De meninas a mães: casos de gravidez na adolescência crescem no Litoral do Paraná


Por Gabriela Perecin Publicado 23/02/2026 às 17h37

Em 2012, Sthefany dos Santos Pedrotti Brustring levava uma vida comum como qualquer adolescente de 14 anos, indo à escola e seguindo a rotina típica da idade — até se deparar com uma gravidez. Ela e o namorado, nove anos mais velho e hoje seu marido, Arthur Leonardo Brustring Cruz, enfrentaram os desafios que a situação impôs e formaram uma família. Mas nem sempre a história tem um final feliz.

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Casos aumentaram no Litoral do Paraná e exigem atenção da sociedade. Foto: Arquivo pessoal

A gestação precoce acontece mais do que se imagina no Litoral do Paraná. Eles não são os únicos. Apesar da redução nos dados em nível estadual, os casos aumentaram na região e exigem atenção da sociedade.

A gravidez na adolescência é considerada um problema de saúde pública e pode causar complicações para a saúde da mãe e do bebê, além de impactos psicológicos e socioeconômicos, incluindo a evasão escolar.

Sthefany e Arthur são pais de Allyce dos Santos Brustring Cruz (nascida em 2012) e de Sther dos Santos Brustring Cruz (em 2025). “Estava namorando há um ano e meio, estudava, morava com minha mãe, meu padrasto e meu irmão de meses. Quando descobri a gravidez não continuei os estudos. Fiquei um ano sem estudar. Voltei no ano seguinte quando ela estava com seis meses”, contou a mãe.

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Sthefany engravidou aos 14 anos e teve sua primeira filha aos 15; na foto, com o marido Arthur e as filhas Allyce e Sther. Foto: Arquivo pessoal

Sua família duvidou da gestação em uma viagem. “Minha família descobriu quando viajamos no final de ano e eu passei muito mal na ida e na volta. Assim que chegamos, minha mãe me mandou fazer o teste. Foi um choque para todos. Apesar disso, tive apoio de todos desde o primeiro minuto. Agradeço a Deus pela família que me amparou em todos os quesitos, emocional e financeiro”, recorda Sthefany.

Olhando para trás, ela relata que teve que passar por muitos desafios. A descoberta da gravidez, segundo ela, não foi fácil, devido às renúncias que teve que fazer em função da criança.

“Minha filha é minha vida, mas hoje, se pudesse mudar algo, esperaria mais um pouco para tê-la. Pois não é fácil você ter que renunciar seus gostos, suas vontades, e principalmente o auge da adolescência para cuidar de um outro ser que depende totalmente de você. Mas, mesmo com tudo, sou muito grata principalmente a Deus, pois hoje sou uma pessoa melhor”, contou Sthefany.

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Sthefany relatou ao JB Litoral sua experiência com a gestação precoce. Foto: Arquivo pessoal

O sonho de se casar também foi adiado, pois sua mãe não permitiu. O casal se manteve unido até que puderam se casar quando ela completou 18 anos. A segunda gravidez também foi de surpresa, mas diferente da primeira. “Na primeira foi tranquila, já na segunda gravidez tive princípio de pressão alta e pré-diabetes”, afirmou Sthefany.

Ela contou que, em 2012, não tinha conhecimento sobre os métodos contraceptivos e que o assunto não era abordado abertamente na família e nem na escola. “Conhecia de ouvir os outros falarem, mas não entendia muito. Eu até tinha ido na ginecologista com uma tia, onde me passaram o anticoncepcional comprimido, mas não sabia a forma correta de tomar e acabava esquecendo”, disse Sthefany.

Hoje, Sthefany é dona de casa e cuida das duas filhas, mas chegou a se formar em Gestão Financeira e também trabalhou como balanceira.

Casos aumentaram no Litoral

A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) divulgou que o Paraná tem tido resultados positivos na redução da gravidez na adolescência, alcançando uma queda de 20,73% entre 2024 e 2025. No entanto, a questão ainda requer atenção das autoridades.

Os sete municípios do Litoral do Paraná registraram 403 gestações em adolescentes de 10 a 19 anos em 2024; e 447 em 2025, segundo a Sesa. Ou seja, os números aumentaram na região. “Destacamos que a Sesa mantém capacitações constantes aos gestores e profissionais que atuam no Litoral para orientação da população”, informou a Secretaria.

Como medida de prevenção, a Sesa ainda ressaltou que, de forma inédita, os 399 municípios do Paraná aderiram ao Programa Saúde na Escola (PSE), que realiza ações sobre saúde sexual e reprodutiva, fortalecendo o autocuidado e a prevenção para os estudantes.

A principal estratégia adotada para atender as gestantes adolescentes e também as demais é a Linha de Cuidado Materno Infantil (LCMI), que organiza a atenção à saúde de forma regionalizada no Estado. “Isso assegura um acompanhamento completo no SUS, desde o planejamento reprodutivo na Atenção Primária, passando pelo pré-natal qualificado, até o parto e os cuidados no puerpério”, divulgou a Sesa, em nota.

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Paraná registra queda na gravidez na adolescência, mas números aumentam no Litoral; região contabilizou 447 gestações em 2025, segundo a Sesa. Foto: Ari Dias/AEN

Riscos às mães e aos bebês

A gravidez na adolescência não envolve apenas problemas de ordem socioeconômica ou aumento da evasão escolar, mas também riscos à saúde dessas meninas. Segundo o Ministério da Saúde, o Hospital Pequeno Príncipe informou que toda a gravidez na adolescência tem o risco aumentado, mas para as menores de 15 anos, o risco de mortalidade materna aumenta em cinco vezes.

O Hospital Pequeno Príncipe listou alguns dos problemas que a gravidez na adolescência acarreta para as mães e para os bebês. “As adolescentes também podem ter dificuldades no trabalho de parto, eclampsia (consequência da pré-eclampsia, doença que acontece devido à elevação da pressão arterial), anemia e infecção durante a gestação. Já para os bebês, há maior probabilidade de serem prematuros, terem baixo peso ou malformações ao nascer e complicações que podem levá-los ao óbito”, informou o Hospital.

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