Porto Ponta do Félix inadimplente? Companhia entrou para a lista de empresas “devedoras” da CVM; entenda as consequências


Por Redação Publicado 18/04/2026 às 19h29 Atualizado 20/04/2026 às 08h42

Pouco mais de um ano após anunciar recorde de movimentação em 2024, o Porto Ponta do Félix, em Antonina, integrante do Grupo FTSPar, entrou para a lista das companhias abertas consideradas inadimplentes pela Superintendência de Relações com Empresas (SEP) da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Isso significa que o porto não está em dia com as exigências do processo de transparência da autarquia federal.

Em relatório divulgado pelo porto, em abril de 2025, a Receita Bruta projetada para o ano passado era de R$ 301 milhões, o que representaria um crescimento de 31% em relação a 2024. Foto: Portos do Paraná
Em relatório divulgado pelo porto, em abril de 2025, a Receita Bruta projetada para o ano passado era de R$ 301 milhões, o que representaria um crescimento de 31% em relação a 2024. Foto: Portos do Paraná

As 19 companhias não enviam, há no mínimo três meses, pelo menos um dos seguintes documentos periódicos:

  • Formulário de Demonstrações Financeiras Padronizadas (DFP);
  • Formulário de Informações Trimestrais (ITR);
  • Formulário de Referência (FRE).

No documento, a SEP alerta investidores e o público em geral sobre a importância de considerarem essas informações em suas relações com as companhias citadas ou em suas decisões de investimento, uma vez que, de acordo com o art. 57 da Resolução CVM 80, “a SEP deve suspender o registro de emissor de valores mobiliários caso um emissor descumpra, por período superior a 12 meses, suas obrigações periódicas, nos termos estabelecidos por esta Resolução”, afirma a autarquia no texto divulgado há um mês.

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Para o investidor, a ausência desses documentos funciona como “andar no escuro”. Sem o ITR ou o DFP, por exemplo, não se sabe a real saúde financeira da empresa, seu nível de endividamento ou a capacidade de geração de caixa em um momento de juros sensíveis.

Na lista, além do Porto Ponta do Félix S/A, constam outras 18 companhias abertas que não apresentaram, até 5 de março de 2026, os documentos com vencimento de entrega anterior a 5 de dezembro de 2025, entre elas seis em estágio de Recuperação Judicial:

  • 2W Ecobank S/A; Bombril S/A; Cia Tecidos Santanense; Paranapanema S/A; a telefônica Oi S/A.; Rossi Residencial S.A. e a têxtil Teka Tecelagem Kuehnrich S/A.

As demais são: Ambipar Participações e Empreendimentos S.A; Arandu Investimentos S.A; Auzza Securitizadora S/A; BRB Banco de Brasilia S/A;

Cia Industrial Schlosser S/A; Environmental ESG Participações S/A; Hospital Care Caledonia S/A; K-Infra Rodovia do Aço S/A; Natura & CO Holding S/A; Refinaria Pet Manguinhos S/A; e Sequoia Logística e Transportes S/A.

Não fazem parte da lista as companhias que estejam, segundo o cadastro da CVM, em situação de falência ou liquidação, bem como aquelas que estão com o registro suspenso, nos termos da Resolução CVM 80.

DO RECORDE À LISTA DE ALERTA FINANCEIRO

A inclusão do Porto Ponta do Félix na lista é um sinal de alerta, mas não gera punição às companhias citadas neste estágio, o que só ocorre caso haja o descumprimento das obrigações por 12 meses ou mais, com a cassação do emissor de valores mobiliários. A medida faz com que as empresas fiquem impedidas de seguir negociando na bolsa.

A “lista de inadimplentes” foi divulgada um ano e dois meses após o Ponta do Félix anunciar, em janeiro de 2025, que movimentou 2 milhões de toneladas ao longo de 2024, um aumento de quase 50% em relação a 2023.

Fertilizantes a granel, produtos em big bags, açúcar VHP a granel, açúcar ensacado, malte, pellets de madeira, trigo e farelo de soja estão na lista dos produtos movimentados que alavancaram o crescimento anunciado à época.

Ainda segundo relatório divulgado pela companhia, em 2024, os investimentos totalizaram R$ 15,9 milhões, “direcionados principalmente para obras de expansão, construção de armazéns para fertilizantes, aquisição de equipamentos de informática, maquinários, infraestrutura e aprimoramento dos sistemas de segurança”, afirmou o porto no relatório divulgado há um ano, em 14 de abril de 2025.

Fontes ligadas à movimentação do terminal, que preferiram não ter a identidade revelada, afirmam que as dificuldades financeiras já acarretaram cortes de postos de trabalho e geram incertezas sobre a manutenção dos empregos atuais.

Procurado pelo JB Litoral, o Porto Ponta do Félix não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.

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