Obra dos molhes quase concluída em Pontal do Paraná é surpreendida por deslizamentos


Por Gabriela Perecin Publicado 01/04/2026 às 13h29

Com 99% das obras concluídas, conforme medição realizada em janeiro deste ano, as pedras dos molhes construídos no balneário Pontal do Sul, em Pontal do Paraná, começaram a deslizar. O caso foi registrado na terça-feira (31) e chamou a atenção dos moradores que estavam próximos da estrutura. [Vídeo no final da reportagem].

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Prefeitura afirmou que está acompanhando o fato e buscando soluções. Foto: Divulgação

O Instituto Água e Terra (IAT) fez uma visita técnica nesta quarta-feira (1º) para analisar a situação e buscar uma possível solução para o problema. Em nota, a Prefeitura de Pontal do Paraná informou que o deslizamento de pedras é acompanhado de perto pelas equipes da Secretaria Municipal de Projetos e Infraestrutura, em conjunto com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

“Desde o primeiro momento, a situação está sob monitoramento técnico, com avaliação das condições do local e dos possíveis impactos. A empresa responsável pela obra já foi acionada, assim como os responsáveis pelo projeto de licenciamento, para que prestem os esclarecimentos necessários e auxiliem nas providências”, informou a Administração Municipal.

Medidas para conter a erosão

A Secretaria de Projetos e Infraestrutura já adota as medidas cabíveis para garantir a segurança da área e realizar os ajustes que forem necessários, conforme destacou a Prefeitura.

“É importante destacar que o ocorrido está relacionado a fatores naturais, como a maré elevada e o atual período de transição da lua crescente para a lua cheia, que influencia diretamente a dinâmica do mar. Trata-se de um fenômeno comum nessa região costeira, especialmente em condições como as registradas nos últimos dias”, disse a Prefeitura.


O JB Litoral também procurou o Instituto Água e Terra (IAT), que, em nota, explicou que coube ao órgão apenas o licenciamento ambiental da obra. Tanto a elaboração do projeto quanto a execução da estrutura marítima foram de responsabilidade do município. “O IAT já está colaborando com a Prefeitura de Pontal do Paraná na busca por uma solução para o problema que afetou o molhe de Pontal do Sul”, afirmou o instituto.

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Evento começou a ser registrado nesta semana. Foto: Divulgação

Área está parcialmente interditada

O geólogo e professor do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (Cem/UFPR), Marcelo Lamour, também visitou o local e explicou ao JB Litoral que o processo de erosão é algo comum. No entanto, não se pode atribuir o deslizamento a uma ressaca, pois o mar está tranquilo.

“A tempo estamos procurando pelas causas, mas sem uma resposta efetiva. Pode ser um padrão de ondas específico que adentra o estuário pela desembocadura, pode ser o efeito gerado pelos fluxos das correntes de maré vazante, pode ser algo relacionado a passagem de navios. Mas não há uma resposta definitiva, pois, para isso, precisamos de uma análise muito maior que a observação pontual da erosão”, afirmou Lamour.

De acordo com ele, dessa vez, o fato chegou ao extremo. O professor esclareceu, ainda, que não há como ir até a ponta do molhe por risco de segurança à população, devido aos deslizamentos que ocorreram.

“Alguns blocos estão caindo dentro, inclusive, está interditado. Você não pode ir até a ponta do molhe, porque agora a impressão que eu tive é de que está oferecendo risco para as pessoas. Há uma placa dizendo que não pode ir até lá”, explicou o pesquisador.

Segundo ele, a implantação dos molhes criou um anteparo maior do que aquele que existia anteriormente. Os donos de restaurantes das proximidades colocaram uma proteção em frente das suas propriedades, o que ainda está evitando um pouco da erosão.

Ele acredita que há chances de novos deslizamentos ocorrerem ainda na quarta-feira (1.º). “A experiência que a gente tem é que, quando acontece esse tipo de erosão, em tempos ela se recupera, volta a praia. A natureza é bem desse jeito, ela vai responder a uma obra que foi executada”, concluiu Lamour.

Sobre a obra

A requalificação dos molhes do balneário Pontal do Sul é apontada pelas autoridades como fundamental para conter o assoreamento do canal, garantir mais segurança à navegação e melhorar o acesso à Ilha do Mel, fortalecendo o turismo e o transporte na região.

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Obra começou a ser executada em agosto do ano passado. Foto: Cauê Mendes/Prefeitura de Pontal do Paraná

A estrutura marítima também busca solucionar problemas ambientais devido a presença do canal artificial do Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS), que encontra a baía de Paranaguá.

A etapa de aplicação das pedras foi 100% concluída em novembro do ano passado, com 40.399,49 m³ de material, o equivalente a 60.599,235 toneladas, transportadas por 2.395 caminhões.

A intervenção foi licitada e executada pela Prefeitura de Pontal do Paraná com recursos do Governo do Estado e contrapartida municipal, totalizando mais de R$ 10 milhões (R$ 9,9 milhões do Estado e R$ 496 mil do Município). A fiscalização é compartilhada entre Prefeitura e Estado.

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