Antonina intensifica combate à dengue e segue como o município do Litoral com menos casos


Por Gabriela Perecin Publicado 17/11/2025 às 17h28

Entre os municípios do Litoral, Antonina é o que registra o menor número de casos confirmados de dengue: cinco no total em 2025, segundo o boletim epidemiológico mais recente divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), no último dia 11. Desde o início do ano, o município tem intensificado as ações de combate e prevenção para evitar a transmissão da doença. O trabalho ganha ainda mais importância neste período, próximo à temporada de verão, quando os casos tendem a aumentar.

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Estudos têm ajudado Prefeitura a controlar a doença no município, com identificação das áreas com maior infestação do mosquito. Foto: Prefeitura de Antonina

Em janeiro de 2024, o 21º Informe Epidemiológico, publicado pela Vigilância Ambiental da Sesa, informava que Antonina tinha o maior quantitativo de casos de dengue do Litoral. Dos 1.014 casos confirmados no período (entre julho de 2023 e janeiro de 2024), 544 estavam em Antonina.

No último boletim, em ordem crescente, após Antonina vem Guaraqueçaba, com 13 casos confirmados de dengue; Guaratuba (44), Matinhos (41); Morretes (40); Pontal do Paraná (113); e Paranaguá, que aparece com 920 casos. Desde 4 de fevereiro de 2025, a Sesa passou a divulgar o índice de dengue com dados anuais e não mais por período epidemiológico.

O médico veterinário e coordenador geral da Vigilância em Saúde de Antonina, Carlos Eduardo de Abreu Calixto, explicou que o município está com 99 notificações de casos com três ou mais sintomas para dengue e que, desses, apenas cinco foram confirmados. Desde o surgimento de suspeitas da doença, as equipes formadas por agentes de endemias realizam bloqueios de 300 metros ao redor da residência das pessoas notificadas.

“O bloqueio ocorre tanto para a retirada de criadouro quanto para o uso da bomba costal”, disse Carlos. Quando há um morador com suspeita de dengue, é solicitado exame de sangue e enviado ao Laboratório Central do Estado (Lacen).

Estudos ajudam a identificar os bairros com mais casos

Antonina tem 88 armadilhas espalhadas pela cidade, que são colocadas a cada 15 dias. Essas amostras são analisadas para verificação da quantidade de ovos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Desta forma, são identificadas aquelas que ultrapassam a média sequencial e, nestes casos, é feito um bloqueio de 200 metros ao redor das áreas onde estão as armadilhas, como explicou o coordenador.

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Equipes da Vigilância Ambiental intensificam as ações, vistoriando imóveis e até bueiros para eliminar focos da dengue. Foto: Prefeitura de Antonina

Segundo ele, o município aumentou o número de Agentes Comunitários de Endemias (ACE), de dois para cinco. Mas, a intenção é formar uma equipe com nove profissionais. A diretriz nacional preconiza a proporção de um Agente para cada 800 a 1.000 imóveis, o que corresponde a uma média de 20 a 25 imóveis visitados por dia. 

As equipes realizam um mapeamento da cidade para identificar e acompanhar os locais e bairros com mais casos ou suspeitas de dengue. “Parece um trabalho artesanal, mas é um método aberto para toda a equipe, nas suas diversas formas cognitivas, o que leva a um pronto entendimento dos locais e da forma de trabalhar em cada segmento da cidade”, disse Carlos, em conversa com o JB Litoral.

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Município tem hoje 99 notificações de casos com três ou mais sintomas para dengue, desses, cinco estão confirmados. Foto: Prefeitura de Antonina

No último dia 10, Antonina iniciou o LiRAa (Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti), uma ferramenta do Ministério da Saúde utilizada para monitorar o nível de infestação do mosquito da dengue nas cidades. Ele ajuda os gestores municipais a identificarem as áreas com maior concentração do mosquito e a direcionar ações de combate como as campanhas.

“Iniciamos o LIRAa em Antonina, em 58 quarteirões que foram sorteados aleatoriamente. Há um programa no sistema que realiza este sorteio, já que cada quarteirão é numerado. Este trabalho é realizado desde a municipalização das ações, em 1998”, afirmou o coordenador da Vigilância em Saúde.

Os resultados do levantamento indicam o percentual de imóveis com focos, o tipo de criadouro predominante (em lixo, depósitos de água, etc.) e a distribuição geográfica desses focos. 

Trabalho de conscientização

Outro ponto atribuído para o baixo índice de casos é o trabalho de conscientização realizado junto à comunidade. Conforme Carlos Eduardo Calixto, são feitas atividades em escolas municipais e estaduais, com palestras, apresentação sobre a forma de trabalho das equipes e demonstração do uso de microscópios para identificação das larvas do mosquito transmissor. Além de atividades de esclarecimentos com a comunidade pesqueira na Colônia dos Pescadores Z-8.

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