Padre Denildo: uma jornada de amor e compromisso reconhecida com honra ao mérito em Paranaguá


Por Luiza Rampelotti Publicado 05/12/2023 às 11h49 Atualizado 19/02/2024 às 06h42

No próximo dia 14 de dezembro, o padre Denildo da Silva, pároco da Paróquia Santa Josefina Bakhita, localizada no Vale do Sol, em Paranaguá, será agraciado com o título de honra ao mérito pela Câmara de Vereadores. Na cidade há quatro anos, ele tem sido reconhecido por seu trabalho comunitário e com os jovens.

O padre Denildo, nascido em 10 de março de 1983, na cidade de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, recebeu sua ordenação em 2015 e desde então tem dedicado sua vida pastoral a diferentes regiões do Brasil. Sua jornada o levou ao Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso e Santa Catarina, até chegar a Paranaguá em 2019.

A Diocese de Paranaguá possuía grande necessidade de presbíteros, por vários motivos. Após tomar consciência desta realidade, coloquei-me à disposição para contribuir com ela. Visitei a Paróquia Santa Josefina Bakhita, no Vale do Sol, e percebi um povo acolhedor e disposto a construir uma comunidade sólida. Entretanto, a Paróquia passava por uma grande desestrutura pastoral e econômica, sem falarmos de todo o desafio de infraestrutura de um bairro novo com necessidades básicas para conquistar”, relembra o padre.

Foi o acolhimento caloroso da comunidade que convenceu o padre Denildo de que seu lugar era verdadeiramente ali. “Entrei na igreja e uma mulher veio ao meu encontro e perguntou: ‘É o senhor nosso novo padre?’. Emocionada, com lágrimas nos olhos, prosseguiu dizendo: ‘Acabamos de pedir a Jesus para o senhor aceitar nossa comunidade’“, relatou. No dia 1º de fevereiro de 2020, ele tomou posse como pároco da Paróquia.

Homenagem recebida com surpresa

A Paróquia congrega 13 comunidades de Paranaguá, especialmente as colônias, e fica numa região de periferia. Foto: Rafael Pinheiro/JB Litoral

O padre, que ficou surpreso com a homenagem da Câmara, avaliou que o título pode ter sido oferecido devido às reflexões sobre questões sociais que ele tem realizado junto à população. O pároco faz cobranças referentes à segurança pública, moradia digna e infraestrutura para o bairro.

Também temos a pauta antirracista, somos uma comunidade que congrega bastante negros. E, na verdade, hoje a escravidão continua existindo, mas apresentando facetas diferentes. A escravidão hoje é a impossibilidade de o negro ter um estudo de qualidade; os negros serem a população mais pobre, vulnerável e que sofre mais violência, por exemplo”, refletiu.

A Paróquia, que completará 12 anos, é a primeira dedicada à Santa Josefina Bakhita no Brasil, uma santa africana que enfrentou o rapto e a tortura na juventude, sendo posteriormente comprada e levada para Roma como escrava. Ela é uma das poucas negras reconhecidas como santa pela Igreja Católica, mas com pouca visibilidade na liturgia.

Santa Bakhita está muito ligada à questão da pauta negra. Eu aceitei vir para cá, também, levando em conta isso, achei interessante”, contou o padre Denildo ao JB Litoral.

Reconhecimento à comunidade


A Paróquia congrega 13 comunidades de Paranaguá, especialmente as colônias, e fica numa região de periferia, onde a maioria das famílias enfrenta alguma situação de vulnerabilidade social. Por isso, o padre Denildo faz questão de que a igreja atue de forma firme no que diz respeito à realidade social do território. Atualmente, 80 famílias são atendidas por meio de ações assistenciais através de uma parceria com o Instituto Palazzolo. 

A nossa Paróquia tem uma característica jovem, missionária, pois somos um bairro de ‘passagem’, mas também de projeção. Além disso, somos uma Paróquia de periferia, com todos os seus desafios, então temos questões de impacto social muito grandes”, disse.

A homenagem concedida pela Câmara de Vereadores, segundo o pároco, não é apenas para ele, mas para toda a comunidade que representa. “Atrás desse título está a comunidade que eu represento, que está sendo vista, então é um reconhecimento mais à comunidade do que à minha figura, porque sozinho não se faz nada“, considerou.

Ele assume a responsabilidade do título em nome daqueles que mais necessitam. “Isso me responsabiliza em nome de tantas mães, por exemplo, que têm chorado a morte de seus filhos; diante de tantas pessoas que não têm condições de moradia. Então esse título me compromete a entender que, em nome dessas pessoas, devo continuar o caminho que estou seguindo, porque é o caminho certo“, finalizou.

A igreja Santa Josefina Bakhita fica na Rua Aurélio Romualdo Moro, 69, no Vale do Sol, com missas nas quintas-feiras às 19h30, e aos domingos, às 8h30. Foto: Rafael Pinheiro/JB Litoral

Honra ao trabalho do padre


A iniciativa da concessão do título partiu do vereador Welington Frandji (Pode), autor do projeto de Decreto Legislativo que reconhece a significativa contribuição do padre para a comunidade. “Sempre preocupado com a comunidade, o padre Denildo motiva ações sociais que buscam a dignidade social e o fortalecimento da fé em nossa cidade. Por isso, nada mais justo do que a Casa do Povo honrar o trabalho de um homem que, mesmo não sendo de Paranaguá, tem muito amor e carinho pela nossa gente”, disse.