Crianças da rede municipal aprendem a fazer repelentes caseiros e distribuem para a comunidade de Paranaguá

Na Escola Municipal do Campo José Chemure, localizada na Colônia Maria Luiza, em Paranaguá, as crianças aprendem e ensinam a produzir repelentes caseiros de forma rápida e barata. O projeto criado pelo mestre em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Francisco Xavier da Silva de Souza, é patrocinado pelo Edital Água 2023 do Instituto Mosaic e tem parceria com a UFPR, que cede o laboratório para que o pesquisador desenvolva novas fórmulas de repelentes com produtos nativos da região.
Com uma base de álcool, cravo, óleo de amêndoa, fixador e essência, a ideia de produzir os repelentes surgiu após a epidemia da dengue que se alastrou pelo estado e fez centenas de vítimas em Paranaguá, entre 2015 e 2016, conta o professor Francisco. Ao perceber o avanço da doença, o pesquisador resolveu expandir sua área de pesquisa, até então focada em patologias transmitidas pela água, e buscar alternativas para evitar o contágio pela dengue.
“Começamos a pesquisar plantas que tivessem efeito repelente. Foi ali que iniciamos o estudo e fizemos o plantio de citronela. Porém, como ela demora cerca de seis meses para dar muda, também pesquisamos o repelente a base de cravo-da-índia que usamos até hoje na produção”, conta o professor.
Um trabalho conjunto
A distribuição do repelente caseiro foi iniciada em 2016 com patrocínio de diversas empresas privadas. Desde então, dezenas de professores voluntários, estudantes de graduação da UFPR e as secretarias estadual e municipal de Educação abraçaram a causa, que impacta diretamente no aprendizado das crianças e jovens da Escola Municipal Campo José Chemure, em Paranaguá, e do Colégio Estadual Porto da Linha, em Guaraqueçaba, que produzem e distribuem os repelentes.
“Nosso objetivo é que as crianças tenham esse conhecimento das plantas nativas da região para darmos um retorno para a sociedade. É um produto barato e de fácil acesso que pode evitar diversas doenças transmitidas pelo mosquito”, explica Francisco.
Para a professora Marli Rainert, além do conhecimento de disciplinas como Matemática, Ciências e Química, o projeto gera um sentimento de pertencimento às crianças da colônia, que distribuem o repelente para a família e outros membros da comunidade.
“Esta iniciativa desperta o amor pela comunidade, porque elas estão produzindo e isso está dando frutos. Até agora, distribuímos para o Mosaic, na Semana do Meio Ambiente, na feira das Profissões da UFPR e na própria colônia, já que temos muitos mosquitos aqui e casos de dengue”, diz Marli.
A secretária municipal de Educação, Tenile Xavier, avalia a prática como parte essencial do processo de aprendizagem das crianças. Para ela, o protagonismo dos alunos gera um conhecimento que eles devem levar por toda a vida.
“Perceber que este trabalho faz sentido para as crianças é o que dá sentido ao nosso trabalho. Enxergá-los como protagonistas dessa iniciativa é muito gratificante. Por isso, temos apenas a agradecer ao professor Francisco e ao Instituto Mosaic por patrocinar essa ideia”, afirma a secretária.

Expansão do projeto
A diretora do Departamento da Educação da Prefeitura, Joice Pereira, conta que o objetivo é expandir a atuação do projeto para outras cinco escolas municipais localizadas nas colônias Maria Pereira, Maria Luiza, São Luiz, Morro Inglês e Rio das Pedras.
“Nossa intenção é fazer parcerias, trocas e levar para outras escolas das colônias. Então, vamos desenvolver o projeto com este público prioritário das colônias e depois expandiremos para a zona urbana de Paranaguá”, destaca a diretora.
Comunidade pode fazer em casa
O professor Francisco explica que a fórmula não possui substâncias perigosas, por isso, a comunidade é incentivada a produzir por conta própria o repelente, já que o projeto não dá conta da demanda.
“Cada frasco sai em torno de R$ 3,80 por causa do óleo de amêndoa que encarece o produto. Por isso, recomendamos que as pessoas também façam em casa, é barato, rende bastante e é uma alternativa acessível para todos”, ressalta.
Receita
Para fazer o repelente, é utilizado um litro de álcool 92%, 50 gramas de cravo-da-índia (ou 10g de folha de cataia), 10ml de essência de cravo (ou outra essência que a pessoa preferir, contanto que não seja doce) e 10ml de fixador (tanto a essência quanto o fixador podem ser adquiridos em farmácia de manipulação).
O primeiro passo é misturar o álcool ao cravo num recipiente de vidro e agitar por 2 minutos (é importante que o recipiente seja de vidro para não haver nenhum tipo de contaminação na reação química).
Após agitar, deve-se cobrir o vaso de armazenamento com uma sacola plástica em local escuro. Diariamente, é preciso agitar o conteúdo por 2 minutos e depois guardar novamente. Passados 14 dias, deve-se filtrar o conteúdo e utilizar um liquidificador para misturar a substância ao fixador, ao óleo e à essência.
No liquidificador, bata por 2 minutos até a mistura ficar homogênea. Após este passo, o repelente está pronto para uso. A recomendação é que ele seja reaplicado a cada 3h e a validade é de cerca de um ano.





