Foco em Brasília: Ratinho quer ser protagonista ou coadjuvante de projeto nacional
JB No Radar
O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.
O concreto que fechou o vão central da Ponte de Guaratuba, na última sexta-feira (6), transformou a cerimônia técnica em um ato de forte conteúdo político. Diante de autoridades e lideranças, o chamado “beijo da ponte” foi usado como vitrine para posicionamentos eleitorais e mensagens estratégicas de curto e médio prazo.

No centro do evento, o governador Ratinho Junior (PSD) adotou discurso de balanço administrativo e enfatizou o papel das equipes técnicas na execução da obra. Ao dividir méritos com servidores e engenheiros, reforçou a narrativa de gestão compartilhada e eficiência operacional.
Tratada pelo Palácio Iguaçu como empreendimento estruturante para mobilidade e logística do Litoral, a Ponte de Guaratuba também ganhou peso simbólico no calendário pré-eleitoral.
Projeto nacional entra na agenda
O tom institucional deu espaço a sinalizações políticas quando o governador abordou o cenário nacional e o debate interno do PSD. Ratinho se colocou como quadro disponível para a disputa de 2026 e vinculou seu nome à construção de um projeto partidário de alcance nacional.
Sem anunciar candidatura, afirmou que pode contribuir “como coadjuvante ou protagonista”, indicando disposição para compor diferentes arranjos dentro da legenda. A declaração evita disputa direta por protagonismo neste momento e preserva espaço nas negociações internas.
Recado ao PSD e defesa de unidade
Ratinho afirmou que o PSD trabalha com três nomes colocados para a corrida presidencial e tratou a escolha como decisão coletiva. Citou os governadores Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, mencionando relação de respeito e atuação conjunta.
O gesto público reforça o discurso de unidade interna e acompanha o esforço da direção nacional do partido para evitar divisões antecipadas.
Distanciamento de Bolsonaro e foco no cenário estadual
Questionado sobre articulações fora do partido, Ratinho negou reunião com o senador Flávio Bolsonaro (PL). A resposta sinaliza cautela em relação à polarização nacional e mantém margem de interlocução em diferentes campos políticos.
No plano estadual, o governador associou a gestão paranaense a um ambiente de estabilidade institucional e defendeu que o estado mantenha distância de disputas ideológicas nacionais. O posicionamento também dialoga com o debate sobre sucessão no Palácio Iguaçu.
Ao mencionar a importância de diálogo com prefeitos, equilíbrio entre Poderes e interlocução com a sociedade civil, fez referência indireta a critérios para o próximo comando do Executivo estadual. A fala é interpretada nos bastidores como alinhamento ao perfil do secretário das Cidades, Guto Silva (PSD).
Ratinho sai, Piana entra
Ratinho confirmou que cumprirá os prazos de desincompatibilização exigidos pela legislação eleitoral para manter a possibilidade de disputar cargos em 2026. Disse que decisões eleitorais serão tomadas no tempo político adequado e que, no momento, o foco está na formulação do projeto partidário.
Quem assume o Governo do Paraná por pelo menos 8 meses é o vice-governador Darci Piana (PSD), referência no setor econômico e liderança empresarial do estado. Mas, apesar de estar com a caneta na mão, não tem pretensões de seguir dando ordens no Centro Cívico.
No final da história, a entrega de infraestrutura e as movimentações políticas, o evento em Guaratuba reuniu agendas administrativas e eleitorais em um mesmo palco. A obra avançou no cronograma. Já os discursos miraram o calendário político que tá só começando.
