Morretes busca em Brasília apoio para solucionar conflito urbano causado pela passagem do trem
A exemplo de Paranaguá, que estuda a implantação de dois viadutos em U na Avenida Roque Vernalha, Morretes também busca soluções para o conflito causado pela passagem do trem na área urbana. Na quarta-feira (22), uma comitiva esteve em Brasília para uma reunião na Secretaria Nacional de Transportes Ferroviários, do Ministério dos Transportes, que sinalizou apoio ao município.

Morretes tem três passagens que cruzam a cidade, duas no bairro Rocio e uma na Vila Ferroviária. Segundo a Administração Municipal, a passagem do trem isola essas regiões e coloca em risco a segurança dos moradores, o que motivou a Prefeitura a levar o assunto para discussão em âmbito federal.
Para o prefeito de Morretes, Junior Brindarolli (PSD) a solução para o problema é a realização de obras viárias para que o trânsito de veículos não seja interrompido com a passagem das composições. “Essa obra é cara, mas necessária. A população espera há muito tempo, por isso viemos a Brasília neste mês”, afirmou Brindarolli.
Ele ainda ressaltou que mudar o trajeto da ferrovia não é uma opção viável, pois a cidade depende do trem turístico, que desembarca na região central e atrai cerca de 250 mil visitantes por ano.
“Recebemos turistas de várias partes do Brasil e do mundo, isso gera emprego e renda. Além disso, mudar a rota impactaria diretamente a área de Mata Atlântica, que é uma das riquezas ambientais da nossa região. Por isso, acolhemos com alegria a notícia de que é possível buscar alternativas como o viaduto ou a trincheira”, destacou o prefeito.
Modelos levados a Brasília

Durante a reunião, as alternativas apresentadas pelo Governo Federal foram a construção de uma trincheira (passagem por baixo da ferrovia) ou um viaduto (passagem por cima). Se as ideias forem concretizadas, as soluções podem colocar Morretes como modelo nacional na forma de equilibrar transporte de cargas, turismo e segurança urbana.
O deputado federal Aliel Machado (PV), natural do município de Ponta Grossa, região dos Campos Gerais, lidera a pauta em defesa de Morretes. Ele apontou que o trem é essencial para o escoamento da safra que segue ao Porto de Paranaguá e também movimenta o turismo regional, mas o traçado atual causa sérios impactos à vida das pessoas por não ter uma rota alternativa.
Bairros como Rocio, Vila Ferroviária, Pantanal, Marumbi e América de Cima ficam isolados quando o trem passa. O bloqueio pode durar mais de uma hora, travando o trânsito e a logística da cidade.
“Temos um patrimônio ferroviário importante, mas ele não pode continuar sendo um obstáculo para quem vive em Morretes. Há um ano e meio estamos cobrando essa solução do Governo Federal, e hoje tivemos uma resposta concreta. A cidade não pode continuar refém da passagem do trem, por isso entrei nessa luta”, afirmou Aliel.
O projeto está estimado em, aproximadamente, R$ 25 milhões, e as possibilidades de execução incluem recursos federais, indenizações contratuais da empresa Rumo (que terá seu contrato encerrado em 2027) ou parcerias com o setor privado.
Direcionamento inédito de recursos

Durante a reunião, o Secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, afirmou que o Governo Federal está empenhado em resolver o problema.
“Nosso objetivo é garantir a convivência entre esses dois usos, mas com segurança e qualidade de vida para a população. A primeira alternativa é uma passagem inferior, mas também estamos estudando a possibilidade de uma passagem superior”, explicou o secretário.
Ele destacou ainda que o Governo Federal está trabalhando em um modelo inovador de investimento cruzado, que permitirá usar recursos da repactuação da malha ferroviária paulista da empresa Rumo em obras estruturantes em outras regiões do país.
“Criamos a primeira conta vinculada do setor ferroviário, que pode permitir o uso desses recursos em soluções logísticas em outros estados. Morretes pode ser o primeiro caso do Brasil a receber esse tipo de investimento, o que reforça a importância do município como exemplo nacional”, completou Ribeiro.
O próximo passo, segundo a Prefeitura de Morretes, será uma reunião técnica de alinhamento entre as secretarias do Ministério dos Transportes, incluindo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário, para definir o formato e detalhes da obra. Na sequência, está prevista uma reunião com a empresa Rumo Logística, e, por fim, o projeto seguirá para análise e validação do Ministro dos Transportes, Renan Filho.
Viagem também teve apoio às APAEs na agenda
A visita da comitiva de Morretes a Brasília também foi marcada pelo encontro com o senador Flávio Arns (PSB). A pauta foi o Decreto 12.686, de 2025, publicado pelo Governo Federal, que institui a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e a Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva.
“O senador defendeu as APAEs do Paraná, as APAEs do Brasil, e nós também estamos juntos na defesa contra o decreto do presidente Lula”, disse Brindarolli.
O senador Flávio Arns acredita que a medida representa “perseguição às APAEs, às Pestalozzis e às escolas que atendem autistas e pessoas com deficiências múltiplas”. De acordo com Arns, o decreto ignora legislações nacionais e internacionais que garantem às famílias o direito de escolher o tipo de ensino mais adequado.
“Estou aqui, ao lado do prefeito e dos vereadores de Morretes, na frente do Congresso Nacional, onde apresentamos o que chamamos de PDL (Projeto de Decreto Legislativo) para revogar isso que o Governo fez, já com a promessa do presidente do Senado de colocar em pauta e liquidar esse decreto horrível, que não deveria existir em um país que pretende dialogar e se entender com a sociedade”, defendeu Arns. O parlamentar completou com a informação de que enviou um vídeo de apoio a todas as APAEs, a fim de mobilizar a união entre as entidades, em defesa do ensino especializado. A APAE de Morretes conta com 76 alunos matriculados.
