Mulheres ocupam o Aeroparque em Paranaguá no 8 de Março com ato por direitos, participação política e combate à violência


Por Brayan Valêncio Publicado 08/03/2026 às 20h42

O Dia Internacional da Mulher foi marcado por mobilização em Paranaguá. Neste 8 de março, o Aeroparque recebeu roda de conversa, microfone aberto, poesia, exposição e comercialização de artesanato, além de um chamado público contra a violência e a desigualdade de gênero no município.

O ato reuniu entidades do movimento social, representantes do poder público e organizações sindicais em uma programação voltada ao debate de direitos e ao fortalecimento das redes de apoio às mulheres. Ao longo da tarde, as participantes acompanharam falas públicas, atividades culturais e momentos de escuta coletiva.

A iniciativa integrou a agenda local de mobilizações do 8 de Março, com foco em pautas históricas das mulheres, como o enfrentamento à violência de gênero, a igualdade de direitos, a autonomia econômica e a maior presença feminina nos espaços de decisão.

Organização coletiva e rede de apoio

Integrante da comissão organizadora, Matsuki Mori Barbosa afirma que o ato reúne movimento social e poder público. “É momento de mostrar a organização, a luta e a força das mulheres parnanguaras para comemorar o Dia Internacional da Mulher”, diz.

Segundo ela, a programação articulou debates sobre igualdade salarial, enfrentamento ao assédio nos ambientes de trabalho, feminicídio, participação política e autonomia econômica. “Nós somos a metade da população e temos que nos esforçar para estar presentes nesses espaços”, completou.

A secretária municipal da Mulher, Desenvolvimento Social e Igualdade Racial, Carolina Lourenço, destacou o caráter institucional do apoio. “Esse evento foi organizado pelo Conselho da Mulher. Nós, enquanto Secretaria, estamos dando apoio à organização. Hoje o intuito é que possamos dialogar sobre o direito da mulher, para que possamos fortalecer nossos vínculos”, comentou.

Carolina Lourenço, a secretária da Mulher do município, reforçou o apoio institucional ao ato do 8 de março.
Carolina Lourenço, a secretária da Mulher do município, reforçou o apoio institucional ao ato do 8 de março. Foto: Maria Heiffer

A vice-prefeita Fabiana Parro (União Brasil) ressaltou que o encontro serviu também como um espaço de escuta. “São eventos que a mulher tem voz. Eu digo que o dia 8 de março não é apenas de homenagem. Claro que nós gostaríamos de apenas receber flores, mas não é isso: é um momento de refletirmos sobre a nossa sociedade”.

a vice-prefeita Fabiana Parro destacou que a data é um momento de reflexão e construção de propostas para enfrentar desigualdades e ampliar direitos das mulheres.
A vice-prefeita Fabiana Parro destacou que a data é um momento de reflexão e construção de propostas para enfrentar desigualdades e ampliar direitos das mulheres. Foto: Maria Heiffer

Trabalho, renda e resistência

Para o movimento sindical, o encontro também tem dimensão trabalhista. Representante do sindicato do magistério municipal, Sarah Caroline Alves define o ato como resistência.

A gente está lutando pela dignidade das professoras e dos professores. E principalmente para nós professoras, que temos a jornada tripla: trabalho, segundo emprego e ainda mais a demanda de casa, do cuidado”, disse.

Ela acrescenta que muitas docentes são responsáveis pela principal renda familiar e relaciona o cenário local aos indicadores sociais. “Somos uma resistência para lutar pela dignidade do trabalho, pela dignidade de vida”, complementa.

Chamado à participação

A proposta foi de encontro aberto e colaborativo. As organizadoras orientaram que as participantes levassem canga e lanche para partilhar, além de poesias, artesanato e propostas. Houve microfone aberto e espaço para comercialização de produtos feitos por mulheres.

Historicamente, o 8 de março tem origem nas lutas por melhores condições de trabalho, igualdade salarial, direitos políticos e enfrentamento à violência de gênero. Ao longo das décadas, a data se consolidou como um momento de mobilização global.

Em Paranaguá, a mobilização reuniu mulheres de diferentes bairros, que ocuparam o Aeroparque como gesto de presença pública, articulação em rede e pressão por políticas que ampliem direitos, segurança e autonomia econômica.

A organização foi do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Paranaguá, União Brasileira de Mulheres, Marcha Mundial de Mulheres, Parnanguarte, Casa Hortelã e Núcleo de Direitos Humanos Marielle Franco, com colaboração do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Paranaguá (SISMMAP) e da Pastoral da Aids. A Secretaria Municipal da Mulher, Desenvolvimento Social e Igualdade Racial apoiou a realização.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.

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