Caiçara de berço: Pontal do Paraná certifica escolas com o selo voltado à valorização da educação ambiental e da cultura oceânica
O Brasil, em apoio ao 14º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que visa preservar a vida marinha até 2030, aderiu ao projeto Escola Azul, com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A iniciativa está sendo implementada em escolas de todo o país, com o objetivo de promover a Cultura Oceânica entre os estudantes, despertando a conscientização sobre a importância dos ecossistemas aquáticos e da necessidade de sua preservação.

Na quinta-feira (5), data em que se celebrou o Dia Mundial do Meio Ambiente, Pontal do Paraná lançou o Selo Escolas Azuis e sancionou a Lei do Currículo Azul. Em uma ação inédita, o município tornou-se o primeiro do Brasil a certificar todas as escolas públicas, municipais e estaduais, com o selo voltado à valorização da educação ambiental e da cultura oceânica.
Refrência nacional
Segundo a coordenação nacional, até novembro do ano passado, 343 escolas das redes pública e particular, em 21 estados brasileiros, já estavam cadastradas no programa. Com a adesão de 100% da rede pública de Pontal do Paraná, a cidade mais jovem do Litoral passa a somar, sozinha, 27 escolas e mais de 6.500 estudantes envolvidos em ações de Cultura Oceânica e educação para a sustentabilidade.
No município, a iniciativa integra o Programa MarMaré, desenvolvido pela Prefeitura em parceria com o Programa Maré de Ciência (UNIFESP), Fundação Grupo Boticário, Projeto Coral Vivo, Coalizão pela Década do Oceano e AMCORESPP – Associação Municipal dos Coletores de Resíduos Sólidos de Pontal do Paraná, além de articulação das Secretarias Municipais de Educação e de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca.
Camila Domit coordena a Coalizão pela Década do Oceano, que reúne todas as universidades públicas que atuam no Litoral, ONGs, Prefeituras, Governo do Estado, associações de moradores, entre outras entidades. Para ela, é fundamental levar a cultura oceânica para o ambiente escolar.
“A ideia do currículo azul é levar a realidade dessas crianças para dentro da escola. Mas também vai além de apenas conhecer o seu território, e sim valorizar o seu território, as práticas tradicionais, a cultura local, conhecer sua biodiversidade, reconhecer também o seu papel como ente de transformação, de tomada de decisão”, disse ao JB Litoral durante o lançamento do selo.
“As crianças já vão se desenvolver em um outro ambiente, irão tomar um pouco mais de posse da sua área, irão compreender de que maneira elas também podem garantir a manutenção da qualidade dos seus ecossistemas, além de transformarem a sua família, a sua realidade local, e garantir a questão de saúde para essa geração e para as próximas gerações”, completou Domit.
O selo
O Selo Escolas Azuis reconhece instituições de ensino que desenvolvem práticas pedagógicas voltadas à preservação dos oceanos, rios e ecossistemas costeiros. Como as atividades vão abranger todas as idades, a secretária municipal de Educação, Cíntia Mendes, ressaltou a importância da linguagem apropriada a cada faixa etária.
“Temos toda a preparação de materiais próprios para cada idade, para que os professores também possam ampliar ainda mais esse conhecimento. E o quintal da nossa casa é o oceano, a sustentabilidade desse lugar é oceano e a gente fica muito feliz de ver todas as instituições do Município engajadas nesse propósito”, destacou Cíntia.
Uma das escolas que estava representada no lançamento do selo era o CMEI Água Viva, de Pontal do Sul. A diretora da unidade, Janaína Alves, contou ao JB Litoral o que muda com a iniciativa.
“É um privilégio, porque estamos tendo um suporte, uma estrutura maior para fazer algo que sempre fizemos, mas num nível muito pequeno. Então, agora é um olhar diferente, com apoio, com ajuda, para trabalhar aquilo que é a nossa cultura local. Isso tem sido muito gratificante. Eu acho que é tudo que a gente precisa, ter mais contato com aquilo que é nosso”, detalhou a gestora da escola que atende a 50 crianças.
Com a municipalização do tema, por meio da Lei do Currículo Azul, ficou estabelecida a inclusão de temas como cultura oceânica, segurança hídrica e justiça climática no currículo escolar, assegurando o tratamento contínuo desses conteúdos no ambiente educacional.







