SAMU afirma que criança já estava morta quando família pediu por atendimento; familiares alegam negligência


Por Redação Publicado 20/04/2022 às 13h04 Atualizado 17/02/2024 às 06h45

Na terça-feira (19), uma postagem nas redes sociais gerou muita indignação e comoção nos moradores de Paranaguá. Um perfil identificado como Jonathan Rosario publicou que, por falta de médico na unidade de saúde da Ilha dos Valadares e no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), “uma criança especial veio a falecer”.

A criança era Adrian, um menino de 9 anos que, segundo o tio Josias do Rosário, tinha uma doença que “não era muito conhecida no meio médico, mas o que agravava mais era como ele respirava e se alimentava”. Na terça-feira (19), ele teve um quadro de broncoaspiração, quando alimentos, líquidos, saliva ou vômito é aspirado pelas vias aéreas.

Minha irmã, no afã de querer resolver as coisas, pegou ele no colo e saiu com meu cunhado para o posto de saúde. Chegando lá, as enfermeiras atenderam prontamente para reanima-lo. Ele esboçou reação de que queria voltar à vida, mas não foi possível”, conta.

Além disso, ele também comenta que a família foi informada que na unidade de saúde não havia médicos no momento. “Antes disso, ligamos para o SAMU para dar um respaldo e também foi informado que não havia médico de plantão naquele horário”, diz.

Segundo ele, o auxílio médico chegou após 50 minutos. No entanto, Adrian já havia morrido.

Josias do Rosário é tio de Adrian e deu entrevista à TVCI, nesta quarta-feira (18). Foto: Reprodução/TVCI
SAMU diz que atendeu o chamado e prefeitura também

O JB Litoral procurou a prefeitura de Paranaguá e o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Litoral do Paraná (Cislipa), que administra o SAMU, para esclarecer a situação.

De acordo com a secretaria municipal de Saúde e com a Fundação de Assistência à Saúde de Paranaguá (FASP), na terça-feira (19) pela manhã, foi recebida a informação de que um paciente de 9 anos de idade foi encaminhado por meios próprios à Unidade de Pronto Atendimento “Rodrigo Gomes”, na Ilha dos Valadares, para atestar o óbito após orientação do SAMU.

Reiteramos que, apesar do estado clínico do paciente, este foi prontamente atendido pela equipe de saúde, inclusive com remanejamento de profissional médico àquela Unidade, tendo sido realizadas tentativas de reanimação e prestado todo o suporte necessário”, informa.

A prefeitura destaca que não houve “qualquer omissão no atendimento ao paciente”. “Lamentamos profundamente o passamento ocorrido e prestamos nossa solidariedade aos familiares”, diz.

Já o Cislipa afirma que o SAMU recebeu a ligação através da central de regulação às 9h08, e foi solicitado por um familiar da vítima uma equipe para constatação do óbito, que ocorreu por volta das 8h50, na Ilha dos Valadares.

O SAMU Litoral esclarece que, por se tratar de uma solicitação de constatação de óbito, não se trata de atendimento de emergência, mesmo assim realizou atendimento ao chamado e levou equipe médica até o local para constatação de óbito. Ressaltamos que as informações veiculadas em meios de comunicação onde apontam negligência de atendimento pela equipe do SAMU são inverídicas e não condizem com a realidade”, finaliza.