Moradores da Ilha do Mel se mobilizam em mutirão e retiram 4,5 toneladas de lixo das praias, incluindo resíduos internacionais


Por Luiza Rampelotti Publicado 19/05/2024 às 00h28 Atualizado 20/05/2024 às 21h54
Mutirão moradores Ilha do Mel Divulgação (1)
Apesar da região ser afastada e desabitada, a equipe encontrou uma grande quantidade de lixo, em sua maioria de origem internacional. Foto: Divulgação

Na última quinta-feira (16), moradores da Ilha do Mel se mobilizaram em um mutirão de limpeza na região da Estação Ecológica, localizada próxima à Ponta Oeste da ilha. O movimento contou com a participação de 38 voluntários, que retiraram cerca de 4,5 toneladas de lixo, compostas principalmente por garrafas PET, plásticos, vidros, isopor e outros objetos.

O organizador do mutirão, Roberto Gonçalves, explicou ao JB Litoral que a iniciativa surgiu por meio de um grupo no WhatsApp utilizado pelos moradores da ilha. “Este foi o primeiro de uma série de mutirões que serão realizados a cada dois meses”, revelou.

A Ilha do Mel possui 95% de sua área preservada, sendo considerada Patrimônio Artístico e Histórico do Paraná, Estação Ecológica, Reserva da Biosfera e Patrimônio da Humanidade. Apenas 5% de seu território é utilizado para ocupação.

Com seu conjunto de mar, morros, manguezais, brejos litorâneos e restingas da Mata Atlântica, a ilha se destaca como um destino especial para o ecoturismo. Para garantir a preservação e a estrutura do lugar, o acesso de visitantes é controlado.

Grande quantidade de lixo internacional

Felipe Andrews, um dos voluntários e nativo da Ilha do Mel, destacou a importância da limpeza para a preservação da natureza. “Para nós, nativos, é extremamente gratificante poder contribuir para a proteção da nossa ilha. Desde a infância, fomos educados com a importância de preservar nosso patrimônio natural”, afirmou.

Apesar da região ser afastada e desabitada, a equipe encontrou uma grande quantidade de lixo, em sua maioria de origem internacional. “É preocupante ver tantos resíduos de outros países, provavelmente provenientes dos navios que atracam na área de fundeio”, lamentou Felipe.

Marinelli Campos Serafim, outra voluntária e nativa da ilha, reforçou que o mutirão foi organizado pela própria comunidade. “Essa iniciativa surgiu do desejo da comunidade que há muito tempo observa o acúmulo de lixo nas praias, principalmente trazido pela maré, na região da Ponta Oeste até a comunidade de Brasília”, explicou.

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A iniciativa do mutirão partiu da própria comunidade, que se organizou por meio de um grupo do WhatsApp. Foto: Divulgação

Comunidade unida

Outra voluntária foi Mayara Rodrigues, chefe de fiscalização do Instituto Água e Terra (IAT) na Ilha do Mel. Ao JB Litoral, ela ressaltou a importância de refletir sobre o consumo de plástico, especialmente os de uso único. “Ações como essa são importantes pra gente parar pra pensar na quantidade de plástico que consumimos, principalmente aqueles de uso único. A quantidade de resíduo plástico nas praias é absurda! Encontramos muitas sacolas de mercado, copos plásticos, garrafas pet, e todo tipo de embalagem de produto alimentício. Além de sapatos, latas de tinta, pedaços de pano e até eletrodomésticos“, disse.

A comunidade se uniu em prol da causa, com cada voluntário contribuindo da forma que podia: alguns providenciaram marmitas para a equipe, outros realizaram a coleta do lixo, e outros cederam lanchas para transportar os sacos coletados até o centro de triagem. “Foi um movimento muito importante e positivo, que pretendemos manter como uma ação contínua da comunidade. É um trabalho árduo, mas necessário e essencial”, destacou Marinelli.

Para manter o projeto ativo, os moradores buscam apoio de empresas portuárias, que geralmente realizam projetos de impacto ambiental próximo ao porto. “Esperamos que elas também se engajem na preservação da Ilha do Mel”, disse Roberto Gonçalves. “Foi um começo importante e um belo gesto de união ver nossa comunidade reunida em prol do meio ambiente”, concluiu.

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