Deltan Dallagnol afirma que disputar Senado será resposta à cassação e rejeita estar inelegível


Por Brayan Valêncio Publicado 26/06/2026 às 00h53

A pré-candidatura de Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado em 2026 marca mais um capítulo da trajetória de uma das figuras mais conhecidas e controversas da política e do sistema de Justiça brasileiro na última década. Ex-procurador da República e ex-coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, Dallagnol afirma que pretende disputar a eleição como resposta política à cassação do mandato de deputado federal e descarta qualquer cenário de inelegibilidade.

DENTAN DALLANGNOL – PRÉ-CANDIDATO AO SENADO – FOTO ALINE CARDOSO 01
Deltan visitou o JB Litoral e afirmou que será candidato nas eleições de outubro. Foto: JB Litoral

Em entrevista exclusiva ao JB Litoral, ele afirmou que continuará no processo eleitoral e associou sua permanência na política à decisão da Justiça Eleitoral que retirou seu mandato. “Não vai acontecer a minha inelegibilidade”, declarou.

Dallagnol também voltou a sustentar que a cassação atingiu diretamente o eleitorado que o escolheu em 2022.

Eles até cassaram o meu mandato, mas pior, o que eles cassaram foi o voto de 345 mil paranaenses”, afirmou.

A entrada definitiva na política ocorreu depois de quase duas décadas no Ministério Público Federal. Segundo Dallagnol, o objetivo inicial da carreira era atuar contra corrupção e crime organizado, mas a experiência acumulada na Lava Jato o levou à conclusão de que mudanças estruturais dependeriam da atuação dentro do Congresso.

O sistema precisa ser mudado aí dentro. É mudando as leis que você vai mudar essa realidade”, disse.

Lava Jato no auge

O ex-procurador ganhou notoriedade nacional a partir de 2014 como coordenador da força-tarefa da Lava Jato, investigação que revelou esquemas bilionários de corrupção envolvendo contratos públicos, empreiteiras e partidos políticos. A operação produziu centenas de condenações e acordos de colaboração, recuperou recursos desviados e alterou o debate público sobre responsabilização de agentes políticos.

Ao mesmo tempo, a Lava Jato passou a enfrentar questionamentos jurídicos e institucionais ao longo dos anos. Entre os episódios mais emblemáticos está a apresentação feita por Dallagnol em 2016 durante denúncia contra o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na ocasião, um slide em PowerPoint colocou Lula no centro de um diagrama cercado por expressões ligadas ao suposto esquema investigado. A imagem se tornou símbolo tanto do apoio quanto das críticas à operação.

Posteriormente, decisões judiciais apontaram excessos em procedimentos da Lava Jato, e parte das condenações relacionadas ao caso do ex-presidente foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por questões processuais e de competência.

Dallagnol, por outro lado, sustenta que houve enfraquecimento dos mecanismos de combate à corrupção após o avanço da operação.

Segundo ele, mudanças institucionais produziram um ambiente menos favorável para investigações envolvendo agentes políticos. “Hoje, quando um caso chega em político, muitos passaram a tocar a bola de lado”, afirmou.

Ele também disse que integrantes da Lava Jato passaram a sofrer perseguições e que houve redução da disposição institucional para avançar em investigações sensíveis.

Na vida política

Depois de deixar o Ministério Público, Dallagnol concorreu à Câmara dos Deputados e foi eleito em 2022 com a maior votação do Paraná. O mandato, porém, durou poucos meses.

Em maio de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu por unanimidade cassar seu registro e retirar seu mandato sob entendimento de que ele teria deixado o cargo no Ministério Público quando ainda havia procedimentos administrativos capazes de resultar em inelegibilidade futura. O tribunal entendeu que houve tentativa de contornar regras da Lei da Ficha Limpa.

Dallagnol rejeita essa interpretação e afirma que continuará buscando espaço institucional para defender mudanças legislativas.

Entre as bandeiras que diz priorizar estão o endurecimento de mecanismos de responsabilização de agentes públicos e a criminalização do enriquecimento ilícito.

O Litoral como foco econômico

Na área da segurança pública, o ex-deputado também defende alterações na legislação penal e voltou a defender a redução da maioridade penal para crimes graves.

Ao tratar do Litoral, afirmou que pretende defender ampliação da capacidade operacional do Porto de Paranaguá e investimentos em logística como estratégia para aumentar a competitividade econômica do estado.

Nós precisamos ampliar a capacidade do porto para não perder para Santa Catarina”, disse.

Ao encerrar a entrevista, Dallagnol afirmou que pretende combinar crescimento econômico, preservação ambiental e mudanças legislativas em Brasília.

A tentativa de retornar ao Senado recoloca no debate uma figura que reúne avaliações opostas no cenário nacional: para apoiadores, um símbolo do combate à corrupção; para críticos, um personagem associado aos excessos atribuídos à Lava Jato e à judicialização da política brasileira.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.

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