Encontro debate empoderamento e desafios da participação das mulheres no setor portuário
Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, o OGMO/Paranaguá promoveu na sexta-feira (14) um evento para discutir a presença feminina no setor portuário e incentivar a liderança das mulheres. Intitulado “Autoestima e Autoconfiança. Seja Sua Melhor Versão!”, o talk show lotou o auditório do OGMO com participantes de diversas áreas do município.

A diretora executiva do OGMO Paranaguá, Shana Bertol, mediou o encontro e destacou a importância da iniciativa para ampliar a inclusão e o reconhecimento profissional das mulheres.
“Nossa missão é criar oportunidades e garantir que as mulheres tenham cada vez mais espaço no ambiente portuário”, afirmou. Especialistas e profissionais se reuniram para debater os avanços e desafios na busca por equidade no setor e na sociedade como um todo.
O evento ressaltou as conquistas femininas em um setor historicamente dominado por homens, além de promover capacitação e sororidade entre as profissionais. Durante o encontro, mulheres inspiradoras compartilharam suas trajetórias, desafios e estratégias para alcançar posições de destaque no mercado.

SETOR PREDOMINANTEMENTE MASCULINO
Na abertura do bate-papo, Shana enfatizou que ainda há um longo caminho para a equidade de gênero. Segundo o Fórum Econômico Mundial, são necessários mais de 100 anos para alcançá-la.
“Conectar mulheres com diferentes trajetórias de vida é essencial para que possamos nos inspirar e seguir em frente”, destacou.
Dados do último levantamento da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) revelam que as mulheres ocupam apenas 17,3% das vagas no setor. No entanto, as empresas de cabotagem lideram a participação feminina, com 34% dos cargos ocupados por mulheres e mais de 30% delas em posições de liderança.
ENFRENTANDO O PRECONCEITO
Entre as convidadas, Marina Cristina Dutra, gerente executiva da Federação Nacional das Operações Portuárias (FENOP), é um exemplo de luta pelo empoderamento feminino no setor. Graduada em Letras, Ciências da Educação e Pedagogia, com especialização em Administração Pública, Engenharia e Gestão Portuária, ingressou no setor em 2003 e cofundou, em 2002, o grupo Mulheres e Portos.
Ela relatou situações de preconceito e subestimação, como quando foi confundida com uma assistente de café em reuniões majoritariamente masculinas.
“Eu cheguei uma vez numa reunião e só tinha homens na mesa. Entrei e eles já me chamaram: ‘Menina, você pode me trazer um café?’ Eu acho que não devo ser a única mulher negra a relatar esse tipo de coisa, mas a posição que eu fui tendo foi muito de bater na mesa e dizer quem eu era”, contou.
Apesar dos desafios, Marina Cristina ressaltou que a formação acadêmica e a experiência foram essenciais para consolidar sua posição. Para ela, a capacitação profissional é a principal ferramenta para que as mulheres se imponham e conquistem cargos de liderança ou tenham liberdade para escolher sua atuação.
“Acho que a coisa mais importante que eu poderia deixar de legado para as mulheres mais novas é que você tem que ir atrás do teu conhecimento, do teu saber, porque isso é tudo. Isso ninguém te tira”, enfatizou.
TERROR DOS MARIDOS
A empresária Melina Moscardi, fundadora do Open Beach Tennis e especialista em fisiologia do exercício, também participou da roda de conversa. Ela destacou a relevância do autocuidado e da autoestima no fortalecimento feminino. Personal trainer e influenciadora digital, ressaltou como o exercício físico pode empoderar mulheres e auxiliá-las na superação de desafios diários.
“Muitas mulheres me procuram porque querem algo estético, mas na verdade, cerca de 90% delas precisam mesmo é de apoio emocional. E aí, a gente faz um trabalho lindo. Como consequência, elas acabam tendo ganhos estéticos, mas passam por um processo de libertação, que as torna mais empoderadas em vários aspectos”, explicou.
Brincando, Melina se autointitula “o terror dos maridos”. “Elas começam a se fortalecer. No início, minhas alunas falam que têm dificuldade de sair de casa para fazer exercício porque se culpam, por terem suas atividades profissionais e domésticas. Parece que aquele tempo não as pertence. Mas, quando começam a se descobrir e percebem os benefícios, elas passam a cuidar melhor de si e dos outros”, disse.
MULHERES NA LIDERANÇA
Jéssica Vizine, mentora e idealizadora do Mulheres que Fazem Acontecer, também compartilhou sua experiência no setor portuário, onde atuou por 12 anos como gestora comercial. Pós-graduada em logística portuária e desenvolvimento humano, ressaltou a necessidade de as mulheres se posicionarem estrategicamente e desenvolverem lideranças de alto impacto.
Ela frisou que o setor, predominantemente masculino, impõe desafios extras, mas que, com qualificação e determinação, é possível conquistar espaços de destaque.
“Nos ambientes como o setor portuário, que tem mais homens, a mulher tem que ser muito melhor para provar seu valor. Quando a gente vê uma mulher em posição de liderança, com certeza teve que se dedicar muito mais para mostrar que tem competência”, pontuou.
Jéssica também alertou sobre a importância do desenvolvimento da inteligência emocional para o crescimento profissional. “A mulher, por natureza, é mais emocional do que o homem. Por isso, precisamos trabalhar muito essa questão para nos desenvolvermos ainda mais”, concluiu.















