O Litoral reaprendeu a se reconhecer na própria festa


JB No Radar

O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.


Por Brayan Valêncio Publicado 09/02/2026 às 12h44

O Carnaval no Litoral do Paraná deixou de ser apenas um evento concentrado nas praias para se afirmar, novamente, como um movimento regional, diverso e estratégico. Depois de anos de interrupções, formatos reduzidos e até ausência completa da festa em algumas cidades, o que se vê neste início de 2026 é um resgate claro do Carnaval como política cultural, turística e econômica, com protagonismo espalhado por todo o litoral.

Banho a Fantasia – Fotos – JB Litoral (9)
Pré-Carnaval em Paranaguá é a demonstração de que o investimento em cultura e turismo está no caminho certo. Foto: JB Litoral

Essa retomada começa por Paranaguá. Após anos sem uma programação robusta de Carnaval, o município apostou em um pré-carnaval forte, com investimento pesado e foco na ocupação dos espaços públicos. A Prefeitura trouxe artistas nacionais, movimentou a cidade ao longo da semana que antecedeu a folia e transformou o pré-carnaval no principal motor da festa local. Não se trata de um Carnaval tradicional de escolas de samba, mas de uma estratégia clara de reconstruir a relação da população com o Carnaval, reacender o calendário turístico e devolver a festa às ruas. O resultado foi visível: praças cheias, grande repercussão nas redes sociais e a sensação de que o Carnaval voltou a fazer parte da identidade da cidade.

Paranaguá não está sozinha nesse movimento. Antonina, historicamente, é um dos símbolos mais fortes do Carnaval no Paraná. Com décadas de tradição, o município mantém um Carnaval de rua próprio, marcado pelo desfile das Escandalosas, que transforma a segunda-feira de Carnaval em um dos momentos mais aguardados da festa no Estado. É um Carnaval que não depende de grandes estruturas, mas de identidade, irreverência e participação popular e que segue atraindo milhares de foliões ano após ano, reafirmando a força cultural do litoral histórico.

É nesse cenário de retomada mais ampla que entram as praias. Guaratuba, por exemplo, decidiu voltar às origens ao retomar os trios elétricos, recolocando a música em movimento pelas ruas e recuperando um modelo de Carnaval historicamente associado a grandes públicos. Com quatro dias de programação distribuídos por diferentes pontos da cidade, a volta dos trios representa não apenas animação, mas também a consolidação de um formato que dialoga diretamente com o turismo e com a memória afetiva de quem frequenta o litoral.

Já Matinhos aposta em uma combinação de tradição e projeção nacional. Além dos blocos e trios já conhecidos, como Matimbanda, Caiobanda e Carnafolia, a cidade ampliou o alcance da festa ao anunciar o show do Olodum, referência mundial da cultura afro-brasileira e do Carnaval de rua. A apresentação, marcada para depois do período oficial da folia, prolonga a temporada de verão e reforça Matinhos como polo cultural, não apenas como destino de praia.

Isso não acontece por acaso. O fortalecimento do Carnaval no Litoral do Paraná está diretamente ligado aos investimentos estruturais feitos na região nos últimos anos.

Obras de mobilidade, melhorias viárias, requalificação de orlas e projetos históricos, como a nova ponte de Guaratuba, ampliam a capacidade das cidades de receber grandes públicos, com mais conforto, segurança e organização. Infraestrutura, nesse contexto, não é pano de fundo: é condição para que eventos cresçam e se consolidem.

Por isso, o debate precisa avançar. O Carnaval não pode ser tratado como gasto eventual ou evento isolado. Ele é investimento em turismo, geração de renda, emprego temporário, economia local e identidade cultural. Quando bem planejada, a festa movimenta hotéis, bares, restaurantes, comércio e serviços e projeta o Litoral do Paraná para além da alta temporada.

O que se desenha neste ano é um Carnaval mais plural e mais fiel à realidade do Litoral: Paranaguá com o pré-carnaval forte, Antonina com a tradição, Guaratuba com os trios e Matinhos com atrações de alcance nacional. Valorizar esse conjunto é reconhecer que o Carnaval não pertence a uma cidade ou a um formato específico. Ele pertence ao Litoral inteiro e pode, sim, ser um dos grandes motores do seu desenvolvimento.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.