Uma nova cultura na bagagem: estudante de Paranaguá retorna de intercâmbio em Portugal


Por Gabriela Perecin Publicado 25/11/2025 às 17h23

O estudante da rede pública Luiz Pedro Alves Dias, de 14 anos, foi selecionado pelo projeto “Era uma Vez… Brasil” para representar Paranaguá em um intercâmbio em Lisboa (Portugal), onde participou de uma imersão cultural de dez dias. Por lá, fez novos amigos, provou comidas diferentes, visitou museus, aprofundou o conhecimento sobre suas origens e, principalmente, mostrou que o autismo não é um impedimento para a realização de sonhos.

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Luiz Pedro contou sobre sua experiência com o projeto e as descobertas em Portugal. Foto: Arquivo pessoal

O adolescente foi diagnosticado com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) aos dois anos de idade e, desde então, a família se dedica aos acompanhamentos que garantem a sua atual autonomia. Pedro, como é chamado pela mãe, está no 8º ano do Ensino Fundamental do Colégio Estadual Dr. Arthur Miranda Ramos. 

O intercâmbio encerra um ciclo formativo dedicado à valorização das identidades brasileiras e à produção artística da 9ª edição do projeto “Era uma Vez… Brasil”, realizado pela Origem Produções, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com apoio do Ministério da Cultura, do Governo Federal.

O tema trabalhado pelos estudantes já era conhecido por Pedro, graças à base familiar e da escola: “Quem conta nossa história? A participação indígena e afro-brasileira na formação do Brasil”.

A execução do projeto

Uma das propostas do projeto foi mobilizar os estudantes a fazerem histórias em quadrinhos sobre o tema, além de um curta-metragem em que os alunos entrelaçaram o contexto histórico com o atual e inseriram um personagem que dá nome a um colégio de Paranaguá: José Bonifácio. “Aprendemos sobre câmera, luz, roteiro. Depois o vídeo foi para edição e finalização”, explicou Pedro.

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O intercâmbio encerra um ciclo formativo dedicado à valorização das identidades brasileiras. Foto: Foto: Arquivo pessoal

O estudante embarcou no dia 5 e retornou dia 15 de novembro. Ele também contou ao JB Litoral como foi a imersão cultural e gastronômica. “Gostei muito das pessoas e de como fui tratado. Ficamos em um hotel, visitamos museus, castelos banhados a ouro, já com a visão de que tudo isso foi construído com o sangue do povo africano e indígena. Visitamos escolas e uma biblioteca criada por uma pessoa que queria que outras tivessem acesso à leitura. O que mais gostei foi a comida!”, recordou Pedro. 

Do lado de cá, a mãe Sara Caroline Alves acompanhava as aventuras do filho com contatos diários por telefone. “Para mim, como mãe, foi preocupante. Mas, tentei ficar tranquila porque estava em contato com o grupo há muito tempo. Minha preocupação era se ele iria ficar isolado, se fariam bullying. Sabia que seria organizado e que haveria muitas pessoas cuidando deles. Fiquei feliz por ele não ter precisado de muito suporte. Ele ficou bem e fez amizades. Por conta das terapias, desde os dois anos, ele consegue estabelecer limites e entender os próprios limites”, contou a mãe.

Reflexão sobre as origens

Sara avaliou o tema proposto pelo projeto como positivo para a educação antirracista.

“É algo que já conversamos em casa, ele tem acesso à literatura sobre o tema e a professora de história dele é excelente. Ainda mais para nós, pessoas pretas, ter essa visibilidade, nesse mês de novembro, quando se celebra o Dia da Consciência Negra. O fato dele estar inserido nessa educação antirracista e ter participado de todo esse projeto foi extremamente importante”, destacou a mãe de Pedro.

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Por conta das terapias, desde os dois anos, ele consegue estabelecer limites e entender os próprios limites”, contou a mãe Sara Caroline Alves. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

Nas semanas que antecederam as viagens, as equipes locais do projeto “Era uma Vez… Brasil” promoveram oficinas, produções autorais e encontros de integração com estudantes e familiares. Essa etapa, segundo o coordenador geral do projeto, Guilherme Parreira, ultrapassa os limites da sala de aula.

Chegamos a mais um capítulo de uma história que vem sendo escrita por milhares de mãos em todo o Brasil. Cada estudante e cada professor que embarca para Portugal leva consigo não apenas o resultado de um processo de formação, mas o símbolo de que a educação é capaz de abrir caminhos reais”, disse Guilherme.

Para ele, ver jovens de diferentes origens atravessando o oceano é a materialização do propósito que move o projeto desde sua criação. “O Era uma Vez… Brasil nasceu para provocar reflexão e orgulho das nossas origens — e ver esses jovens contando a própria história é a maior prova de que estamos no caminho certo”, reforçou o coordenador.

Paranaguá foi o único município do Paraná que recebeu as atividades do projeto, que chegou a 16 cidades de quatro Estados: São Paulo, Paraná, Pernambuco e Bahia. No total de dois períodos de intercâmbio, foram 113 estudantes. De Paranaguá, foram sete estudantes e um docente.

Na próxima fase do projeto, os alunos desenvolverão ações educativas e culturais em suas comunidades, multiplicando os aprendizados da viagem e inspirando outras pessoas, como uma devolutiva da experiência que tiveram.

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