Paranaguá recebe primeiro canteiro-modelo de projeto do Iphan no Paraná
Eles fazem parte do Programa Conviver, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Os chamados Canteiros-Modelo de Conservação são a base do projeto voltado às pessoas que convivem diariamente com o patrimônio cultural nas cidades históricas brasileiras. Ele consiste em capacitar moradores, sobretudo pessoas de baixa renda, para a conservação de suas casas e dos espaços públicos por meio de assistência técnica gratuita, em parceria com universidades e institutos federais.

A unidade de Paranaguá é a 21ª do país e a primeira do Paraná. O canteiro-modelo foi anunciado no último dia 17, com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, durante solenidade realizada no auditório do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da Universidade Federal do Paraná, acompanhada pelo JB Litoral.
As atividades serão feitas em parceria com a Universidade, com um investimento de R$ 878,3 mil, proveniente de emendas parlamentares.
“São famílias com dificuldades de conservar suas casas e que precisam ser ajudadas, porque é um patrimônio que é delas, mas que também faz referência à história de toda a cidade”, disse a ministra, ao ressaltar que a responsabilidade da conservação do patrimônio histórico deve ser compartilhada entre os poderes públicos e a sociedade civil.
“É do patrimônio que vem a relação com a nossa identidade. Então, as cidades que têm mais a dizer são, justamente, aquelas que têm história. Eu fiquei muito impressionada quando cheguei aqui, porque até o clima da cidade é especial. Vocês estão em um lugar especial”, completou Margareth.

O presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, também participou da cerimônia de lançamento e reforçou a importância de inserir a população no contexto da preservação.
“O Conviver parte da premissa de que a gestão do patrimônio não se dá sem a participação social, sem as pessoas para quem esse patrimônio tem mais sentido”, afirmou Gusmão.
Como funciona
Na prática, os Canteiros-Modelo de Conservação atuam como escritórios públicos e laboratórios abertos instalados diretamente nos centros históricos. Eles funcionam como polos de atendimento gratuito à comunidade, integrando engenharia, arquitetura, assistência social e educação. De acordo com o Governo Federal, o programa se baseia em uma estrutura composta por cinco pilares:
1. Instalação da sede física: O Iphan cria um espaço acessível no centro histórico, que funciona como balcão de atendimento aos moradores, onde eles podem tirar dúvidas e solicitar apoio para seus imóveis.
2. Triagem e mapeamento social: Por meio de uma análise socioeconômica, a equipe mapeia a população que reside em áreas tombadas e realiza vistorias técnicas, nas quais engenheiros e arquitetos visitam os casarões para avaliar riscos estruturais, infiltrações e problemas elétricos.
3. Desenvolvimento de projetos e assistência: O escritório elabora a planta e as intervenções necessárias sem custo para o morador. Depois disso, os projetos já saem do escritório com a aprovação técnica do Iphan agilizada.
4. A obra como sala de aula (aulas práticas): Mestres tradicionais repassam técnicas de cal, argamassa antiga e carpintaria para pedreiros locais e estudantes. Com essa troca de conhecimento, os universitários saem da teoria e aplicam seus conhecimentos diretamente no restauro dos imóveis.
5. Atuação integrada e educação patrimonial: O local promove debates para engajar a vizinhança sobre a importância de habitar e cuidar do Centro Histórico. O canteiro-modelo representa, ainda, uma oportunidade para que pesquisadores utilizem inovação científica aplicada às estruturas históricas preservadas.
Primeiros passos e próximos etapas
Segundo o Iphan, a equipe de professores e estudantes da UFPR já iniciou o diagnóstico que indicará os imóveis que receberão intervenções do Conviver, com base nas condições de conservação e no perfil socioeconômico dos seus proprietários.

O professor da UFPR, Rodrigo Sartori Jabur, é um dos coordenadores do canteiro de Paranaguá. Ele detalhou o trabalho da equipe.
“Já temos um primeiro diagnóstico com base em dados do IBGE sobre o município. Estamos analisando a legislação, os perímetros de tombamento do Centro Histórico e estamos construindo um formulário para aplicar aos moradores”, pontuou o professor.
“Nós vamos entrar nessas casas para analisar questões de salubridade e outras condições de moradia, a fim de definir as ações prioritárias e as oficinas que serão propostas. Qualquer intervenção feita nos imóveis precisa respeitar os parâmetros e as linguagens técnicas protegidas pelo tombamento, para preservar o patrimônio daquela que é a primeira vila e símbolo do desenvolvimento do estado do Paraná”, disse Jabur.
Para o secretário de Cultura e Turismo de Paranaguá, José Reis De Freitas, o Juca, a ação integra um projeto mais robusto de preservação do patrimônio histórico da cidade.
“Estamos vendo que é um trabalho que não vai se resolver em dois ou três anos. É um trabalho de 10 anos. Para ser sério, você tem que começar todo esse levantamento. Então, estamos nos aproximando do Estado e da Universidade, para termos um projeto capaz de sanar todos os problemas e não apenas resolver, pontualmente, um prédio aqui e outro ali”, avaliou Juca, em conversa com o JB Litoral.
Desde que foi lançado, em 2023, o Programa Conviver direcionou R$ 33 milhões de recursos para implementar canteiros-modelo de conservação em municípios das cinco regiões do Brasil.
