Merenda escolar de Pontal do Paraná passa a contar com peixe pescado no município
O alimento vem da pesca artesanal; mais de 4 toneladas de filés foram adquiridas via licitação
Nesta quarta-feira (20), os mais de 4 mil alunos da rede municipal de ensino de Pontal do Paraná terão uma merenda diferente no prato: peixes de origem da pesca artesanal, feita no próprio município. De acordo com a Prefeitura até então o produto era adquirido em Santa Catarina.
Agora, espécies como pescadinha bembeca (amarela), betara e peixe-porco chegam às escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs). Os 4.370 kg de filé puro dos pescados, sem espinhas, escamas ou camadas de gordura, foram adquiridos por meio de uma licitação homologada em março deste ano. O valor total do processo licitatório foi de R$ 1,579 milhão e envolveu a compra de todos os alimentos utilizados na merenda escolar, entre diversos tipos de carne, pães, laticínios, entre outros.

A parte que compreende somente o produto da pesca artesanal teve o investimento de R$ 177,8 mil. As entregas dos carregamentos congelados serão feitas mensalmente, igual à realizada no último dia 13, com a presença do prefeito Rudisney Gimenes Filho (MDB), o Rudão Gimenes.
“Nossas crianças vão receber os peixes pescados em nosso litoral, com garantia de qualidade e procedência. Isso incentiva a pesca artesanal, movimenta o comércio local e leva mais saúde para a mesa dos alunos“, afirmou o chefe do Executivo.
Pontalense de coração
O responsável pelo fornecimento dos peixes, e proprietário de uma das empresas licitadas, é Bryan Müller. Morador de Pontal do Paraná desde 2009, quando deixou Jaraguá do Sul (SC) para estudar Oceanografia na UFPR Litoral, ele abraçou a cidade e se declara um pontalense de coração.

“Como morador de Pontal do Paraná e empreendedor, fico feliz não só de ver os pescadores artesanais com mais renda e garantia de fornecimento dos seus pescados por conta da alimentação escolar, como também por vê-los se sentindo mais valorizados na cidade, inclusive pelos seus filhos, que passam a ter acesso nas escolas a um alimento local, saudável e de pescarias mais sustentáveis. É uma cadeia positiva, onde empresa, pesca artesanal, poder público e escolas são beneficiados”, disse em conversa com o JB Litoral.
O empresário também detalha que todo o produto vem com a procedência discriminada na embalagem e que todo o processo é feito por famílias pesqueiras.
“Antes das férias escolares foram entregues 500 kg, sendo retomado o fornecimento agora, na volta às aulas. Todos os nossos pescados indicam no rótulo o nome do pescador, embarcação e comunidade responsável pela captura daquela espécie. E todos são, exclusivamente, da pesca artesanal de Pontal do Paraná. O valor de compra é definido junto com os pescadores, sendo limpos e embalados também por pescadoras e pescadores da comunidade, que recebem por isso”, explicou Bryan.
Desde 2013, já oceanógrafo, Müller conta que se especializou na pesca artesanal do Paraná e em como poderia contribuir com pescadores da região.
“Em 2018, após anos pesquisando, acompanhando no mar as pescarias e me reunindo com as comunidades, entendi que era necessário, urgente e viável um novo modelo de comercialização de pescado: seguindo uma lógica de comércio mais justo, que desse mais visibilidade a quem pesca e que proporcionasse uma cadeia produtiva mais sustentável. E então, em setembro daquele ano, fundei a Olha o Peixe, um negócio de impacto positivo sediado em Pontal do Paraná”, completou o empresário.

Bom para a saúde, mas com consumo abaixo do recomendado
De acordo o Conselho Federal de Nutrição (CFN), o consumo habitual de peixes fornece energia, proteína e uma variedade de outros nutrientes importantes, incluindo ácidos graxos essenciais, como ômega-3, ferro, zinco, cálcio e vitaminas do complexo B. No entanto, mesmo fazendo bem para a saúde, o brasileiro come, em média, apenas 10 kg de peixe por ano, enquanto o japonês consome cerca de 60 kg por ano. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é do consumo de, pelo menos, 12 kg por habitante ao ano.
A nível nacional, a discussão começou a tramitar no Congresso em novembro do ano passado, quando o projeto de lei 1.167/2024, do senador Jorge Seif (PL-SC), que foi aprovado pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado. O projeto prevê que peixe e seus derivados devem ser incluídos no cardápio das escolas públicas ao menos uma vez por semana, de acordo com a disponibilidade orçamentária e a oferta.
Segundo o autor da proposta, que altera a Lei da Alimentação Escolar (Lei 11.947, de 2009), isso contribui para garantir uma dieta variada e equilibrada para os alunos, já que o peixe é fonte de nutrientes relevantes para o crescimento e o desenvolvimento cerebral.
Em Pontal do Paraná, a nutricionista da Secretaria Municipal de Educação, Thais Bordenowski da Silva, reforça a importância do projeto local para a rede de ensino.
“Esse pescado saudável e nutritivo contribui para o desenvolvimento neuropsicomotor e o aprendizado das crianças, ressaltando o cuidado com a merenda escolar no município“, ressaltou.
