Em dia que entra para a história, “beijo da ponte” conclui ligação por terra entre Guaratuba e Matinhos
Momento simbólico do “beijo da ponte”, quando as duas estruturas da Ponte de Guaratuba se encontram e passam a formar um único trecho contínuo.
O nome oficial é “concretagem da aduela de fechamento”, mas também pode ser chamado de “beijo da ponte”. Foi com esse encontro da última estrutura entre as duas partes da ponte, na noite de quinta-feira (5), que Matinhos e Guaratuba estabeleceram a primeira conexão por terra da história, momento que marcou a integração definitiva das cidades do Litoral do Paraná pela ponte que está perto de ser finalizada.

A concretagem marcou o momento em que os dois lados do trecho estaiado, que avançaram separadamente a partir dos apoios 4 e 5, se encontraram e passaram a formar uma única estrutura contínua com a parte pré-moldada.
Segundo o Governo do Estado, foram concretados aproximadamente 2 metros, com a aplicação de 44 m³ de concreto. Embora seja um trecho relativamente curto, trata-se de uma etapa delicada na construção de pontes, porque exige precisão milimétrica e controle estrutural rigoroso.

O governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) visitou a obra na manhã de sexta-feira (6) e ajudou a concretar o último metro cúbico que faltava. Ele foi um dos primeiros civis a fazer a travessia simbólica entre as duas cidades e colocou uma placa no local para eternizar o momento da construção da ponte, realizada a partir de um investimento de, pelo menos, R$ 488 milhões (valor até dezembro de 2025) do Executivo Estadual.
“Estamos felizes de estar aqui junto com todos os trabalhadores, com a equipe que trabalhou 24 horas por dia, e somou 3 milhões de horas trabalhadas nesta obra, para que pudéssemos realizar esse grande sonho e entregar para a nossa população. É um dia de vitória para todos os paranaenses. A Ponte de Guaratuba passa, agora, a integrar os dois municípios pela primeira vez na nossa história”, disse.
INTEGRAÇÃO VAI ALÉM DA BAÍA
Os prefeitos de Guaratuba, Mauricio Lense (Pode), e Matinhos, Eduardo Dalmora (PL), também participaram do ato simbólico.

“É um grande presente que ganhamos. Todo o litoral paranaense e todo o estado do Paraná também. A ponte vai integrar Guaratuba com Matinhos e com Santa Catarina. Seremos um só município: Guaratuba, Matinhos e Pontal do Paraná”, declarou Dalmora.
“Estamos a 77 km da maior cidade de Santa Catarina. Eu não tenho dúvida que o pessoal de Joinville vai vir investir em Guaratuba, vai investir em Caiobá e em Pontal. Essa ponte vai trazer progresso e vai melhorar a qualidade de vida da nossa população”, completou o prefeito de Matinhos.
Já Maurício Lense utilizou a fala durante o ato simbólico do beijo da ponte para agradecer ao governador.
“Estamos realizando esse sonho graças a uma pessoa que sonhou isso também, mas sonhou acordado e, com isso, a ponte está acontecendo na realidade. O nosso país precisa de pessoas que tenham esses sonhos e essa vontade no coração de realizar as mudanças que tanto precisamos”, disse o prefeito de Guaratuba, em alusão à possibilidade de Ratinho Jr. se candidatar à presidente da república.
TESTEMUNHA DA HISTÓRIA
Entre os muitos presentes na solenidade, estava um senhor de cabelos brancos, mas com a memória de fazer inveja a qualquer estudante. João James de Oliveira Alves, 91 anos, mais conhecido como Seu Janjão, trocou Santa Catarina por Guaratuba, sendo o primeiro comandante do ferry-boat, onde atuou na travessia de 1962 a 1978.

“O nome do barco era ‘Engenheiro Ayrton Cornelsen’. Transportava dez automóveis e um caminhão leve. Não passava ônibus”, relatou, após cumprimentar o governador.
Na região de Caieiras, Janjão foi pioneiro. Ajudou a construir escola, atuou no movimento por um acesso exclusivo para a localidade, deu aulas para formar mestres em ferry-boat, como também são chamados os comandantes.
Durante os mais de 15 anos no comando da travessia, primeiro com o barco Ayrton Cornelsen e depois com as embarcações Iguassu e Tibagi, Janjão viu de tudo um pouco. Transportou autoridades, como o governador Ney Braga e o ex-presidente paraguaio Alfredo Stroessner, que se exilou na cidade por dois meses após ser deposto, em 1989. Levou de artistas a pessoas comuns.
Tendo trabalhado desde o início da travessia, Janjão sabe da importância que o ferry-boat teve para o desenvolvimento de Guaratuba. Foi por meio dele que a cidade cresceu, se desenvolveu e tornou-se uma das principais cidades litorâneas do Sul do País.
Mas ele também entende a importância que a ponte terá para garantir que esse desenvolvimento possa continuar. “O ferry-boat, às vezes, faz fila que vai lá no centro da cidade. Leva horas e horas esperando para atravessar. Pelo desenvolvimento atual, pelo grande número de veículos que circulam na cidade e na estrada, a ponte, sem a menor dúvida, é uma grande obra para nós”, disse.
A PONTE
A obra da Ponte de Guaratuba é uma iniciativa do Governo do Estado do Paraná, sob a coordenação do DER/PR, autarquia da Secretaria de Infraestrutura e Logística (SEIL), executada pelo Consórcio Nova Ponte. As obras começaram em 2023 e a conclusão está prevista para o próximo mês de abril.

Quando estiver finalizada, a estrutura terá mais de 1.200 metros de extensão, com quatro faixas de tráfego, duas faixas de segurança em cada sentido, calçadas com ciclovia e guarda-corpos. Considerando ainda os acessos terrestres nas duas entradas da ponte, a obra vai abranger pouco mais de 3 km.
