Após denúncias, Prefeitura admite falta de profissionais e anuncia projeto para famílias de crianças autistas
Na última quarta-feira (2), foi celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. No entanto, em Paranaguá, a maior cidade do litoral do Paraná, a data trouxe mais protestos do que motivos para exaltar a data como algo positivo. Na ocasião, conforme reportagem publicada pelo JB Litoral, mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) denunciaram a suspensão de terapias e a ausência de professores auxiliares nas escolas.

O cenário preocupa, já que o diagnóstico precoce e o acesso contínuo a terapias são considerados essenciais para o desenvolvimento de crianças com TEA. Segundo as mães informaram ao JB Litoral, entre as atividades interrompidas estariam psicoterapia, musicoterapia, teatro, futebol, além de atendimentos com terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e médicos neurologistas.
Diante das denúncias, o JB Litoral buscou esclarecimentos junto à Prefeitura de Paranaguá, com questionamentos direcionados às Secretarias de Inclusão, Saúde e Educação. Mas até a publicação desta reportagem, a Secretaria de Educação não havia respondido, deixando as famílias sem um posicionamento sobre quando e como será resolvido o problema da falta de professores auxiliares, que são os profissionais responsáveis por acompanhar cada aluno com TEA, adaptando as atividades de forma que a criança consiga aprender o conteúdo e se desenvolver como os demais estudantes.
O que diz a Prefeitura
O primeiro contato com a Administração Municipal foi feito no mesmo dia em que o grupo de mães fez a denúncia (1º de abril), com questionamentos direcionados às secretarias de Educação, Saúde e Inclusão. As respostas relativas à Inclusão chegaram na quinta-feira (3) e as da Saúde, na sexta-feira (4), após novo contato da reportagem, reiterando o pedido de resposta.
Segundo a Secretaria Municipal de Inclusão (Semi), atualmente o atendimento é feito com uma assistente social, uma fonoaudióloga e uma psicóloga. Ainda de acordo com a pasta, o Centro Municipal de Avaliação Especializada (CMAE) conta com três psicólogas, uma fonoaudióloga, uma terapeuta ocupacional, uma assistente social e três professoras psicopedagogas avaliadoras. Também, dois médicos neurologistas e um psiquiatra – o outro profissional de psiquiatria já havia sido remanejado para o Ambulatório de Saúde Mental e continua, segundo a Administração Municipal, atendendo aos pacientes que já eram acompanhados por ele.
“Uma terapeuta ocupacional e uma fonoaudióloga retornaram para a Secretaria de Saúde e uma terapeuta ocupacional se aposentou, a fonoaudióloga que retornou para a Saúde também está em processo de aposentadoria, e duas psicólogas que foram desligadas no final de 2024.”
A Semi adiantou que será lançado nesta quarta-feira (9) um projeto voltado às famílias.
E a Secretaria Municipal da Saúde (Semsa) reconheceu que o número de profissionais não é suficiente para atender toda a demanda da população.
“Estratégias estão sendo estudadas para diminuir filas. Lembrando que até o ano passado não havia atendimento de fonoaudiólogos na Semsa, pois os dois profissionais ocupavam cargos de gestão. Quanto à Terapia Ocupacional, a Semsa possui apenas um profissional para atender à demanda. A prefeitura está em tratativa para repor os profissionais que se aposentaram”, disse a pasta em resposta ao JB Litoral, sem estimar prazos.
Como era
De acordo com a equipe da gestão do ex-prefeito Marcelo Roque (PSD), ao final do mandato, a Secretaria de Inclusão atuava com nove serviços, todos em atendimento. São eles: Equoterapia, Centro de Autismo, Cmae, CAEDV, Central de Libras, Dislexia, TDAH e Terapias Especializadas para todas as deficiências.
“Ao todo, entregamos o setor realizando aproximadamente 2.800 atendimentos mensais, garantindo suporte a milhares de crianças e famílias.”
Em relação à equipe, a informação foi a de que 80% dos servidores eram funcionários de carreira, incluindo os ocupantes de cargos de gestão.
“A nossa equipe era composta por 3 terapeutas ocupacionais; 3 fonoaudiólogas; 6 psicólogas; 1 fisioterapeuta; 22 professoras (psicopedagogas); 4 professoras bilíngues; 6 estagiários; 2 psiquiatras; 2 neurologistas; 1 assistente social; 5 auxiliares de serviços gerais e 19 profissionais em cargos de suporte. Além disso, mantivemos um programa completo de atividades complementares, como musicalização, teatro, capoeira, futebol inclusivo e natação”, finalizou.
O JB Litoral segue acompanhando a questão e com espaço aberto para que a Prefeitura de Paranaguá detalhe à população quando e como as terapias serão restabelecidas, assim como o atendimento por professores auxiliares.
