Retotalização pode derrubar mais vereadores além de Mari Leite e Fábio Santos em Paranaguá


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Por Brayan Valêncio Publicado 13/06/2026 às 15h08

A cerimônia de retotalização marcada pela Justiça Eleitoral para o próximo dia 19 de junho abriu um novo capítulo na política de Paranaguá e ele pode ser maior do que apenas substituir dois vereadores.

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Câmara não terá Mari Leite e Fábio Santos, mas outros vereadores também não estão seguros. Foto: Divulgação.

Com os acórdãos que confirmaram a cassação de Mari Leite (Agir) e Fábio Santos (PSDB) por captação ilícita de sufrágio, prática conhecida como compra de votos, a Justiça Eleitoral vai recalcular o resultado das eleições municipais de 2024 sem considerar os votos atribuídos aos parlamentares condenados.

Na prática, isso significa que a discussão deixou de ser apenas “quem entra” e passou a ser “quem continua”.

Mari Leite terminou a eleição como a terceira vereadora mais votada de Paranaguá, com 1.502 votos. Já Fábio Santos foi o quinto mais votado, com 1.340 votos.

Somados, os dois concentraram 2.842 votos, um volume suficiente para alterar cálculos do quociente eleitoral e partidário e mexer diretamente na distribuição das cadeiras da Câmara.

A consequência prática é que vereadores eleitos com votações menores entram naturalmente em zona de atenção.

Hoje, entre os parlamentares que conquistaram as últimas cadeiras no Legislativo municipal, estes aparecem como os mais expostos em um eventual redesenho da composição:

VereadorPartidoVotos
Luizinho MaranhãoPL1.025
EduPodemos1.020
Dr. AdalbertoRepublicanos1.006
Irineu CruzUnião956
Lena da FarmáciaRepublicanos915
Giovanne MartinsNovo768

Isso não significa que esses nomes necessariamente perderão as cadeiras.

A retotalização não funciona por votação individual direta. O procedimento refaz toda a conta eleitoral retirando os votos dos candidatos cassados e recalculando quociente eleitoral e quociente partidário, o que pode manter a configuração atual, retirar vagas de alguns partidos ou redistribuí-las para outras legendas.

Em outras palavras: ter menos votos não significa automaticamente perder o mandato, assim como ter mais votos não garante permanência.

Por isso, o dia 19 de junho passou a ser visto como uma segunda noite de apuração. Todos os olhos vão estar atentos ao Fórum Eleitoral porque tudo pode acontecer, inclusive nada.

Até lá, seguem possíveis recursos das defesas dos vereadores cassados. Mas, enquanto a disputa continua nos tribunais, a matemática eleitoral já colocou toda a composição da Câmara Municipal em cheque.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.