Hospital em Antonina adota Projeto Sprint para salvar vidas em casos de infarto


Por Gabriela Perecin Publicado 19/05/2026 às 11h49

O Ministério da Saúde afirma que o Infarto Agudo do Miocárdio é a principal causa de mortes no país. A estimativa é de 300 mil a 400 mil casos por ano e de um óbito a cada cinco a sete ocorrências. O atendimento de urgência e emergência nos primeiros minutos é considerado fundamental para salvar vidas.

foto 2 projeto sprint foto pref de antonina1
A estimativa é de 300 a 400 mil casos anuais de infarto no País. Foto: Prefeitura de Antonina

Em regiões com maior distância de hospitais de alta complexidade, reduzir o tempo de resposta aos sinais de infarto pode ser decisivo para evitar agravamentos e aumentar as chances de sobrevivência. Pensando nisso, Antonina passou a desenvolver o Projeto Sprint, criado para diminuir o intervalo entre a chegada do paciente ao hospital e o início do tratamento.

A implantação aconteceu no Hospital Dr. Silvio Bittencourt Linhares. Na prática, o projeto se baseia na adoção de protocolos mais ágeis e organizados, permitindo a identificação mais rápida do infarto logo nos primeiros atendimentos ao paciente.

A secretária municipal de Saúde de Antonina, Mitsuy Kuriyama, disse que o desenvolvimento do projeto significa um avanço para a cidade, com o fortalecimento do atendimento de urgência e garantia de mais agilidade nos casos de infarto, onde cada minuto faz diferença.

“Com a capacitação das equipes, novos protocolos e o apoio da tecnologia, nossos profissionais passam a atuar de forma ainda mais rápida e integrada, aumentando as chances de salvar vidas”, declarou Mitsuy.

Capacitação das equipes

De acordo com a Administração Municipal, a iniciativa inclui capacitação contínua dos profissionais da saúde, além da utilização de tecnologias que ajudam na tomada rápida de decisões.

foto 1 projeto sprint foto pref de antonina
Profissionais de saúde foram capacitados em Antonina. Foto: Prefeitura de Antonina

Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, biomédicos, farmacêuticos e estagiários participaram de treinamentos sobre atendimento ao infarto e uso da medicação trombolítica, medicamento utilizado para ajudar a desobstruir artérias e restabelecer a circulação sanguínea em pacientes infartados.

A responsável pela capacitação foi a enfermeira Flávia Oliveira, que explicou que o projeto foi pensado justamente para situações em que o paciente não consegue chegar rapidamente a um hospital de referência.

“Existe um tempo recomendado pelas diretrizes mundiais para que o paciente tenha a artéria desobstruída. Em muitos casos, principalmente em cidades menores, esse deslocamento não acontece a tempo. Então, a medicação trombolítica surge como uma alternativa para iniciar rapidamente o tratamento e aumentar as chances de salvar vidas”, destacou Flávia.

Segundo ela, o atendimento ao paciente nessas condições é um trabalho em equipe. “Todos os setores precisam estar alinhados para que esse paciente tenha um atendimento rápido e eficiente”, destacou Flávia.

O Projeto Sprint também inclui a utilização da plataforma “Join”, que simplifica a comunicação e a colaboração entre profissionais de saúde na troca de informações médicas. A ferramenta pode ajudar na definição do melhor tratamento para o paciente em menos tempo.

Acesso a medicamento ajuda a salvar vidas no Litoral

Segundo Roberta Gruber, enfermeira e responsável técnica de enfermagem, além de coordenadora da atenção hospitalar, especializada e ambulatorial do Hospital de Antonina, a implantação do Projeto Sprint representa um avanço importante no atendimento a pacientes com infarto no Litoral, especialmente pela agilidade no encaminhamento para procedimentos especializados.

HOSPITAL MUNICIPAL DE ANTONINA ATUALIZADO 2025 FOTO MATHEUS POLI JB LITORAL (8) (1)
Na prática, o projeto se baseia na adoção de protocolos mais ágeis e organizados. Foto: JB Litoral

“Há alguns anos trabalhamos com o trombolítico. A diferença, agora, é que alguns hospitais e UPAs do Litoral passaram a contar com essa medicação desde o início da Operação Verão. Antes, apenas a ambulância Alpha do SAMU possuía o trombolítico. Quando havia um paciente com infarto, a ambulância era acionada para realizar a medicação, o que acabava aumentando o tempo de resposta”, explicou Roberta.

Segundo ela, o medicamento já fez muita diferença para os pacientes em Antonina. Roberta destacou que o processo também dependia da regulação do SAMU e da disponibilidade de leitos especializados.

“Nossa referência é o Hospital Regional do Litoral, mas lá não há serviço de hemodinâmica. Então, quando o paciente chegava ao hospital, precisava entrar novamente na regulação estadual para ser encaminhado a Curitiba”, afirmou a enfermeira.

A hemodinâmica é uma especialidade médica que diagnostica e trata doenças cardiovasculares por meio de cateterismos. Com o novo fluxo, segundo ela, o atendimento ganhou mais rapidez.

“Agora, a regulação já faz contato direto com o serviço de hemodinâmica, melhorando ainda mais o tempo de resposta para o paciente. O helicóptero também participa dessas remoções quando as condições climáticas permitem”, completou Roberta.

Atenção aos sintomas

Entre os principais sintomas do infarto estão dor ou pressão intensa no peito, que pode irradiar para braços, costas, pescoço ou mandíbula, falta de ar, suor excessivo, náusea e tontura.

Em mulheres, idosos e pessoas com diabetes, os sinais podem aparecer de forma menos típica. Nas mulheres, o infarto se manifesta com sinais sutis, como cansaço extremo, falta de ar, dor nas costas/mandíbula, náuseas e suor frio.

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *