é mais doloroso do que a perda do cabelo”, disse. Lorayne é mãe de Pietra, de quatro anos, que tem dado forças para a mãe durante o tratamento.
Otimismo e esperança para vencer cada etapa
Foram oito sessões de quimioterapia e diversos efeitos colaterais. No entanto, as dificuldades foram superadas e Lorayne encara com mais otimismo e esperança a luta contra a doença, pois sabe que não foi só seu corpo que mudou, mas seu olhar sobre a vida.
“Eu tenho certeza de que esse processo que eu estou passando é um aprendizado na minha vida. A partir do momento que viramos mãe, esposa, que trabalhamos, acabamos nos deixando um pouco de lado. A prioridade é sempre os outros. Acredito que o intuito de eu ter passado por isso é o meu autocuidado”, afirmou Lorayne.
Informação salva vidas
O câncer de mama tem sido registrado cada vez mais em mulheres jovens, e a médica oncologista Andréa Arévalo, que atende na unidade do Hospital Erasto Gaertner, em Paranaguá, explicou ao JB Litoral sobre a predisposição para a doença.
O local atende mulheres como Lorayne e outras pessoas com diagnóstico de câncer para consultas com médicos, nutricionistas e psicólogos, além de sessões de quimioterapia.
Segundo a médica, a incidência do câncer aumentou nos últimos anos e o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres. Apesar de ainda ter menos pacientes abaixo dos 40 anos com a doença, proporcionalmente, esse número tem aumentado.
“Com certeza, isso tem a ver com o nosso estilo de vida. A mulher postergou a maternidade para depois dos 30 anos, e esse fator protetor da maternidade, do aleitamento materno, reduziu. A mulher está em um ambiente mais estressante, tem aumentado o consumo de álcool e tabaco, sedentarismo. Todos esses são fatores de risco para o câncer de mama”, explicou Andrea.

A médica também citou a alimentação inadequada como um fator que pode contribuir para o surgimento do câncer de mama em mulheres mais jovens. Segundo ela, porém, as mulheres estão mais conscientes sobre a importância da detecção precoce, e a campanha Outubro Rosa tem ajudado a ampliar a divulgação de informações e alcançar todas que precisam.
“A gente percebe que existe uma busca maior pelo oncologista nessa época. A intenção é fazer um exame de rastreio para detectar o tumor em um estágio que ele não é nem perceptível ao exame clínico e, após isso, fazer um tratamento com menos quimioterapia ou uma cirurgia menor. Há mais taxas de cura com o rastreio precoce”, informou a médica. Ela esclarece que a mamografia ajuda no diagnóstico precoce e aumenta as chances de cura.
“Se a mulher tem predisposição ao câncer, com histórico da doença em outras mulheres na família, ela precisa adotar hábitos saudáveis, ter uma rotina com atividade física e procurar o mastologista a partir dos 20 anos”, completou a médica.
Diagnóstico e tratamento
A oncologista destaca, ainda, que o diagnóstico de câncer de mama não é sentença, pois cada vez mais os tratamentos têm apresentado resultados efetivos.
“A gente tem tido avanços importantíssimos dentro da oncologia, trazendo qualidade de vida para essas mulheres, tempo de vida. Em alguns casos, a gente fica bem animado com as respostas aos tratamentos mais modernos. O medo do diagnóstico não pode ser maior do que a vontade de se tratar”, finalizou Andréa Arévalo.
