Moradores na Vila Rute, em Paranaguá, relatam mal-estar após cheiro forte na região


Por Gabriela Perecin Publicado 30/09/2025 às 16h22

Cheiro forte, “blocos de gordura” e presença de óleo nas ruas: essas foram algumas das reclamações feitas por moradores da Vila Rute, em Paranaguá, na sexta-feira (26). O JB Litoral conversou com eles para entender como ocorrem esses problemas que têm afetado, até mesmo, a saúde de quem mora na região. A empresa mais próxima do local é a Cattalini Terminais Marítimos, que se manifestou a respeito das indagações dos moradores.

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População relata que problema ocorre com frequência e cobra medidas das autoridades. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

A estudante de enfermagem e moradora na Rua Alzir dos Santos Antunes, Silvane de Paula Matoso, disse que o cheiro estava tão forte que alguns moradores passaram mal. “Acionamos o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil e ninguém apareceu. Não sabemos para onde correr e nem o que fazer. A empresa não dá um retorno sobre nada”, declarou Silvane.

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Silvane afirmou que as autoridades foram acionadas. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Ela ainda relatou que da última vez que choveu, os moradores perceberam óleo na rua, assim como “blocos de gordura” saindo dos bueiros. “Não sabemos a procedência, mas provavelmente deve ser da empresa, porque não tem de onde vir, e quem está em obras são eles, prejudicando aqui a nossa rua com o mau cheiro. Estamos vivendo realmente um caos aqui, estamos pedindo socorro”, afirmou Silvane.

Os transtornos, segundo ela, não são de agora, mas se intensificaram recentemente com a construção de novos tanques da empresa na região.

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Cleusa relatou enjoo e dores de cabeça após o ocorrido. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Moradora na Vila Rute há cerca de três anos, Cleusa Nascimento Lima relatou que tem observado óleo nas ruas próximas de sua casa. “A gente perde móveis, os cachorros ficam cheios de óleo. Essa é a primeira vez que percebemos essa ‘gordura’, das outras vezes veio um óleo que queima todo o mato. Espero que alguém ajude a gente, estamos pedindo socorro. Já fiquei com enjoo, dor de cabeça, bem ruim mesmo”, contou Cleusa.

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“De tanto sentir o cheiro, de noite eu estava com falta de ar e com dor no peito”, disse Silvana Matoso Rodrigues

Silvana Matoso Rodrigues precisou dormir fora de casa por conta do cheiro forte. “Moro praticamente em frente aos tanques e estava um cheiro muito presente de gasolina. De tanto sentir o cheiro, de noite eu estava com falta de ar e com dor no peito. A cada dia o cheiro está mais forte, estamos com as mãos atadas. Fui dormir na casa da minha filha, na Vila Guarani, por conta disso”, contou a moradora.

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A moradora Roselene Fagundes contou que o problema piora com a chuva. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Roselene Fagundes também passou mal após o cheiro forte percebido pelos moradores na sexta-feira (26). “O médico me disse que eu passei mal por conta do cheiro, que é tóxico”, contou a moradora.

Ela também contou que, quando chove, o problema piora. “Tem que estar com a casa fechada e a gente não sabe mais para onde correr. Eu acho que tem que fazer alguma coisa para tirarem a gente logo daqui. Os tanques estão cada vez mais dentro das nossas casas. A gente quer sair daqui”, enfatizou Cleusa.

Denúncias

Os moradores relataram que já procuraram o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil Municipal para avaliarem os riscos, mas que não houve retorno.

A Defesa Civil de Paranaguá disse que esse é um problema recorrente na cidade e, a cada mês, são registrados de dois a quatro casos desta natureza, em pontos diferentes da área industrial da cidade.

“O Corpo de Bombeiros faz a medição do nível de explosividade presente no ar, devido ao despejo irregular de algum produto. Havendo confirmação de que pode haver sufocamento, intoxicação ou outro mal, a Defesa Civil efetua a acomodação da população em local seguro, geralmente abrigo do município”, informou a Defesa Civil. Neste ano, não houve movimentação neste sentido.

O órgão comunicou que não esteve no local na sexta-feira (26) porque não recebeu chamado. A recomendação é manter contato sempre com a Defesa Civil ou Corpo de Bombeiros. “Procedimentos posteriores serão adotados em trabalho conjunto pelos órgãos”, frisou a Defesa Civil.

A área ambiental da Defesa Civil informou ao JB Litoral que uma amostra do “bloco de gordura” será encaminhada para análise para averiguar a substância.

Sobre as denúncias, o 8° Batalhão de Bombeiro Militar de Paranaguá disse que foi realizado somente um acionamento com deslocamento para intervenção, mas que há várias ligações no decorrer do ano com esse mesmo relato.

“O fato é que sempre relatam mal cheiro, no entanto, quando chegamos ao local já não há mais cheiro algum. Dissipa muito rápido e não conseguimos identificar a localização exata e o produto”, informou o 8º Batalhão.

O que diz a empresa

A Cattalini Terminais Marítimos comunicou, em nota envida ao JB Litoral, que, na data mencionada, as operações ocorreram de forma normal, segura e sem qualquer alteração.

“Ressaltamos que não houve registro de vazamentos e que são mantidos monitoramentos contínuos e controles rigorosos de segurança operacional e ambiental, justamente para garantir a integridade das pessoas, das comunidades vizinhas e do meio ambiente”, disse a empresa, em nota.

A Cattalini informou que as obras em andamento pela empresa referem-se exclusivamente à ampliação do Centro de Tancagem 4 (CT4-C), cujo início das operações está previsto para o primeiro trimestre de 2026.“Reforçamos ainda que a comunidade é sempre informada sobre os processos que possam gerar impacto, por meio de audiências públicas, comunicados oficiais e canais permanentes de diálogo”, afirmou a Cattalini.

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