Estado anuncia exame que pode custar até R$ 400 para todas as gestantes do Paraná de forma gratuita


Por Gabriela Perecin Publicado 10/04/2026 às 16h51 Atualizado 12/04/2026 às 21h46

O exame, que pode custar até R$ 400 em clínicas particulares, agora será ofertado gratuitamente aos municípios pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa). Trata-se do ultrassom morfológico, realizado entre a 20ª e a 24ª semana de gestação, que funciona como um check-up detalhado do bebê.

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Governo do Estado afirmou que haverá investimento de R$ 15 milhões anuais, por meio de recursos próprios. Foto: Sesa

Segundo a Sesa, o exame específico não faz parte da tabela de procedimentos padrão do Ministério da Saúde. Para garantir o acesso, haverá um investimento do Governo do Paraná de cerca de R$ 15 milhões anuais, por meio de recursos próprios.

“Essa estratégia permite antecipar riscos e proporcionar um cuidado muito mais preciso e humanizado para as famílias paranaenses. É um reforço importante para a Linha de Cuidado Materno Infantil, que foca na assistência integral desde o pré-natal, parto e puerpério, e garante suporte especializado visando saúde e bem-estar para mamães e bebês”, enfatiza o secretário estadual da Saúde, César Neves.

Em nota, a Secretaria informou ao JB Litoral que a ampliação da oferta de exames morfológicos para 100% das gestantes paranaenses está em fase final de regulamentação. Por isso, ainda não há como confirmar onde e como as gestantes serão atendidas para realizar o exame.

“Neste momento, a Sesa está elaborando a resolução técnica que definirá as diretrizes e o fluxo de atendimento para todas as Regionais de Saúde, incluindo a 1ª Regional de Paranaguá”, disse, em nota. A 1ª Regional de Saúde de Paranaguá abrange os sete municípios da região.

Exame pode garantir saúde das mães e dos bebês

Ao identificar malformações ou condições de risco precocemente, é possível encaminhar a gestante para tratamentos de alta complexidade em tempo oportuno, como divulgou a Sesa.

O médico Antonio Marinho Falcão Neto, especialista em Ginecologia e Obstetrícia, em entrevista ao JB Litoral, explicou que existem dois exames morfológicos, no 1º (entre 11 e 14 semanas) e no 2º trimestre (entre 20 e 24 semanas).

A paciente não pode fazer no momento que ela quer, mas dentro dessa janela. Esse exame serve principalmente para detectar riscos genéticos, que são as trissomias, como síndrome de Down e outras. Além de identificar malformações cardíacas, pode fazer uma predição de risco de pré-eclampsia”, disse Falcão.

O especialista acrescentou que o exame exige um bom equipamento e um médico habilitado. Por isso, colocar o anúncio em prática passa por alguns desafios. “Falar que vai fornecer o exame para todas as gestantes, não significa que vai acontecer. Há uma dificuldade muito grande em contratar esses profissionais, pagando pelo preço, já que é um exame caro”, destacou

O 2º morfológico analisa de forma mais detalhada, analisando a formação de órgãos internos como cérebro e coração e rastreia outros tipos de malformação e desenvolvimento do bebê. Além da medida do colo do útero para identificar parto prematuro.

Quando os exames são indicados?

O ultrassom morfológico de primeiro trimestre é indicado, segundo o médico, tradicionalmente, para aquelas mulheres acima de 35 anos, que têm mais riscos de trissomia do que as outras. Além de pacientes que já tiveram bebês com alguma síndrome ou uma morte fetal inexplicada, como explicou o médico.

“O de segundo trimestre, a mesma coisa, é indicado para paciente que teve parto prematuro, morte fetal anterior inexplicada ou que tenha alguma anormalidade no exame de ultrassom comum”, completou Falcão.

Recém-inaugurada, maternidade em Paranaguá registra primeiro nascimento

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Helena foi o primeiro bebê que nasceu na nova maternidade em Paranaguá. Foto: Sesa

Helena Tavares dos Santos foi a primeira criança que nasceu na nova Maternidade Maria de Lourdes Elias Nunes, anexa ao Hospital Regional do Litoral (HRL), em Paranaguá. Os pais, de Pontal do Paraná, receberam a bebê às 4h11 de quinta-feira (9), uma semana após a inauguração.

No mesmo dia, outros cinco partos foram realizados. A unidade entrou em funcionamento na quarta-feira (8), após higienização para estar apta para receber as gestantes, de acordo com a Sesa. No primeiro dia, 58 atendimentos foram registrados no pronto atendimento obstétrico, confirmando a alta demanda regional.

A equipe ainda registrou sete internamentos para trabalho de parto e outros sete internamentos para a realização de cesáreas, totalizando as primeiras 14 internações da nova estrutura.

“Mais do que uma obra de 1,2 mil metros quadrados, entregamos para a população um conceito de atendimento humanizado e seguro. O nascimento da Helena e dos demais bebês foram realizados com toda a assistência tecnológica e humana necessária”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.

A estrutura conta com 23 leitos de internação, três de observação e cinco leitos do tipo PPP (pré-parto, parto e pós-parto). “Acredito profundamente que cada mãe merece ser acolhida com respeito e segurança. Trabalhamos para oferecer um atendimento sensível e centrado na mulher”, afirmou a diretora de Enfermagem da unidade, Juliana Queiroz Araújo.

O investimento na reforma foi de R$ 11,2 milhões pelo Governo do Estado, para atender os sete municípios.

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