Padre Binu é condenado a quase 3 anos por importunação sexual em Paranaguá; entenda a sentença


Por Maisy Pires Publicado 27/03/2026 às 16h08 Atualizado 28/03/2026 às 17h08

A Justiça de Paranaguá condenou o padre Binu Joseph Chollackal, ex-pároco da Paróquia Nossa Senhora do Navegantes, na Ilha dos Valadares, a 2 anos e 11 meses de prisão em regime semiaberto, além do pagamento de R$ 1.500 de indenização, por abuso sexual cometido contra uma jovem nas dependências da Paróquia.

A sentença foi proferida pela 2ª Vara Criminal da comarca, que julgou procedente a ação penal movida pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), na tarde desta sexta-feira (27).

Padre-Binu
Padre Binu Joseph era pároco da Paróquia Nossa Senhora do Navegantes. Foto: divulgação

O caso teve origem em denúncia do MPPR, que apontou que o religioso cometeu o crime durante um atendimento espiritual realizado no dia 11 de fevereiro de 2022. Na ocasião, a vítima, então com 20 anos, esteve na igreja acompanhada dos pais em busca de ajuda para tratar um quadro de depressão.

De acordo com a decisão, “o padre se aproveitou da posição de confiança e autoridade religiosa para cometer os abusos”. Durante uma oração, ele pediu que a jovem e a mãe mantivessem os olhos fechados e afastou o pai da vítima, “dificultando a percepção do que ocorria”.

Ainda conforme a sentença, “o religioso praticou atos libidinosos sem consentimento, incluindo toques nos seios da vítima e o contato do órgão genital com o corpo da jovem, utilizando-se de fraude para impedir a livre manifestação de vontade. Após o episódio, o comportamento do padre mudou e o atendimento foi encerrado de forma rápida, enquanto a vítima deixou o local abalada e relatou posteriormente o ocorrido à família”.

Durante a instrução, a Justiça considerou que a materialidade e a autoria do crime foram comprovadas por meio de depoimentos, documentos e demais provas juntadas aos autos. A decisão também destacou que, “em crimes de natureza sexual, a palavra da vítima possui relevância especial, especialmente quando corroborada por outros elementos. O réu foi condenado pelo crime previsto no artigo 215 do Código Penal, que trata de violação sexual mediante fraude”.

Mais denúncias registradas

Após a divulgação do caso, o MPPR abriu um canal para que possíveis novas vítimas pudessem se manifestar. Segundo o órgão, ao menos outras três denúncias foram registradas.

Os casos tramitam sob sigilo e envolvem fatos ocorridos tanto em Paranaguá quanto em outros municípios onde o padre atuou. Em uma das situações, a vítima era criança à época dos fatos, e há apuração de possível estupro de vulnerável.

Com a repercussão, a Cúria Diocesana de Paranaguá determinou o afastamento do padre das funções religiosas desde a primeira denúncia.

O JB Litoral entrou em contato com a defesa, que informou que a decisão ainda não transitou em julgado, sendo passível de recurso de apelação. “A defesa mantém posicionamento firme e convicto quanto à inocência do Padre Binu”, informou.


Sobre

Jornalista formada pela Universidade Tuiuti do Paraná, com pós-graduação em Comunicação e Oratória, atua há mais de 10 anos na área, com experiência em portais, televisão, rádio e assessoria de imprensa. Atualmente, é editora-chefe do JB Litoral, onde lidera a produção de conteúdo com foco em informação de qualidade e responsabilidade.

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