Mais de 100 procedimentos: Matinhos realiza mutirão de cirurgias em parceria com projeto Cirurgilhas, da UFPR
Iniciativa já efetuou mais de mil procedimentos no Litoral; próximos mutirões já têm data para acontecer, saiba onde e quando
O pedreiro Neil Diamond de Lima, 48 anos, morador do bairro Tabuleiro, em Matinhos, aguardava há dois anos para retirar dois cistos, um no punho e outro na perna. Microcirurgias que farão a diferença na qualidade de vida do profissional, uma vez que os cistos o incomodavam para a realização de suas atividades de trabalho.

Assim como Neil, para outras 70 pessoas a espera também terminou. Elas foram atendidas na segunda edição do Mutirão de Cirurgias Laboratoriais, que ocorreu na sexta-feira (19), no Centro de Especialidades Médicas (CEM) de Matinhos. A iniciativa é uma parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde e os projetos Cirurgilhas e Infectilhas, ambos da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Os pacientes selecionados vieram da fila do Tratamento Fora de Domicílio (TFD) e passaram por avaliação médica prévia, na quarta-feira (17), para confirmar a elegibilidade aos procedimentos. As cirurgias foram feitas de forma agendada e seguiram protocolos para garantir segurança e humanização no atendimento, segundo o Município.
O médico Gustavo de Almeida, responsável técnico da Secretaria de Saúde de Matinhos, conversou com o JB Litoral durante a realização do mutirão e explicou quais os principais procedimentos feitos nesta ação.
“Cistos, lipomas, cantoplastia, que é a famosa unha encravada, cistos de cabeça. Em todas essas cirurgias nós conseguimos realizar a anestesia aqui e liberar o paciente na sequência. Estamos fazendo 64 cirurgias. Hoje, a maior parte da nossa demanda está entre cistos epidérmicos e os lipomas. Cisto epidérmico é uma bolinha rígida que conseguimos tirar a cápsula, e o lipoma é um acúmulo de gordura que drenamos e depois suturamos (damos pontos), tentando evitar o retorno, obviamente”, disse.

PROJETO DESDE A FORMAÇÃO
O Projeto Cirurgilhas reúne uma equipe multiprofissional — médicos, enfermeiros, residentes e estudantes — que atuam durante os mutirões, combinando conhecimento técnico e compromisso social. A professora da UFPR, médica cirurgiã-geral e coordenadora do projeto, Silvania Pimentel, explicou que o programa Cirurgilhas tem como objetivo ampliar o acesso à saúde e contribuir para a formação acadêmica, com impacto social relevante.
“Começamos a atuar no Litoral paranaense em 2023, fazendo mutirões de cirurgias ambulatoriais. Desde o início das atividades, já foram efetuados mais de mil procedimentos cirúrgicos, com índices extremamente baixos de complicações. Os resultados têm sido excelentes, inclusive já diagnosticamos e tratamos 11 casos de câncer de pele. Hoje, esses pacientes estão curados”, detalhou Silvania.

No ano passado, o programa promoveu ações em Pontal do Paraná, Matinhos, Guaraqueçaba e em comunidades insulanas. Neste ano, Matinhos voltou a integrar a rota do projeto, especialmente para atender pessoas que possuem lesões que coçam, descamam, sangram ou não cicatrizam.
A coordenadora também ressaltou a participação dos médicos e especialistas em formação na execução do mutirão.
“A cada ação conseguimos trazer de 14 a 20 alunos. Hoje, estamos em Matinhos com aproximadamente 20 alunos. É muito importante, porque na faculdade de medicina, apesar de estarmos em contato direto com o SUS, não sabemos de onde vêm os pacientes, como é a casa deles, onde eles moram, qual a dificuldade de acesso que eles têm, quantos ônibus têm que pegar, barco, quão difícil é chegarem. Então, é uma forma de levar o estudante para essa realidade e formar médicos com uma capacidade de empatia muito maior”, avaliou Silvania.
Emili Magalhães, de 23 anos, estava entre os acadêmicos. Para ela, foi fundamental participar de todo o processo, desde a disciplina de Cirurgia Ambulatorial até a vivência prática no mutirão.
“A gente passa por um sorteio, porque são muitos alunos querendo fazer a disciplina. Então, passamos um semestre acompanhando a Dra. Sil, fazendo todas as cirurgias. Depois disso, passamos por outro processo para se tornar monitor, em que eu fiquei mais um semestre acompanhando os alunos, até que, finalmente, conseguimos participar das ações. Aqui conhecemos a realidade dos pacientes, as lesões que eles apresentam e podemos ajudar de alguma forma”, afirmou Emili, ao JB Litoral.
O próximo mutirão será em Guaraqueçaba (sede), nos dias 2 e 3 de julho, e em Pontal do Paraná, em 14 de agosto. Depois disso, também já estão previstos outros em áreas mais remotas de Guaraqueçaba, nos meses de setembro, novembro e dezembro.
