Em três dias de evento, Antonina celebra e oficializa título internacional de Cidade das Aves
O município de Antonina, localizado no coração da Grande Reserva Mata Atlântica, sediou, entre sexta-feira (21) e domingo (23), o Festival Cidade das Aves 2025. Aberto à comunidade, pesquisadores e turistas, o evento ocorreu na Praça Romildo Gonçalves Pereira, mais conhecida como Feira-Mar, e foi acompanhado pelo JB Litoral.

Criado pelo Instituto de Estudos Ambientais Mater Natura, o festival incluiu ações voltadas à observação de aves, educação ambiental e à valorização da biodiversidade da região capelista, que faz parte da maior área contínua de mata preservada do planeta.
Também fizeram parte da programação palestras, oficinas, mesas-redondas, apresentações musicais, caminhadas guiadas e brincadeiras para jovens e crianças. Segundo a Administração Municipal, o Festival Cidade das Aves foi desenvolvido para reforçar o comprometimento de Antonina com a conservação ambiental.
“Isso vai ajudar muito na divulgação de Antonina, principalmente no turismo de aventura, que, certamente, trará muita gente de fora para a cidade”, afirmou o secretário de Turismo, Cultura e Patrimônio Histórico, Thiago Afonso de Souza.

Os três dias de encontro se somam a uma série de eventos realizados em Antonina ao longo do ano, como destacou o secretário de Governo e Planejamento do município, Rafael Camargo.
“Dentro da população relativa, Antonina é a cidade do estado que mais recebeu eventos ligados à Secretaria de Turismo. Um município muito pequeno, mas que já realizou mais de 12 eventos durante o ano. É muito trabalho, planejamento e organização. A cidade tem vocação para a natureza, para o evento e para a cultura. Esse casamento é perfeito”, avaliou Camargo.
Título Internacional
Em setembro deste ano, Antonina recebeu a notícia de que foi reconhecida, internacionalmente, como Cidade das Aves. O título foi concedido pelas organizações Environment for the Americas e American Bird Conservancy (ABC). Com isso, o município se tornou a terceira Cidade das Aves da América Latina e a segunda do Brasil. Isso significa que a região capelista é a localidade com mais registros de aves do Sul do país, totalizando 501 espécies catalogadas por pesquisadores, incluindo o Guará, Biguá, Socó e a Garça Azul.
Para a concessão do título internacional, atribuído a cidades que se destacam na conservação das aves e de seus habitats, foi necessário levar em consideração diversos outros quesitos.

“Esse título é dado a cidades que conquistam uma série de critérios, na questão de proteção do meio ambiente, engajamento comunitário e de trabalhos sustentáveis. Isso possibilita a criação de novos projetos, ações de proteção do meio ambiente e de auxílio no movimento do turismo internacional”, detalhou a bióloga e pesquisadora do Mater Natura, Maria Fernanda Rivas, responsável por liderar a certificação de Cidade das Aves em Antonina.
A oficialização e a celebração do título ocorreram no segundo dia do Festival. A cerimônia reuniu autoridades locais e representantes de organizações ligadas ao meio ambiente, que receberam certificados em reconhecimento à contribuição para a preservação do bioma litorâneo.
“É um título muito importante para nós. Somos a primeira cidade do Paraná a receber esse reconhecimento internacional. Estamos trabalhando para termos, a cada ano que passa, mais conquistas e mais novidades”, disse a prefeita de Antonina, Rozane Osaki (PSD).
Quem também participou da solenidade foi o turismólogo e coordenador da Rede da Grande Reserva Mata Atlântica, Marcos Cruz Alves. Ele comentou que a observação de pássaros é uma área promissora do turismo.

“A observação de aves é um dos segmentos do turismo que mais cresce no mundo. Dessa forma, o reconhecimento de Antonina como Cidade das Aves só vem coroar tudo isso. O município só tem a ganhar. Naturalmente, é o primeiro grande passo para reconhecer a região como destino de observação das espécies. É muito importante, também, o trabalho de conscientização da população para esse potencial, para que se ganhe dinheiro com isso”, concluiu Marcos.
Não é vitalício
O título de Cidade das Aves precisa ser renovado todos os anos. Sendo assim, Antonina tem que seguir todas as regras que a tornaram elegível, principalmente no que diz respeito à celebração do Dia Mundial das Aves Migratórias, às melhorias em áreas naturais, à promoção da sustentabilidade e ao enfrentamento de ameaças humanas.
Diversos expositores marcaram presença no Festival Cidade das Aves 2025, sendo eles: Cinema Vale do Gigante, Instituto Nandé, Artenina, Prefeitura de Antonina, Os Formigas e Arte que vem do Mar, Grande Reserva Mata Atlântica, Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem em Educação Ambiental (SPVS) e a Associação de Defesa do Meio Ambiente e do Desenvolvimento de Antonina (Ademadan).
