Cinco de outubro é o Dia Mundial de Combate à Meningite. Os números da doença registrados este ano, no Paraná, são ligeiramente menores do que o mesmo período de 2024. Porém, mesmo com menos casos, houve mais mortes. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) informou ao JB Litoral, neste ano (Semana Epidemiológica 39), há a confirmação de 936 casos, com 93 mortes. Em 2024, no mesmo período (SE 39), foram 998 registros e 86 óbitos. Portanto, em 2025, até agora, houve um aumento de 8,13% dos casos letais de meningite. Mas, esse crescimento, é ainda maior quando se trata dos casos mais graves.
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Ainda de acordo com dados da Sesa, até a SE 39, os números gerais de meningite apresentaram queda de 6,4% em relação ao mesmo período de 2024. No entanto, houve aumento expressivo nos casos de doença meningocócica, que somaram 49 infecções e 13 óbitos — altas de 96% e 225%, respectivamente, em comparação ao ano anterior.
Os casos registrados apenas em municípios do Litoral não foram revelados pela Sesa.

Qual a diferença?
A meningite é a inflamação das meninges (três camadas de membranas que revestem e protegem o cérebro e a medula espinhal), que pode ser causada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas, enquanto a doença meningocócica é uma condição específica causada pela bactéria Neisseria meningitidis (meningococo), que pode causar meningite e/ou septicemia (infecção generalizada no sangue). Em resumo, a doença meningocócica é a causa, e a meningite meningocócica é uma manifestação da doença, sendo uma das formas mais graves de meningite.
Cobertura vacinal
A Sesa também informa que, em 2024, o Paraná atingiu 91,89% de cobertura vacinal contra doenças meningocócicas na primeira dose (menores de 1 ano). Esse índice é superior ao nacional, que atingiu 81,6% de cobertura.
Em 2025, a cobertura vacinal das crianças menores de 2 anos da vacina meningo C 2ª dose é de 84,98% e para reforço com ACWY, aos 12 meses, 89,33%.
Segundo o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, os números demonstram a necessidade de atenção. “A meningite é uma doença grave, porém pode ser prevenida e tratada quando diagnosticada rapidamente. Nosso papel é manter a população informada para que os sinais não passem despercebidos. Também reforçamos a importância da vacinação e das medidas de prevenção no dia a dia”, ressaltou.
A transmissão ocorre pelo contato próximo entre pessoas, por meio da fala, tosse ou espirros. Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de cabeça intensa, vômitos e rigidez na nuca. Em situações mais graves, podem ocorrer convulsões e o aparecimento de manchas vermelhas na pele, chamadas petéquias. Nos bebês, os sinais podem incluir irritabilidade, recusa alimentar, choro frequente e até mesmo hipotermia.
Quem deve receber os imunizantes
O Programa Nacional de Imunização (PNI) disponibiliza gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), vacinas que protegem contra diferentes agentes causadores da meningite. A BCG é aplicada logo após o nascimento. As vacinas meningocócicas, como a meningo C e a ACWY, são aplicadas nos primeiros meses de vida (meningo C, com uma dose aos três meses de idade, e uma com 5 meses) e têm reforços na infância e adolescência (ACWY com reforço aplicado aos 12 meses de idade e dos 11 aos 14 anos).
Outras vacinas importantes são a pentavalente, aplicada aos 2, 4 e 6 meses, e a pneumocócica 10, aplicada aos 2 e 4 meses, com reforço no primeiro ano de vida.
No Paraná, a cobertura vacinal em crianças menores de 2 anos para a maioria desses imunizantes está em torno de 83%, com destaque para a BCG, que ultrapassa 100% da meta de cobertura.
Para a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, mesmo com índices superiores a 80%, é preciso ampliar a cobertura vacinal. “O Ministério da Saúde recomenda que o alcance mínimo seja de 95% para garantir uma proteção efetiva da população. Ainda estamos abaixo dessa meta e, por isso, é fundamental que os pais e responsáveis mantenham em dia a caderneta de vacinação das crianças e adolescentes”, alertou.
Além da imunização, cuidados simples ajudam a reduzir os riscos de transmissão da doença, como manter os ambientes bem ventilados, evitar aglomerações, lavar as mãos com frequência, cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar e não compartilhar objetos de uso pessoal, como copos e talheres. Essas atitudes, associadas à vacinação, fortalecem a proteção coletiva e reduzem o impacto da meningite na saúde da população.
Caso Zoe acendeu o alerta no Litoral
Foi justamente no Dia Mundial de Combate à Meningite, 5 de outubro, que a bebê Zoe de Souza Fonseca, de um ano e quatro meses, morreu, supostamente vítima da doença, como noticiou com exclusividade o JB Litoral. Ela foi atendida com quadro de febre e vômitos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Matinhos, na noite do dia 4. Medicada e liberada, com um diagnóstico de virose, a criança voltou a ser atendida, horas depois, no começo da manhã do dia 5.
Já com o quadro grave, manchas pelo corpo e com dificuldade para respirar, Zoe foi transferida para o Hospital Regional do Litoral (HRL), em Paranaguá, onde morreu três horas após ter dado entrada, pela segunda vez, na UPA de Matinhos.
“No Regional disseram para a gente que era meningite, que já podiam ter entubado lá na UPA de Matinhos, para mandá-la já entubada e ser feito todo o tratamento no Hospital. Também disseram que eles podiam ter feito exames de sangue lá na UPA, da primeira vez que fomos, quando a neném chegou com 40 graus de febre e não foi feito. Em vez disso, mandaram a gente para casa”, disse uma amiga da família, ao JB Litoral.
Em nota, a Prefeitura de Matinhos afirmou que foram seguidos os protocolos de atendimento. E a Sesa informou, também por meio de nota, que não comenta sobre casos isolados, mas que realiza, de forma permanente, a investigação de óbitos no âmbito da Vigilância em Saúde. “Portanto, o caso mencionado será investigado pela Secretaria”, disse o documento.
No sábado (11), familiares da criança, amigos e moradores de Matinhos participaram de uma manifestação em frente à UPA da cidade. Eles pediram que o caso seja apurado.
“Estou buscando forças do fundo do poço. Estamos aqui para que eles investiguem, para que o caso da minha filha e tantos outros não fiquem impunes. Onde estão os pediatras que deveriam estar atendendo na UPA? A minha filha morreu por negligência“, disse Maria Vitória Gomes de Souza, mãe da Zoe.