“Ratinho se colocou como árbitro do futuro de três pessoas”, diz Greca


JB No Radar

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Por Brayan Valêncio Publicado 27/02/2026 às 18h46

O distanciamento entre Rafael Greca (PSD) e Ratinho Junior (PSD) deixou de ser comentário reservado. Virou movimento público. Enquanto prefeito de Curitiba, Greca era tratado como nome certo para a Secretaria das Cidades, a principal vitrine política do governo.

Greca é aliado importante para Ratinho, mas pode disputar justamente contra o indicado pelo governador. Foto: Pedro Ribas/SMCS

Não foi. Ficou com o Desenvolvimento Sustentável. A pasta estratégica acabou nas mãos de Guto Silva (PSD), que passou a ganhar musculatura como nome da sucessão. Ali começou a inflexão e os ruídos internos.

Em entrevista ao Grupo Ric nesta semana, Greca teceu críticas e acenos e também fez questão de reconhecer a prerrogativa do governador de escolher o seu sucessor, mas introduziu um conceito que muda o jogo: “livre-arbítrio”. Disse que Ratinho “se coloca como árbitro do futuro de três pessoas” e que “tem todo o direito de escolher o candidato da sua preferência”, mas completou: “também nós temos o nosso livre-arbítrio e temos o direito de escolher a nossa história”.

É uma frase simples. Politicamente, é um divisor.

Quando questionado se essa história poderia ser escrita em outro partido, não negou. Afirmou que “tudo isso é possível” e reforçou que “não há traição alguma”. A lembrança do episódio no Madalosso, quando o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab o chamou de futuro governador, foi recado claro: a expectativa não surgiu do nada. Greca não fala em rompimento. Mas também não fala mais em espera.

O movimento externo

É aí que entra o Progressistas. O deputado federal Ricardo Barros não tratou o assunto como especulação. Disse que há uma ala forte do partido que quer filiar Greca e lançá-lo ao governo. Avaliou que, num cenário com Guto, Greca, Moro e Requião Filho, a disputa fica “totalmente aberta” para o segundo turno.

Mais do que elogio, é cálculo. Barros também colocou pressão estratégica ao afirmar que o governador precisará medir “o risco” de escolher um nome mais leal em vez do mais bem posicionado.

Traduzindo: se Ratinho optar por fidelidade interna, pode fragmentar a própria base.

A resposta do governador

E após tirar um período de férias, Ratinho evitou dramatização. Disse que não vê eventual saída de Greca do PSD como traição e classificou o movimento como “natural”. Reforçou que sua responsabilidade é garantir continuidade e manter o ambiente de “união e paz política”.

Também deixou claro que a decisão não será individual: quer construir com prefeitos, deputados e setores organizados. É um discurso de controle institucional, mas que demonstra que nem todas as peças estão encaixadas como planejado.

O que está em jogo

A sucessão deixou de ser um consenso silencioso porque Rafael Greca não aceita ser figurante; Guto Silva ganhou estrutura e visibilidade; Alexandre Curi mantém força no interior e o Progressistas enxerga uma janela.

Ratinho precisa decidir se mantém o grupo compacto ou se administra uma disputa interna aberta. O racha ainda não foi anunciado. Mas o alinhamento automático acabou de vez.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.