CRAS de Paranaguá encerram o ano com atividades especiais para pessoas atendidas; participação masculina foi surpreendente 


Por Luiza Rampelotti Publicado 25/12/2022 às 12h58 Atualizado 18/02/2024 às 00h49

Paranaguá possui seis Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), unidades que atuam como a principal porta de entrada do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Os CRAS são responsáveis pela organização e oferta de serviços da Proteção Social Básica nas áreas de vulnerabilidade e risco social.

O principal serviço ofertado pelo CRAS é o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), cuja execução é obrigatória e exclusiva. Este consiste em um trabalho de caráter continuado que visa fortalecer a função protetiva das famílias, prevenindo a ruptura de vínculos, promovendo o acesso e usufruto de direitos e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida.

Neste final de ano, os Centros de Referência de Assistência Social da cidade estão realizando atividades muito especiais com seus atendidos, sejam crianças, adolescentes, homens, mulheres ou idosos. Essas ações estão ligadas ao Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), um dos principais serviços socioassistenciais oferecidos.

Os seis Centros de Referência, sendo, CRAS da Ilha dos Valadares, do Nilson Neves, Serraria do Rocha, Vila Garcia, Alexandra e Porto dos Padres, organizam atividades semanalmente com os grupos de crianças, adolescentes, mulheres, homens, idosos e grupos com a comunidade. São inúmeras atividades que aconteceram nos vários Centros de Referência das regiões do município, contribuindo, dessa forma, para o planejamento de estratégias e construção de novos projetos de vida”, explica a secretária municipal de Assistência Social, Ana Paula Falanga.


Atividades em dezembro


Em dezembro, as equipes intensificaram as atividades: já foram realizados passeios na praia, grupos de encontro dançantes e palestras educativas – todos com intuito de fortalecer os laços com as famílias acompanhadas pelas equipes socioassistenciais. No CRAS Valadares, por exemplo, no dia 15, aconteceu o último encontro de 2022 do SCFV mulheres/crianças, com o tema “Celebrando o Natal”.

O CRAS Serraria do Rocha promoveu um passeio de barco com o grupo de idosos; o grupo de mulheres da divisão do Porto dos Padres também se reuniu em um dia especial e divertido, com um passeio de barco pela baía de Paranaguá; o do Nilson Neves levou as crianças e adolescentes atendidas para um passeio na praia; já o grupo de crianças do CRAS Vila Garcia teve uma tarde com o Bom Velhinho, que entregou presentes.

Mas, o mais surpreendente, segundo Ana Paula, foi a atividade realizada pelo CRAS Alexandra com os homens. “Foi uma surpresa, porque achávamos difícil a adesão dos homens na atividade, mas fomos surpreendidas”, conta a secretária.

Grupo de idosos do CRAS Serraria do Rocha fez um passeio de barco pela baía de Paranaguá. Foto: Divulgação


Grupo de homens do CRAS Alexandra


Quem explica sobre o trabalho com o grupo de homens de Alexandra é a coordenadora Evabeli Damaceno. “Vimos a necessidade de incluir os homens nos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, eles também precisam ser ouvidos e receberem orientações especializadas. Os primeiros encontros foram trabalhados temas sobre o resgate da autoestima, torná-lo protagonista da sua história e fazê-lo reconhecer o seu papel na construção de uma sociedade menos violenta. Nosso psicólogo desenvolveu dinâmicas específicas sobre estes temas e eles foram muito participativos”, diz.

Eva conta que o grupo de convivência dos homens surgiu após um evento realizado em parceria com a Secretaria de Saúde, para conscientização da campanha “Novembro Azul”. “Nossa equipe formada pelo psicólogo Guilherme Augusto Marenda Borgo, as educadoras Mariangela Alexandre e Barbara Andreia Ramos Gonçalves, e a assistente social Lázara Luana Otto de Oliveira, percebeu a necessidade de trabalhar algumas questões como igualdade de gênero e cuidado familiar com os homens, entendendo que eles também precisam de acolhimento e orientações. Em seguida realizamos o ‘Café dos Amigos’, com algumas dinâmicas e atividades, e tivemos uma grande adesão”, conta.

Neste fim de ano, os homens aderiram às atividades natalinas do CRAS Alexandra, surpreendendo a equipe técnica. Foto: Divulgação


Espaços de diálogo para os homens


O psicólogo Guilherme Augusto Marenda Borgo, técnico responsável pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, explica sobre a importância de envolver os homens nas atividades. “O CRAS tem, entre seus propósitos, o fortalecimento da função protetiva da família e da comunidade como um todo. Para isso, é preciso que cada pessoa aprenda a cuidar de si, dos demais membros de sua família e comunidade. Nós percebemos que, no caso dos homens, trabalhar o tema da masculinidade seria de extrema importância nesse sentido”, diz.

Ele ainda ressalta que o tipo de masculinidade que predomina na cultura brasileira muitas vezes inibe os homens de buscarem ajuda e cuidarem de si, uma vez que, dessa forma, se mostram vulneráveis. “O homem aprende desde pequeno que precisa ser dominante, forte, ativo e agressivo. Como resultado, temos violência contra as mulheres, crianças, pessoas homoafetivas, entre outros, inclusive contra si próprios, nos altos índices de suicídio masculino. É preciso criar espaços de diálogo onde os homens se percebam nesse contexto e possam tomar um caminho diferente, transformando essa masculinidade que mata e destrói em uma masculinidade que cuida”, comenta o psicólogo. Para 2023, o CRAS Alexandra dará continuidade ao grupo e está confiante de que a participação masculina aumente ainda mais. “Além do grupo de convivência dos homens, temos o de mulheres, gestantes, adolescentes e PAIF, tendo uma média de 70 participantes em atividades de grupo. Essas atividades fazem parte dos serviços oferecidos pelo CRAS destinados prioritariamente para as famílias com perfil para atendimento nos equipamentos da assistência social, trabalho este que busca o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários”, conclui a assistente social do Centro de Referência, Lázara Luana Otto de Oliveira.

NO CRAS Vila Garcia, o grupo de crianças também aproveitou muito a presença do bom velhinho, que levou presentes e muita alegria. Foto: Divulgação